Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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10 de dez de 2009

Ainda os Anglocatólicos...

Para entender a questão anglocatólica:

Após muita discussão sobre a questão da aceitação na Igreja Romana de pastores anglicanos, um blog anglicano gerou discussão no Reino Unido e nos EUA.

O The Beaker Folk of  Husborne Crawley chegou ao site da importante revista jesuíta America, dos EUA, e do jornal The Guardian  (anglicano) por postar um gráfico-resumo sobre como funcionará essa “transferência” assinada tanto por Bento XVI quanto pelo Arcebispo Rowan Williams, primaz da Igreja da Iglaterra (The Church of England), e símbolo da unidade na Comunhão Anglicana. ( de uma vez por todas, volto a dizer que NÃO EXISTE uma Igreja chamada "Anglicana"  em nível mundial)

De uma forma bem humorada, o autor tentou resumir a questão, publicando o gráfico dirigindo-se aos pastores anglicanos (anglocatólicos ou evangélicos) indecisos. Porém, ele teve que apagá-lo de seu blog, devido às reações. Diz ele:

Em vez de uma piada compartilhada com poucas pessoas que entendem o meu senso de humor e a minha ‘real’ visão sobre as coisas (eu espero), comecei a receber centenas de visitantes que não sabiam nada de mim. Alguns podem ter sentido uma ofensa profunda, e eu nunca quis causar isso”.
Muitos anglocatólicos – continua o autor – têm pela frente um tempo muito sério e perturbador. Um tempo em que suas crenças mais profundas sobre o que significa ser padre e sobre a função da Igreja serão mudadas. Em suas consciências, eles terão que contrabalançar seu chamado ao sacerdócio e suas crenças sobre a essência da Igreja com os potenciais sacrifícios de dinheiro e/ou do tempo mesmo que suas famílias poderão sofrer. Os anglicanos devem rezar por eles, concordando ou não.”
Mantendo o seu senso de humor, publico aqui uma versão do gráfico traduzida para o português:
(clique na figura para vê-la em tamanho ampliado)




Eu fiz as devidas correções, no texto,  às referencias sobre a Igreja da Inglaterra e a inexistente "Igreja Anglicana", uma forma errada de referir-se à Comunhão Anglicana
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19 de nov de 2009

Ainda a falta de ética do Vaticano...

Para os que estão acompanhando o caso, quero propor uma visita ao site do Instituto Humanitas da UNISINOS. Pesquise internamente o tópico "Anglicanos" (busca no site).

Em especial, quero destacar a entrevista do meu grande amigo Prof. Dr. Rev. Zwinglio Mota Dias sobre o tema: clique aqui!

Note bem: é na revista do Instituto Humanitas, da UNISINOS, uma universidade de origem católica-romana. Essa dica me foi passada pelo Prof. Dr. Marcelo Barreira, da Faculdade de Filosofia da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), que é episcopal-anglicano.

Boa leitura!
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14 de nov de 2009

É bom lembrar...




Vale a pena ler os comentários que estão no YouTube sobre este vídeo! Muito interessante! Nota-se sempre o mesmo discurso de defensiva (ignorância sobre a História da Igreja, entre outras coisas).
No mínimo é divertido!
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13 de nov de 2009

Obrigado, Bento XVI

autor: Rev. Carlos Eduardo Brandão Calvani
Presbítero (padre) da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Doutor em Teologia

Conforme um dito popular, “Deus escreve por linhas tortas”. Nunca parei para refletir mais profundamente sobre esse ditado. Mas sempre o escuto e, provavelmente, também já devo tê-lo repetido uma ou outra vez na vida.

Devo confessar que, nos últimos dias, esse ditado reapareceu em minha memória, por conta de todas as discussões sobre a mais recente artimanha do Vaticano, de criar uma provisão especial para receber na Igreja Romana anglicanos dissidentes e insatisfeitos. Graças a Deus nunca fui católico-romano e não tenho qualquer compromisso de ser bem educado para com Ratzinger - sempre o considerei um (mesmo antes de ser Papa), um teólogo “torto”, mais preocupado com a restauração do passado do que propriamente com a construção do futuro. Mas Deus, em sua insondável sabedoria, pode até mesmo usar caminhos tortos. Lá no Antigo Testamento, até uma mula (ou jumento) poderia ser porta-voz dos desígnios divinos...

Sei que, ao escrever isto, correrei o risco de ouvir de alguns colegas: “você precisa ser mais polido... você ofendeu o papa...”. A estes eu respondo: “onde está nossa auto-estima? vamos continuar oferecendo a outra face e quantas partes mais do corpo quiserem para nos agredir? Que masoquismo eclesiástico é este?” Bem mais ofendidos ficaram muitos anglicanos, inicialmente. Alguns anglicanos como eu, também já ficaram bastante constrangidos em reuniões ecumênicas (participei durante um tempo da Comissão Teológica do CONIC) e poderia citar, se o espaço fosse maior, exemplos do constrangimento pelo qual passamos diante do peso e da pressão da Igreja Católica Romana para que aprovemos aquilo que interessa a eles.

Agora, em 2010 teremos Campanha da Fraternidade “Ecumênica”. Confesso que, particularmente, não tenho qualquer interesse em colaborar ou participar de uma campanha em que as demais igrejas (pequenas, coitadinhas), são usadas para render frutos à Igreja Católica Romana. Gostaria de saber mesmo, quando é que a organização da “Campanha da Fraternidade Ecumênica” apoiará e defenderá uma proposta feita por mim mesmo, de que um dos temas mais urgentes a tratar, nacionalmente, é a questão da pedofilia. Quando eu disse isso, em reunião da Comissão Teológica do CONIC, fui ignorado. A única reação que percebi foram alguns sorrisos desconfortáveis, como se eu estivesse querendo ironizar ou cutucar onça com vara curta... Minha proposta sequer foi discutida. Depois alguns padres amigos me disseram: “A Igreja Romana nunca irá abordar esse tema...” 

Li o texto oficial do Vaticano, ouvi e li também algumas opiniões e cheguei até mesmo a provocar o querido colega Rev. Luiz Alberto Barbosa, secretário-executivo do CONIC, para saber se esse organismo iria emitir algum pronunciamento condenando a medida. Hoje, porém, dou meu braço a torcer e minha mão à palmatória, porque estou chegando à conclusão que a jogada política do Vaticano, apesar de ser um golpe baixo (digno de seus redatores) e que põe ainda mais cimento no caixão do falecido ecumenismo institucional, pode ser encarado como uma provisão abençoada para a Comunhão Anglicana.

Um querido bispo da IEAB enviou-me um email dias atrás, lembrando que vivemos o primado da perversão em todos os segmentos, e que mesmo as igrejas não escapam disso. As atuações perversas, diz ele, estão sempre escondidas por traz do biombo de belas palavras, versículos bíblicos e citações de teólogos antigos. E a utilização desses recursos pelos perversos, lhes proporciona um gozo imenso.

Lembrei-me também de um pequeno poema, do extraordinário poeta português Guerra Junqueiro (1850-1923). Embora dirigido, especificamente aos jesuítas, pode aplicar-se também a outros que, mesmo não sendo jesuítas, se identifiquem com o atual papado:

Ó Jesuítas, vós sois dum faro tão astuto 
Tendes tal corrupção e tal velhacaria 
Que é incrível até que o filho de Maria 
Não seja inda velhaco e não seja corrupto 
Andando a tanto tempo em tão má companhia

Pelo que entendi da “Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus” (este é o pomposo nome oficial), a Igreja Romana está abrindo as portas para receber diáconos, presbíteros ou bispos anglicanos “como candidatos às sagradas ordens na Igreja Católica”. Ou seja, os anglicanos que debandarem para lá, não terão suas ordens reconhecidas e deverão ser “reordenados”. Os que forem casados devem observar algumas normas da época de Paulo VI, enquanto os não-casados devem ater-se ao celibato. Mais à frente, o documento diz: “o ordinário... admitirá somente homens celibatários à ordem do presbiterado”. 

A situação mais cômoda é para os padres que foram ordenados na Igreja Católica Romana e que foram recebidos (sem reordenação) na Igreja Anglicana. Esses, se forem celibatários, podem voltar e serão recebidos como “filhos pródigos”. Se forem casados, porém, a situação será um pouco mais complicada, mas ainda assim terão seu espaço garantido junto ao trono de São Pedro para comer das migalhas que caem da mesa papal.

Mas, no frigir dos ovos, a provisão do Vaticano se transformará em uma bênção para a Comunhão Anglicana. A ela atenderão os clérigos e bispos com vocação inquisitorial, que sentem cheiro de heresia em qualquer palavra ou em qualquer texto; a ela atenderão os clérigos e bispos machistas, que não suportam ver uma mulher de batina; a ela atenderão os romanistas disfarçados, que sempre reclamam o fato de as igrejas da Comunhão Anglicana não terem uma autoridade central, mas uma autoridade dispersa; a ela atenderão os recalcados que desconfiam de qualquer ação pastoral que contrarie os cânones da ética sexual romana.

Estes, que atenderão à oferta do Vaticano, realmente não se sentem confortáveis nas igrejas da Comunhão Anglicana. Parodiando a 1ª epístola de João, eu diria - “estes saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”.

Por isso, tudo, devemos agradecer a Bento XVI e a seus assessores, pelo bem que proporcionaram à Comunhão Anglicana.

Que Deus lhes retribua em porções dobradas todo o bem que nos fizeram.
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Publicado com autorização do autor.
Concordo com tudinho que está aí escrito. Gostaria de ter escrito este texto e agradeço ao Rev. Calvani a permissão para colocar este artigo no meu modesto blog. 

Arreda Bento! xô! Tá amarrado! xô!
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9 de nov de 2009

Minha visão de ecumenismo

Ecumenismo é ação entre pessoas de boa vontade e de diferentes religiões e culturas; não é resultado de "diálogos" institucionais, nem acontece através de "acordos" entre instituições, porque o Povo de Deus não é uma instituição.

Ecumenismo é mais que "diálogo"! Ser ecumênico é reconhecer que a infinitude de Deus - a Sua Transcendência - é muito maior que nossa capacidade de compreendê-La, e se revela como bem quer. Ser ecumênico é, essencialmente, reconhecer nas diferenças, as muitas faces do Ser Altíssimo, e - com ações de boa vontade e cooperação - manifestar a Paz e a Misericórdia.

Demonizar o diferente é dar aos "poderes das trevas" mais força do que realmente têm, é colocar em Deus uma limitação de identidade... a nossa própria!

Deus nos criou diversos, e fez do universo a diversidade, para que o conjunto revele que Eles (Ele/Ela) habitam em comunidade (que nós, cristãos, chamamos de Trindade).

(este texto é de minha autoria; não culpo ningém por ele; é meu ponto de vista depois de 40 anos como militante no movimento ecumênico, inclusive no ecumenismo institucional - já pensei diferente...)
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7 de nov de 2009

A IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL SE PRONUNCIA

A Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil distribuiu o seguinte comunicado à Igreja:

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Dada a repercussão da recente medida do Vaticano de adotar uma provisão que acolha anglicanos dissidentes dentro da Igreja da Inglaterra, nosso Primaz, em consulta com bispos e Comissão Especial, torna pública essa palavra como orientação a respeito da matéria.

Solicitamos divulgá-la amplamente por toda a Igreja.

Recebam meu abraço e minhas orações por suas vidas e ministérios!
Rev. Con. Francisco de Assis Silva
Secretário Geral da IEAB


O anúncio feito em 20 de outubro pelo Vaticano, de criar uma provisão constitucional especial para acolher anglicanos descontentes com a ordenação feminina e de pessoas homoafetivas, certamente representa um novo e inesperado patamar nas relações entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica Apostólica Romana.

Ao longo de 40 anos, as duas Comunhões mantiveram um franco e profícuo diálogo desde a iniciativa do Papa Paulo VI e do Arcebispo Michael Ramsey de quebrar séculos de silêncio entre as duas partes. Viviam-se os ventos resultantes do Concílio Vaticano II, como uma era de avanço no diálogo e superação de indiferenças. Esse processo continuou ao longo das últimas décadas com a produção de documentos e a criação, em nível de Províncias (como a do Brasil), de comissões nacionais de diálogo anglicano-católico romano.

Damos graças a Deus por todo o trabalho construído em meio a muitas dificuldades, mas igualmente de mútuo respeito. Para isso contribuiu a capacidade de nos enxergarmos como irmãos que confessam o mesmo Cristo e a mesma fé credal, sempre buscado construir uma compreensão comum em torno de suas identidades teológicas. Neste espírito se produziram os documentos Autoridade na Igreja I (1976), Autoridade na Igreja II (1981), Comunhão Eclesial (1990), Vida em Cristo: Moral, Comunhão e a Igreja (1993), O Dom da Autoridade (1998), Maria: Graça e esperança em Cristo (2004) e Crescer Juntos na Unidade e Missão (2007).

Todas estas Declarações, e as ações conjuntas decorrentes delas, apontavam na direção de que cada vez mais nos aproximávamos do ideal da unidade que tanto Cristo desejou. Somos hoje parte de inúmeros organismos ecumênicos e nos aceitamos reciprocamente no Batismo – conforme Declaração Conjunta assinada no Brasil em 2007.

Ao dizermos que a iniciativa do Vaticano define um novo e inesperado patamar no diálogo bilateral, queremos afirmar que ela não tem direta relação com o processo acumulado ao longo dos últimos 40 anos, indicado acima, mas representa uma iniciativa unilateral, que certamente merecerá uma análise mais profunda. Indicativamente, enumeramos aqui dois elementos que merecem cuidadosa atenção: 

 - Os mais recentes documentos oficiais da Igreja Católica Romana têm reafirmado sucessivamente, não a sua identidade apenas como Igreja universal, mas sua singularidade como sinal verdadeiro e original da presença de Cristo entre os povos. Isso implica em uma auto-compreensão de exclusividade eclesiológica e organizacional que dificulta o avanço do diálogo entre as duas Igrejas;

- O substrato teológico para a iniciativa do Vaticano se baseia na compreensão de que a unidade da Igreja se dá tendo como referência o postulado do ministério petrino. Tal postulado necessita ser compreendido na conjugação entre sua dimensão teológica e a realidade histórica da sé de Roma e até esse momento não é ponto pacífico no diálogo anglicano-católico romano.

Evidente que estas questões precisam ser confrontadas com honestidade e amplo diálogo que, sempre, de nossa parte, marcaram comprometida e respeitosa atitude.

Expressamos nossa preocupação com a iniciativa desencadeada por Roma, levando em conta aspectos como seu método e conteúdo.

Lamentamos que nenhuma instância oficial da Comunhão Anglicana tenha participado do processo de construção da provisão anunciada pelo Vaticano. Inclusive, para surpresa de muitos, a própria Congregação para a Unidade dos Cristãos não participou do processo interno, em Roma, sequer para o anúncio da iniciativa.

Um assunto conduzido assim, privadamente e sob a coordenação da Congregação para Doutrina e Fé, ou seja, tratado no nível especificamente doutrinal e sem nenhuma relação com a sua dimensão ecumênica exigiria, no mínimo, a transparência que seria de se esperar entre duas Igrejas que dialogam ecumenicamente.

Se a provisão fosse destinada às pessoas que já saíram da Comunhão Anglicana por razões de divergência teológica, certamente isso seria entendido como acolhimento pastoral a quem já não seria pastoralmente mais de nossa responsabilidade. Mas, na medida que se destina a pessoas e comunidades que ainda estão dentro da Comunhão, mesmo que em dissenso, a provisão representa um problema ético de interferência em assuntos internos de outra Igreja irmã.

Esperamos, com muita honestidade, que essa interferência não venha se constituir em empecilho para o futuro de nosso diálogo e que possamos em tempo conhecer o teor da referida provisão – que ainda não é pública – e aplicar, quando possível, o princípio do respeito à autonomia interna de nossas Igrejas. A conversa que haverá entre o Arcebispo de Cantuária e o Papa Bento XVI nos próximos dias, em Roma, poderá apontar contornos mais claros para essa iniciativa. Aguardaremos essa conversa que representará o primeiro diálogo face a face entre os representantes máximos das duas Igrejas.

Em nosso contexto de Brasil, temos recebido e acolhido clérigos oriundos da Igreja Católica Romana, e temos acolhido essas pessoas como irmãos que desejam responder a sua vocação e chamado na missão, que é de Deus. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil mantém um Cânone específico para esse acolhimento e reconhecemos as Ordens Sagradas de cada um, sem nenhum novo processo de ordenação.

Esperamos que esse assunto seja discutido com muita autenticidade dentro das instâncias de diálogo internacionais e locais de nossas duas Igrejas, e restaurando-se o teor do processo já trilhado, na busca de se superar mal entendidos e retomar o caminho da busca da Unidade tão desejada por Cristo e sonhada por todos nós!

Brasília, 04 de novembro de 2009  William Temple (1881-1944)

D. Mauricio Andrade
Bispo Primaz da IEAB.
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O meu querido Primaz e irmão, Dom Maurício, assim como meus demais Pais em Deus, ainda alimentam a esperança de que as relações ecumênicas sejam preservadas. Fico feliz que meus Bispos pensem assim, mas lamento dizer que, desta vez, eu não consigo viver essa esperança... pelo menos em relação à Igreja de Roma enquanto a Santa Sé estiver dominada pelos fundamentalistas dogmáticos. Meus 40 anos de movimento ecumênico me ensinaram que não se deve confiar em instituições onde o absolutismo domina.

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4 de nov de 2009

Sobre a Igreja Romana e católicos-romanos

Apenas para esclarecer: no meu artigo abaixo, onde realmente eu desço o cacete na Igreja Romana - e ainda tenho muita coisa pra falar sobre essa instituição hipócrita - é contra a Instituição Eclesiástica da Igreja Romana que falo, contra sua alta-hierarquia, sua situação de Estado (que vive a custa de investimentos não muito claros - veja-se registros históricos das relações com a Mafia, com o Nazi-Facismo, e o escândalo - já esquecido - do golpe bancário aplicado na Itália... ). Nada contra as pessoas simples que vivem sua fé cristã no seio do romanismo. Nem contra os inúmeros sacerdotes, religiosas e religiosos que dedicam suas vidas ao serviço do Povo de Deus naquela imensa fazenda do Senhor. Nada contra o eclesial; minha crítica é e sempre será ao eclesiástico, a mesma atitude que tenho muitas vezes, para com a própria Igreja a que pertenço.

Tenho muitos amigos e amigas católicos-romanos, muitos padres e freiras, e deles sempre escuto suas lamentações, pois não podem nem mesmo tratar disso (lamentações em relação à sua Igreja) com seus confessores... Admiro muitos líderes da Igreja de Roma, reconheço o inspirado trabalho que homens como Dom Pedro Casaldáliga, Dom Mauro Morelli, e muitos outros, fizeram e fazem ainda em benefício dos excluídos neste país, verdadeiras testemunhas proféticas de Jesus, o Cristo.

Então, aos amigos romanos que já manifestaram sua solidariedade e sua indignação diante das ações recentes do Vaticano, fica aqui meu testemunho de amizade fraterna em Cristo. Muitos me escreveram diretamente, pois não podem arriscar-se colocando um comentário nesse meu blog lido por menos de uma centena de pessoas...

Onde não há liberdade de opinião e de expressão, não há liberdade!

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2 de nov de 2009

Hans Küng revela o que está realmente ocorrendo!

Eu acho que a grande jogada da Igreja de Roma em atrair os anglicanos descontentes tem muito mais a ver com geopolítica que com teologia. De certa forma, a Igreja de Roma precisa chamar a atenção do mundo, até porque tem perdido espaço (e gente) para outras confissões cristãs, além de prestígio internacional pelo retrógrado posicionamento que sempre toma diante das grandes questões do mundo contemporâneo - a sexualidade, biologia, etc. (que saudades de João XXIII...)

Por outro lado, SS Bento XVI não tem nem 10% da simpatia e empatia com a mídia que teve seu antecessor, o Papa João Paulo II, que - pelo menos - sabia ser um reacionário simpático!

O conhecido teólogo católico-romano Hans Küng se pronunciou a respeito da tentativa romana de desestabilizar a Comunhão Anglicana:

"Teólogo critica duramente ao papa e Vaticano contesta realidade de argumentos

Cidade do Vaticano, 28 out (EFE).- O teólogo dissidente Hans Küng criticou duramente seu antigo amigo Bento XVI por haver aberto as portas aos anglicanos, afirmando que se trata de "uma tragédia", provocando uma resposta do Vaticano que disse que as acusações estão "muito longe da realidade".

Küng, de 81, em artigo publicado hoje nos diários "The Guardian" (Reino Unido) e "La Repubblica" (Itália), intitulado "Esse papa que pesca nas águas da direita", afirmou que a decisão de Joseph Ratzinger de acolher na Igreja Católica a todos os anglicanos que o desejem é uma "tragédia".

Segundo o teólogo suíço, se trata de uma "tragédia" que se une "às já ocasionadas (por Bento XVI) aos judeus, aos muçulmanos, aos protestantes, aos católicos reformistas e agora à Comunhão Anglicana, que fica debilitada perante a astúcia vaticana".

"Tradicionalistas de todas as igrejas, unir-vos sob a cúpula de São Pedro. O Pescador de homens pesca, sobretudo na margem direita do lago, embora ali as águas sejam turvas", escreveu Küng que acusa o papa de querer restaurar "o império romano, em vez de uma Commonwealth de católicos".

Segundo Küng, "a fome de poder de Roma divide o cristianismo e danifica sua Igreja" e o atual arcebispo de Canterbury, o chefe da Igreja Anglicana, Rowan Williams, "não esteve à altura da astúcia vaticana".

Para o teólogo dissidente, as consequências da "estratégia" de Roma são três: "o enfraquecimento da Igreja Anglicana, a desorientação dos fiéis dessa confissão e a indignação do clero e o povo católico", que veem - diz - como se aceitam sacerdotes casados enquanto se insiste de maneira "teimosa" no celibato dos padres católicos.

O diretor do jornal vespertino vaticano "L'Osservatore Romano", Giovanni María Vian, respondeu hoje que "mais uma vez, uma decisão de Bento XVI volta a ser pintada com rasgos fortes, preconceituosos e, sobretudo, muito afastados da realidade".

"Infelizmente Küng faz outra das dele, antigo colega e amigo com quem o papa em 2005, só cinco meses após sua escolha, se reuniu, com amizade, para discutir as bases comuns éticas das religiões e a relação entre razão e fé", escreveu Vian.

O diretor do jornal assegurou que Küng voltou a criticar seu antigo companheiro na Universidade de Tübingen (Alemanha) "com aspereza e sem fundamento".

O gesto do papa, segundo Vian, tem como objetivo "reconstituir a unidade querida por Cristo e reconhece o longo e fatigante caminho ecumênico realizado neste sentido".

"Um caminho que vem distorcido e representado enfaticamente como se tratasse de uma astuta operação de poder político, naturalmente de extrema direita", acrescentou Vian, que ressaltou que "não vale a pena ressaltar as falsidades e as inexatidões" de Küng.

O representante vaticano criticou as acusações vertidas contra o líder da Igreja Anglicana e expressou sua "amargura" perante este "enésimo ataque à Igreja Católica Apostólica Romana e a seu indiscutível compromisso ecumênico.

No último dia 20, o Vaticano anunciou a disposição do papa a acolher na Igreja Católica todos os anglicanos que o desejem e a aprovação, com esse objetivo, de uma Constituição Apostólica (norma de máxima categoria) que prevê, entre outras, a ordenação de clérigos anglicanos já casados como sacerdotes católicos.

No mundo são cerca de 77 milhões fiéis anglicanos e nos últimos anos sua igreja viveu momentos de crise e de forte divisão interna, devido à ordenação de mulheres e homossexuais declarados como bispos e a bênção de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Por enquanto se desconhece o número exato de anglicanos que desejam rumar à Roma, embora segundo fontes do Vaticano esse número pode estar na casa de meio milhão, entre eles meia centena de bispos. EFE
Fonte: o texto acima é colagem do Portal G1 (Globo) e sua fonte é a Agência EFE.

Meio milhão de anglicanos indo a Roma??? talvez como turistas no verão italiano...

O segmento anglicano que quer ir para o "colinho papal" é uma minoria conservadora ultra reacionária na Inglaterra, e talvez em outras partes do mundo de influência anglo-saxônica. É o tipo de gente que não fará falta na Comunhão Anglicana, porque contraria a essência do "ethos" anglicano, que é a unidade na pluralidade.  Afirmar uma coisa dessas - meio milhão! - é uma atitude ufanista que revela o mau caráter do Vaticano e demonstra as intenções veladas de tentar desmoralizar uma Comunhão de Fé Cristã que tem atraído cada vez mais as inteligências católicas cansadas do reacionarismo, do autoritarismo e da intransigência de Roma para com as questões mais vitais da vida humana no mundo contemporâneo.

Não conheço, realmente não conheço, aqui no Brasil, um anglicano que tenha se tornado católico-romano; é bem capaz que haja um ou outro! Mas conheço mais de uma centena deles que nos últimos anos vieram para nosso convívio, inclusive muitos padres, solteiros e casados. E NÃO FORAM REORDENADOS, porque os anglicanos não negam as Sagradas Ordens Romanas, ao contrário de Roma que não nos reconhece e vai reordenar os que para lá forem... Aliás, não é de hoje que a migração de romanos para o mundo anglicano é grande. Eu mesmo, aos 19 anos, após me converter ao senhorio de Cristo no meio ecumênico, vim parar na Igreja Episcopal por conselho de um Bispo Romano que, mais tarde, veio a ser Cardeal em Roma e era amigo de minha família... ele me disse: "da forma como você pensa o mundo, você será muito feliz entre os anglicanos" e me deu uma carta de apresentação... E ele estava certo!

As Igrejas da Comunhão Anglicana têm a coragem de debater às claras questões como sexualidade humana, bioética, engenharia genética, etc... e ouviu o clamor das mulheres, trazendo-as (ou seria melhor lembrar, reconduzindo-as) ao sacerdócio cristão e ao episcopado, como outras confissões protestantes também já fizeram.  Nenhuma mulher anglicana sente culpa por tomar pílula anticoncepcional e estar pecando contra sua igreja, e uma pessoa homossexual sabe que não será desprezada - antes, será acolhida em nome de Cristo - numa comunidade anglicana. Clérigos (e não clérigos) anglicanos não precisam mais "ficar no armário" , ao contrário de muitos padres (e não padres) romanos... (pergunta ai para quem foi seminarista e desistiu!!!). Clérigos e clérigas anglicanos podem usufruir do convívio familiar, ter sua companheira ou companheiro de vida (e se separar se não der certo - foi eterno enquanto durou!), ver seus filhos crescerem e se tornarem adultos, ao contrário de muitos padres que têm "sobrinhos" ou têm de sustentar uma "prima que ficou grávida e é pobre"...  Conheço muitas histórias assim; não vou revelar porque as ouvi sacramentalmente. Santa hipocrisia! No anglicanismo há espaço para masculinidades e feminilidades! No anglicanismo há espaço para se ser humano e ter-se sua prórpia identidade!

Muita gente não consegue conviver com isso: pluralidade, autoridade dispersa, antidogmatismo... então, que sigam seu caminho, busquem seu rebanho e se for Roma, que seja! Sigam com a paz de Deus e deixem-nos em paz também!

Como todo bom católico-romano, Hans Küng não conhece bem a organização das outras igrejas cristãs, segundo o que reporta a reportagem da EFE: o Arcebispo de Cantuária não é Chefe da Igreja Anglicana. Não há chefe na Igreja Anglicana, além de Cristo. Ao contrário do Papa, o Arcebispo de Cantuária não é infalível, e é apenas o símbolo da unidade na Comunhão Anglicana. Na Inglaterra ele é também o Chanceler do Rei, ou seja quem guarda o selo real após a morte do rei até a coroação do sucessor. Mas não é Chefe da Church of England (a qual é dependente do Parlamento Britânico!). Sua autoridade é moral e espiritual, e não burocrata.

Além disso, os Bispos Anglicanos, ao contrário da maioria (com grandes excessões) dos Bispos Romanos, não se metem nas questões particulares e de consicência das pessoas: como sabem que são humanos, têm também seus problemas e suas dores - por isso, evitam julgar!

Eu não demonizo a Igreja de Roma, como fazem muitos evangélicos, até porque não sou evangélico, muito menos do "mundo evangélico de consumo religioso"! Mas fui aluno jesuíta, conheci o ambiente romano por dentro e pelos bastidores dos diversos movimentos laicos e sei muito bem como se pensa naquele curral do Senhor: ainda hoje acreditam que só eles são curral do Senhor, e que os demais (as outras Igrejas) são incompletos... muita arrogância, não é?

Mas, mesmo não demonizando, começo a achar que a Igreja Metodista, no Brasil, está com a razão ao se negar a qualquer relação ecumênica com a Igreja Romana. Isso não é um desabafo, mas uma conclusão a que estou chegando, ao rever o pontificado de João Paulo II e antevendo a tragédia que será, para o mundo cristão, o pontificado de Bento XVI .  

"Xô, Bento! Cruiz credo, padre-nosso treis veiz! arreda!"

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Nota: para ler na íntegra o artigo de Hans Küng, visite a página da Associação Rumos (padres casados):
http://www.padrescasados.org/?p=340
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22 de out de 2009

Acarajé Evangélico!!! era só o que faltava!!!

No jornal capixaba A Gazeta, edição do último domingo, foi publicada uma matéria que serve de ilustração às aberrações do "mundo evangélico" daqui e do Brasil...

Você pode ler a notícia on line: clique aqui

Interessante é que um "pastor evangélico" se refere ao cuidado para não se comer pratos que sejam "oferendas". Além de demonizar o candomblé, agora demoniza-se também a cozinha bahiana.

Na verdade, esse pessoal tem muita confiança em Deus e no poder de Deus:  acredita que um simples "acarajé" pode manifestar uma ação diabólica na vida "espiritual" do "crente". Afirmam, assim, que o Diabo é capaz de derrubar a graça de Deus... boa teologia!

Logo veremos por ai: restaurante evangélico servindo "macarronada crente" (já que é prato italiano, deve ser coisa da a Igreja de Roma), ou pizza gospel (que virá com versículo bíblico escrito em molho de tomate) ....

Aliás, ao ler essa reportagem, lembrei-me de um amigo, pastor (de fato pastor) e bom comediante, que em uma esquete, sobre programação gospel de rádio, anunciava o "Motel Bom Pastor", especial para evangélicos(as), distribuidor das "camisinhas El Shadai", as únicas com versículo bíblico do Salmo 23: "... o teu cajado me consola"!!!

Melhor parar por aqui. Os absurdos que aparecem todos os dias no dito "mundo evangélico" é de fazer qualquer cristão perder a fé, para não perder o bom senso. Um detalhe: a senhora que vende o "acarajé crente",  é "evangélica" mas tem troco para R$ 50,00 (ver postagem abaixo).
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19 de out de 2009

Deus não tem troco para R$ 50,00

Este caso copiei do blog do Ricardo, "Alterados e Sequelados" .  Uma ilustração do que anda acontecendo em muitas igrejas ditas "evangélicas":

Hoje trago a vocês uma história que aconteceu comigo há uns 5 anos.Pasmem, mas fui criado em um lar cristão,já fui santo, mas depois que sai da minha cidade natal para trabalhar descobri um outro mundo, nem pior nem melhor, mas alterantivo, fora da igreja. Houve uma época , logo que passei no vestibular, em que eu estava numa m..., é merda mesmo, pois sem patrocínio algum só com o meu salário, senti o peso das mensalidade e aluguel no bolso. Era hora de recorrer aos poderes divinos para tirar a corda do meu pescoço.
Então lembrei que havia uma igreja da denominação que eu frequentava quando mais jovem no bairro onde eu moro atualmente.Imaginei que a programação entre as igrejas devia ser a mesma, logo eu deveria ir na quinta-feira pois era a noite da benção financeira, ou algo do gênero.Me arrumei bem bonitinho, cabelo com gel bem arrumadinho, hoje nem sei onde esta o pente, peguei a minha farrapa carteira com os últimos R$ 50,00 que sobraram do massacre das contas e o qual eu deveria passar o mês inteiro.Mas como a esperança é a última que morre, mas morre... fiz um pensamento positivo que iria receber uma benção tão grande naquela noite que a famigerada onça iria sofre uma metamorfose e virar duas, três, quatro... uma mala de garoupas !UHUUULLL!!!!

Cheguei cedo na igreja, procurei um lugar próximo ao centro, sim pois eu me lembrava que na frente sentavam sempre os mais fanáticos e neuróticos e atrás os endomoiados, os bagunceiros, os atrasados e mais um pouco de neuróticos.Logo os aceclas do pastor vieram me cumprimentar e sondar-me para saber quem eu era, dei respostas vagas, pois se soubessem que eu era filho de pastor e tecladista...Jesus iriam pedir que eu pregasse naquela noite e tocasse um hino para alegrar a galera, mas eu só queria saber da multiplicação da oncinha!

No decorrer da noite chegou a hora dos desesperados e aquele pessoal que senta nos últimos bancos da igreja irem até a frente do altar para receber as orações e imposição das mãos por parte do pastor e da equipe dele.

Eu fui, claro, pois escutei as palavras multiplicação, prosperidade e finanças, e lá estava eu, um dos primeiros bem na frente! Fechei os olhos e comecei a orar,Deus me ajuda,Deus me ajuda,Deus me ajuda, também é uma oração, recebi a imposição de mãos sobre a minha cabeça, abri os olhos e virei para voltar para o meu lugar...Meu pai do céu!De onde surgiu todo este povo???? Era impossível voltar ! E como o pastor havia iniciado mais uma rodada de oração em prol dos desesperados na parte amorosa resolvi ficar, fechei os olhos e comecei a minha oração de novo, a mesma Deus me ajuda.

A hora da benção já havia acabado e eu ainda não conseguia voltar para o meu lugar, fui indo aos poucos e procurei um caminho "alternativo" para voltar ao meu lugar, no corredor que havia entre os bancos e as paredes da igreja .Como sou esperto, nem tanto, pois o pastor anunciou no microfone que havia uma última benção:

-"Irmãos, hoje estaremos fazendo a campanha da flâmula sagrada para Deus abençoar a sua casa e família!Façam uma fila do lado esquerdo e venham pelo corredor receber a benção e pegar a sua flâmula!Irmãos para receber a sua flâmula (uma bandeirola de feltro bordo com o salmo 91), estamos pedindo uma oferta volutária mínima de R$ 10,00" - não lembro ao certo das palavras dele, mas lembro do preço da flâmula e deste novo contexto de "oferta voluntária".

PQP!!! Advinhem aonde é que o lerdo aqui estava ? Bem no corredor esquerdo , tentando ainda voltar para o meu banco ! Lógico que não consegui voltar pois tive que entrar na fila para receber a benção e pagar pela flâmula.Foi só o que restou a fazer com 200 pessoas em fila num corredor apertado e eu na contra mão!

Lá foi este fervoroso alteradinho receber mais uma oração.Recebi a oração passando por um corredor humano formado pelo povo que senta nos bancos da frente, eu não disse que na frente sentam os fanáticos e neuróticos, saindo de dentro deste corredor havia uma senhora que segurava uma bandeja de inox com as flâmulas uma sobre as outras e outra senhorinha com cara de brava que cobrava a "oferta voluntária" e anotava o nome de cada um num caderno de orações.Passei pela flâmula sem nem olhar para ela, até que um senhor veio e me puxou pelo braço com leveza me apontando para a bandeja com as flâmulas.

Me ferrei !!!Logo pensei vendo o sorriso da senhora com a bandeja com as flâmulas para mim.Me levaram até a metade do corredor de novo, recebi mais uma oração, passei pela flâmula peguei uma, ainda me perguntaram se eu eu não queria presentear alguém com mais uma, lógico que não, talvez depois de ver a minha onça virar um monte de garoupas eu pdoeria fazer uma oferta maior para a igreja.

Na hora de pagar entreguei o meu último puto tostão no bolso para a senhora com cara de poucos amigos , ela rapidamente pegou o dinheiro anotou o meu nome e desandou a cantar de olhos fechados junto com o grupo gospel que se apresentava naquela noite enquanto a fila indiana de desesperados passava pelo corredor.E eu fiquei ali parado na frente dela esperando meus R$40,00, nesta altura do campeonato a fila já estava parada por minha causa, lembram que me levaram de volta ao corredor humano.

A velha parecia ser uma vitrola , só cantava de olhos fechados e toda vez que procurava chamar atenção dela para pedir o meu troco, mais alto ela cantava, e a fila parada. Foi então que dois homens que terminavam o corredor humano , sairam e vieram a minha direção e colocaram a mão na minha cabeça e fizeram mais duas orações fervorosas, até que um deles falou próximo ao meu ouvido: o irmão pode sentar, pois já recebeu a sua benção!

Ok, entendi o recado, Deus não tinha troco para R$ 50,00 e já vislumbrava mais um mês de perrengue! E foi exatamente o que aconteceu !
Pois é, minha gente! Agora, um conselho para quem é "evangélico": é bom levar dinheiro trocado na igreja, porque o seu "deus" não tem troco...

Como diz um amigo meu, é foda!

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16 de out de 2009

Reflexão sobre Diaconia

Este é o esquema da Reflexão Bíblico-Teológica que apresentei na Oficina Regional do Serviço Anglicano de Desenvolvimento (2008)  e também no Concílio da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro (2009).

1. Etimologia
Dia (gr) = Divisão / Diakonia (gr) = partilha / Diácono = aquele que serve a partilha.

2. O que é Diaconia na Igreja
2.1 – é serviço à comunidade: serviço ao povo de Deus. Toda ação diaconal da Comunidade tem de atender aos fiéis, de acordo com as suas necessidades (partilha). => Expressão e construção da Koinonia.
2.2 – é serviço ao mundo: como sinal e símbolo (testemunho – martiria) da ação gratuita e graciosa do amor de Deus. => Ação Social.
2.3 – é serviço aos pobres e necessitados: como testemunho da graça libertadora de Deus em Cristo Jesus. => Serviço Social

Ação Diaconal é uma atitude fruto da piedade e da espiritualidade.
Inspira a Ação Social e não se limita ao Serviço Social

Veja algumas Referências Bíblicas (há muitas): Mateus. 14.13-21; Marcos. 6.30-44; Marcos 14.7; Lucas 4.18; Lucas. 9.10-17; João 6.1-15; João 12. 8; Atos 6. 1-7;
 
3. Igreja e Diaconia

      IGREJA = Koinonia, Diakonia, Martiria (Comunhão, Partilha, Testemunho)   >>> expressa-se na Liturgia
      IGREJA = Comunhão de serviço e testemunho – sinal da Presença de Deus no mundo.

Assim, a Diaconia :
    a) é inerente ao SER da Igreja
    b) é componente da MISSÃO da Igreja
    c) é Evangelização (mas não é evangelismo)
    d) está implícita na Liturgia >> ofertas e despedida


PONTOS PARA REFLEXÃO:

1. A Ação Diaconal de uma comunidade deve ser iniciativa fruto da espiritualidade e não uma maneira de “fazer a igreja aparecer”; mas a Graça de Deus em resposta à iniciativa da comunidade em servir em nome de Jesus dará o incremento.

2. A Ação Diaconal de uma comunidade não deve ser restrita ao serviço social. Clubes de Serviço (Rotary, Lions), Organizações Não Governamentais e o próprio Estado fazem isso melhor e de forma mais eficaz. A Ação Diaconal deve ser um testemunho do amor de Deus para com as pessoas.

3. A Ação Diaconal de uma comunidade não deve ser pensada como um “projeto para receber verbas”; mas quando se trata de um projeto sério, bem gerido e planejado, as parcerias de apoio e cooperação surgirão no devido tempo, pela ação do Espírito Santo de Deus.

4. A primeira Ação Diaconal deve ser em atendimento à própria comunidade dos fiéis:
    a) Quais famílias da comunidade passam necessidades? Que necessidades? Como podemos ajudar?
      b) Há desempregados na comunidade? Como podemos ajudar?
    c) Há uma situação de emergência que atingiu alguém ou algumas famílias da comunidade? Como podermos ajudar?
      d) Há doentes na comunidade? Como podemos ajudar além da oração e da visitação?

5. A Ação Diaconal de uma comunidade deve se expressar também pela postura cidadã de seus membros (Ação Social) = inserção no mundo, serviço ao mundo, testemunho.

6. Um projeto de Ação Diaconal deve:
    a) identificar as necessidades do local onde a Igreja está (qual a realidade ?);
    b) ser uma resposta às necessidades de forma a promover o desenvolvimento pleno da população alvo (o que precisa ser feito?)
    c) reconhecer as capacidades e incapacidades da comunidade (o que temos condições de fazer? e o que não temos condições de fazer?);
    d) ser um serviço de acordo com as capacidades da comunidade (o que vamos fazer?)
    e) definir as ações, e os critérios de parceria e as contrapartidas (como vamos fazer?).

7. Duas perguntas sutis: mantemos a infra-estrutura da comunidade com as coletas dos cultos ou com as contribuições regulares e outras rendas? Não seriam as ofertas, depositadas na salva, uma dádiva que - colocada sobre o Altar - deveria ser utilizada para o SERVIÇO  em nome do Senhor e não para a manutenção da infra-estrutura? Afinal, o Senhor precisa de alguma infra-estrutura? ou somos nós quem precisamos dela.?

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10 de out de 2009

Símbolos Religiosos em repartições e locais públicos

O assunto tem levantado polêmica, mas quero dizer logo de cara, que sou plenamente favorável à proposta do Ministério Público de São Paulo em retirar os símbolos religiosos nos escritórios, auditórios, salas, de organizações do Estado.

O Estado Brasileiro é laico por definição constitucional, significando é um Estado não-confessional; a nossa Constituição garante liberdade de culto em nosso país. Por isso, a permanência de símbolos religiosos de uma só religião, ou melhor, de um subgrupo de uma só religião, é uma contradição!

Sim, porque os símbolos que hoje aparecem são cristãos, ou melhor dizendo, católico-romanos. Não me refiro apenas à imagem de Cristo Crucificado, que é caro a vários segmentos cristãos (por exemplo, algumas comunidades anglicanas e luteranas usam o crucifixo em seus altares). O uso de uma cruz vazia teria o mesmo significado: a afirmação de que aquele "órgão público" é cristão.

Quero incorporar aqui a declaração de Frei Demetrius dos Santos Silva, publicada no jornal Folha de São Paulo em 09 de agosto passado, porque concordo em tudo com o que ele disse:
“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas. Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas...
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte...
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados...
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais,onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento...
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.”
O pior é a alegação de que estes símbolos religiosos evocam a "natureza pacífica" e os "valores morais" do povo brasileiro. O Congresso Brasileiro falar em "valores morais"??? é muita cara de pau! especialmente quando a posição é assumida por "bancadas", que são exatamente isso: bancas de venda de votos!

Quero ir mais além nessa questão. Acho muito estranho existirem pelo Brasil ruas e praças com nomes de santos católicos, ou datas católicas, assim como monumentos à Bíblia (que devem ser conservados com dinheiro público). 

Os que se auto denominam "evangélicos" de Salvador, por exemplo, manifestam publicamente sua contrariedade à existência de figuras de Orixás no Abaeté (claro que há exceções; há evangélicos e "evangélicos"), mas ficam orgulhosos da Praça da Bíblia, com monumento e tudo, cuja manutenção recai sobre os cofres municipais. E há praças e monumentos à Bíblia em grande parte dos municípios brasileiros. Aqui em Vitória, a imagem de Iemanjá no Pier, ao início da Praia do Camburí, "incomoda" a quase maioria evangélica da população. Mas é claro que aqui também há uma praça e um monumento à Bíblia.

  Não conheço nenhuma praça ou rua, neste Brasil imenso, com o nome de Muhamad - o Profeta, ou de Saladino - herói mulçumano que liquidou com o Reino dos Francos em Jerusalém; nenhuma praça dedicada ao Corão ou à Torá. Porque não temos Avenida Baha'i? Ou Largo de Krishna? ou Parque Siddharta Gautama? Pode ser até que exista aqui ou acolá, mas eu não conheço; e se existir é uma exceção à regra e deve provocar protestos imensos dos "evangélicos".

Alegar que o povo brasileiro é majoritariamente cristão é um contra-senso; mais contra-senso é afirmar que nosso povo é majoritariamente católico-romano (pode ser nominal, mas confessional não!). Se a questão é "maioria", então em Salvador - por exemplo - os órgãos públicos, ao menos os municipais, deveriam adotar figuras dos Orixás, não só no Abaeté...

Acho que é hora de acabar com isso. O Brasil todo imitou o Governo do Estado de São Paulo na idiotice de proibir o fumo em lugares públicos (em ambientes fechados, tudo bem). Se a proposta do Ministério Público de São Paulo for adiante e retirarem os símbolos religiosos das repartições públicas, tomara que o Brasil todo imite essa iniciativa paulista também.

Resta ainda discutir a questão dos feriados religiosos... isso será assunto em futuro artigo.
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7 de out de 2009

Jonathan Myrick Daniels - Seminarista e Mártir

Jonathan Myrick Daniels nasceu em 20 de março de 1939 e morreu em 20 de agosto de 1965. Era seminarista da Igreja Episcopal dos Estados Unidos.

Jonathan foi assassinado por seu trabalho no Movimento Americano pelos Direitos Civis, pois atendeu à convocação feita pelo Rev. Dr. Martin Luther King. Sua morte fortaleceu o apoio da Igreja Episcopal ao Movimento pelos Direitos Civis.


Foi incluído como mártir no calendário Episcopal em 1991 e sua Memória é celebrada em 14 de Agosto.

Se você lê inglês, conheça mais sobre o Jonathan: Lectionary/Jonathan Daniels

No Orkut há uma comunidade em sua Memória: Jonathan Myrick Daniels


6 de out de 2009

Estaremos prontos para 2016?

Eu sugiro que vc participe dessa campanha da AVAAZ:

Caros amigos brasileiros,

Sexta−feira passada foi um dia histórico para o Brasil. As olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro representam uma oportunidade única para mostrar ao mundo nossa alegria, beleza e talento – o Brasil será o centro das atenções do mundo inteiro.

23 de set de 2009

Simpósio corajoso!

A Paróquia do Bom Pastor, em Salvador (Pituba), em parceria com a Igreja Batista Nazareth, Igreja Presbiteriana da Aliança e outras organizações, dá um passo a frente, contribuindo para a reflexão sobre sexualidade e cultura, desafio para a Igreja em termos pastorais, diaconais e missiológicos!

19 de set de 2009

Os donos da verdade e a Verdade

Todos nós conhecemos pessoas que se acham “donas da verdade”. Elas estão por ai: na escola, no ambiente de trabalho, aparecem aos montes pela mídia, e – o que é pior – até na Igreja tem gente assim!

São aquelas pessoas para as quais quem pensa diferente delas, está errado. Só elas estão certas, só suas idéias são as corretas, só sua maneira de agir é que serve. Isso fica pior quando se trata do assunto “religião”.

Porque a experiência religiosa é algo muito pessoal, algo muito íntimo.

Imagine que eu te dê algo para comer, e te diga: “tem gosto de laranja”. Se você conhece o gosto da laranja, tudo bem, vai entender e até já imagina o sabor. Mas tente explicar para alguém que nunca viu ou provou uma laranja qual é o gosto da laranja.

Tente dizer: é meio azedo! O outro pergunta “meio azedo como o limão?” Você vai dizer, “depende, tem umas que são, mas outras são doces”... Ou seja, você só poderá explicar o sabor da laranja por semelhanças, por aproximações. O melhor mesmo é dar uma laranja ao outro, para que ele prove. E, para que ele possa realmente conhecer o sabor de laranja, terá de provar várias, de várias qualidades: as mais doces, as mais azedas... até que ele tenha em sua mente o conceito claro do sabor da laranja.

Assim é a experiência da fé e a opção por uma Comunidade de Fé. Quem teve sua experiência com Deus sabe que jamais poderá contar como ela foi, apenas pode falar sobre ela, pode usar aproximações : “uma experiência maravilhosa”, “uma sensação enorme de felicidade”, e assim por diante. A experiência com Deus é algo muito pessoal, muito íntimo... quem a teve, compreende quando outra pessoa fala sobre isso.

Mas jamais alguém poderá dizer que “minha experiência com Deus foi melhor que a tua” , assim como dizer que “quem não viveu exatamente a mesma coisa que eu, não encontrou a Deus ainda”. Quem disser isso apenas está comprovando que jamais teve uma experiência com Deus. Viveu lá uma emoção qualquer, mas um encontro com o Senhor, isso com certeza não!

Sabe por que?

Porque o Senhor sabe que somos diferentes (ele nos criou como indivíduos particulares) e conhece cada um de nós melhor que nós mesmos. Só Ele sabe como atingir a cada pessoa no coração e na mente. Aquilo que para mim foi um grande sinal do amor de Deus, talvez para você seja desapercebido ou mesmo algo meio “bobo”.

Conheço alguém que se converteu quando, caminhando pelo centro de São Paulo, em meio ao concreto e o asfalto, viu uma flor brotando de uma fresta num muro. Essa pessoa me contou que naquele momento sentiu uma paz profunda e conseguiu entender o amor de Deus: “é como essa flor, no meio de tanta pedra e concreto, ela desponta ... Deus sempre encontra uma brecha para mostrar seu amor...” Muita gente passou por aquela flor, mas nem a percebeu... Eu mesmo me surpreendi quando essa pessoa me procurou para dizer-me “Pastor, uma florzinha me convenceu do amor de Deus... quero agora estudar mais a Bíblia e me tornar um verdadeiro cristão...” e me contou essa história. Hoje, essa pessoa é ministro ordenado de uma Igreja! E têm um belo ministério.

Por isso, é muito triste quando a gente vê, na Igreja, pessoas dizendo que uma outra não tem Deus no coração porque ora de olhos abertos, ou não inclina a cabeça... ou porque usa roupa de certa cor, ou porque não gosta de certos corinhos do grupo de louvor...

Pior ainda é quando as pessoas dizem que tal Igreja não é verdadeira porque é diferente da sua... criticam negativamente outras Igrejas sem conhecerem sua História, sua Tradição... detestam a diferença!

Leia Marcos 9.38-41 e também João 10,14-16. E reflita: é correto pensar que o diferente de mim não é amado por Deus? é correto pensar que Igrejas diferentes da minha não conhecem a salvação? será que para ovelhas estarem no mesmo rebanho têm de ser todas iguais, como se uma fosse clone da outra?

Tem gente por ai querendo que a Igreja seja uma enorme comunidade de clones... por isso é tão intolerante. São “donos da verdade”, mas será que conhecem a Verdade?
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18 de set de 2009

Perguntas... perguntas...

Quem sabe como será o nosso futuro?
Sabe como será o nosso futuro?
Como será o nosso futuro?
Será o nosso futuro?
O nosso futuro?
Nosso futuro?
Futuro?
?

?
Futuro?
Nosso futuro?
O nosso futuro?
Será o nosso futuro?
Como será o nosso futuro?
Sabe como será o nosso futuro?
Quem sabe como será o nosso futuro?
Luiz Caetano, março, 2004.
[infelizmente, os recursos de edição do Blogger não permitem que esteja na formatação original - ou então eu não sei usar essa coisa aqui! - mas consegui chegar perto do que eu havia bolado... ]
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14 de set de 2009

Onze de Setembro!

Uma data para não ser esquecida! Um crime contra a liberdade e a democracia!

Não, não estou falando de Nova York! Estou falando de Santiago do Chile! O 11 de Setembro de Nova York não nos deixarão esquecer! a mídia se encarrega disso a cada ano, justificando o injustificável: a agressão ao povo iraquiano!

Mas do 11 de Setembro de Santiago do Chile, ninguém fala mais... afinal, e com razão, não precisamos ser lembrados que a CIA faz o que quer na América Latina, Latrina da América!

Para você recordar comigo, veja o vídeo no link abaixo (pode clicar, não é sacanagem!):
Pouco mais de três mil pessoas morreram dia 11 de Setembro em Nova York! Muitas mais morreram no Iraque, têm morrido na Palestina. Em outro 11 de Setembro, um pais inteiro foi morto em sua liberdade, em sua decisão democrática, e nos dias seguintes, brasileiros, bolivianos, argentinos, peruanos, e muitos outros que estavam no Chile ajudando a construir a opção democrática pelo socialismo, morreram assassinados a sangue frio num estádio de futebol, e nos porões dos quartéis...
Perdi vários amigos em Santiago, jovens brasileiros que, como eu à época, acreditavam em um outro mundo, em uma outra concepção de justiça. Muitos eram cristãos, e estavam engajados em cumprir a missão da vivência concreta do Evangelho, ajudando a construir uma nova sociedade no Chile, então um oásis de democracia em todo um continente subjugado pelos coturnos militares a serviço do capital internacional.
Quando você pensar nos mortos pelo terrorismo internacional lembre-se também dos chilenos, e de milhares de inocentes na América Latina, no Iraque, no Vietnan, (onde não os há?) assassinados pelo terrorismo internacional dos Estados Unidos da América e de outras potencias, alegando agir em defesa da "democracia, dos valores cristãos, da liberdade", desde que seja do interesse das elites econômicas do mundo todo.
Os sonhos já não mais existem; a vida me mostrou que não tem sentido nem há possibilidade de mudar essa realidade no pouco tempo de vida que aida tenho. Resta a esperança escatológica de que um dia haverá novo céu e nova terra. Escatológica porque eu não verei isso, e provavelmente você também, meu caro leitor!
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21 de mai de 2009

Responsabilidade cidadã

Está correndo pela Internet uma campanha interessante, mas que exige de todos nós uma reflexão séria:

A desmoralização do Congresso Nacional é enorme! A mídia, por sua vez, colabora com isso, à medida em que dá destaque às mazelas...

20 de mai de 2009

A Gripe

Tenho refletido sobre a tal "gripe suína", cujo nome foi mudado para H1V1. Há algumas coisas estranhas sobre essa gripe, e embora eu não seja um especialista em Biologia, Genética ou Nano-biologia, quero partilhar algumas preocupações e indagações que ficam perambulando pela minha mente:

27 de abr de 2009

A Disciplina do Arcano

A palavra arcano significa sigilo, segredo. Para nós, cristãos ocidentais, frutos da Cristandade, do Protestantismo e da Modernidade, culturalmente secularizados, falar em Disciplina do Arcano pode parecer fora de contexto e contraditório com nossa formação iluminista, além de levantar suspeitas a partir de nossa ideologia liberal democrática de transparência e liberdade de informação e de expressão. Todavia, a Disciplina do Arcano foi fundamental para a sobrevivência da Igreja Antiga.

A exortação de Jesus, “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando, vos dilacerem” (Mateus 7.6), pode ter sido uma tradição já advinda dessa disciplina ou então tê-la inspirado. O fato é que, na Igreja dos Pais e dos Mártires, havia a regra de ocultar a doutrina cristã e as cerimonias litúrgicas aos que não fossem batizados. Uma cautela para preservar a fé e o kerigma de uma contaminação maior pelos cultos pagãos e pelas escolas filosóficas do mundo helenista, e também para preservar essa mesma fé de interpretações imediatistas dos catecúmenos, ainda mais impressionados pela experiência da conversão que pela reflexão e compreensão da doutrina, à qual eram introduzidos paulatinamente pelo processo catequético, de grande duração no tempo[1]. A Disciplina do Arcano também servia como segurança contra as perseguições do Império. Essa disciplina vigorou até o século VI, mesmo depois do “triunfo do cristianismo”, ou seja, do surgimento da Cristandade.

Mas há um aspecto importante nesse cuidado. Os primeiros pensadores cristãos, alguns contemporâneos dos Apóstolos, logo perceberam que o conteúdo do kerigma trazia em si algo inusitado e surpreendente, de bastante dificuldade de compreensão no mundo helenista. De certa forma, a Igreja dos Pais percebeu que falava sobre o indizível, os mistérios de Deus revelados em Jesus Cristo[2] , que pressupunham uma vivência especial, uma experiência com Deus.

Foi necessário desenvolver uma linguagem e uma semântica simbólica, geralmente apropriando-se de símbolos judáicos e pagãos, mudando seu sentido e significado, reinterpretando-os a partir do Evangelho, a Boa Nova revelada em Jesus Cristo[3]. Isso se reflete nos primórdios da liturgia cristã, a incorporação de elementos simbólicos e rituais do judaísmo e de algumas religiões pagãs de mistério, como por exemplo água, pão e vinho, unções, gestos, etc.

Entretanto, a liturgia cristã, desde a Igreja Antiga, tem uma consciência de si mesma que a diferencia dos ritos pagãos e da magia. Os ritos cristãos não provocam efeitos, mas são posteriores, como afirmação do que Deus já havia feito. Ou seja, o rito cristão não provoca a Graça, mas afirma a ação anterior de Deus, ao dar a Graça. O rito cristão não é mágico nem é um absoluto em si mesmo; pelo contrário, é sempre uma manifestação de gratidão e adoração ao Deus amoroso que atua na vida e no mundo[4].

Ao contrário das religiões de mistério, o rito cristão é a afirmação simbólica da doutrina e não a sua realização mágica. Por isso, a liturgia cristã não é uma representação ou a realização mágica de um mistério, mas é a afirmação do mistério revelado!

Isso teve um significado ímpar no mundo helenista, cujo conteúdo religioso era demarcado pelas religiões de mistério e esoterismos[5]. Como resultado da pregação, a conversão a Jesus Cristo era entendida (e sempre o deve ser) como uma experiência sensível, muito além do convencimento racional pelos argumentos do pregador, experiência essa que provoca no converso a metanóia, mudança de rumo existencial e mudança de visão de mundo. A conversão sempre foi compreendida, essencialmente, como obra do Espírito Santo, e não resultado da capacidade humana de provar as próprias ideias. Converter-se é muito mais que convencer-se! Tornar-se cristão era navegar contra a corrente religiosa do helenismo, portanto, uma atitude incompreensível pela mentalidade daquele tempo.

A Disciplina do Arcano impediu que a fé cristã se tornasse mais um esoterismo, mais uma religião de elementos mágicos, impossível de ser moeda de troca ou de personalismos[6], bem como de promover modificações doutrinárias e éticas para agradar as multidões e atrair novos prosélitos.

A Disciplina do Arcano impediu a Igreja de cair na tentação do crescimento rápido e desordenado! Faz falta hoje ...

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[1] Fontes antigas informam que havia igrejas onde a catequese durava de três a quatro anos; em outras, o tempo poderia ser menor, mas era sempre uma exigência antes de realizar-se o Batismo e assim inserir o catecúmeno na Comunidade de Fé.

[2] Ao contrário das antigas religiões de mistério, que cultuavam o que estava oculto e dependiam de ritos mágicos para entendê-lo, os cristãos interpretaram a palavra mysteron como o oculto presente que se revela. Usava-se essa palavra apenas para indicar aquilo que, estando oculto, fechado, encerrado, pode ser revelado, aberto, descerrado. Mysterion é, pois, aquilo que, estando oculto, é revelado, isto é, torna-se compreendido... mas não necessariamente explicado! Está aí, mas nem todos o enxergam, porque não podem ver através ou além do véu... Por isso falamos em “mistério” na liturgia e no ensino cristão. Mistério tem a ver com aquilo que Deus é, faz e revela. O mistério precisa do símbolo: não temos palavras para dizer o que é, mas somos capazes de perceber, sentir, experimentar, contemplar... ver além do véu! por isso, se celebra junto!

[3] Surge assim a iconografia cristã, que vai se tornar um campo da História da Arte.

[4] Para aprofundamento, veja-se meu artigo: Introdução à Liturgia Cristã. In: Inclusividade – Revista de Teologia do Centro de Estudos Anglicanos, Ano II nº. 6, Novembro 2003.

[5] Mutatis mutantis, essa é hoje uma das características da pós-modernidade: a busca pelo imediatismo mágico-religioso.

[6] Um exemplo disso, no Novo Testamento, mostrando a compreensão cristã sobre os dons de Deus, é a perícope onde o mago Simão tenta comprar de Pedro e João o poder da imposição das mãos (cf. Atos 8.14-25); trata-se de defender o as novas comunidades contra a interpretação mágica dos ritos cristãos e da errônea compreensão (gnóstica e esotérica) da Graça Divina.

24 de abr de 2009

O Kerygma Cristão

Nestes tempos de consumismo religioso, a pregação se tornou mera apresentação de um produto que pode ser consumido com muita facilidade, Jesus – já não mais referido como Cristo – um nome mágico que, quando invocado, realiza todos os sonhos de prosperidade (saúde, dinheiro, bens materiais, estabilidade financeira, harmonia familiar, etc.). O ensino e a catequese foram banidos em muitas comunidades, uma vez que o imediatismo comanda todas as ações dos “crentes”. Muitos “pregadores” e “pregadoras” não mais salientam a necessidade de conversão, de metanóia, mas insistem que basta cobrar a graça, exigir a graça, pressionar a Deus para que cumpra sua promessa. Diante de uma crença assim fundamentada, não há mais necessidade de ensino e catequese, nem mesmo de conversão (metanóia).

A palavra Kerygma[1] nos remete à pregação dos Apóstolos de Jesus, à pregação e ao anuncio da Boa Nova, inspirada pelo Espírito Santo desde Jerusalém. A partir da reflexão sobre o que ouviram e vivenciaram com Jesus, o Cristo, e iluminados pelo Espírito Santo, os discípulos e discípulas compreendem a ação salvífica de Deus e Sua ação na história de Israel e passam a anunciar essa boa nova resumindo a história da salvação, fazendo-a culminar na morte, ressurreição e ascensão de Jesus, o Cristo, e o estabelecimento do novo Israel.

É preciso ter claro que recebemos o kerygma através de textos produzidos após a morte daqueles que primeiro o anunciaram, ou seja, a partir de uma elaboração mais sistemática e final que já expressa a fé das primeiras comunidades cristãs. Mas é exatamente por isso, por apresentar a fé das comunidades cristãs primitivas, que o kerygma, tal como hoje o recebemos, se tornou o alicerce da Tradição Cristã.

É importante ressaltar que a ênfase do kerygma é a ação de Deus na história; o destaque é para os atos de Deus. Portanto, o kerygma é também o fundamento para o conceito de Missio Dei. A Igreja Primitiva tinha bem claro que é Deus quem toma a iniciativa da Missão de Salvação, e a realiza com a Igreja, através do Espírito Santo, sem necessitar do jogo de marketing que hoje anima grande parte dos missiólogos e missionários.

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[1] Palavra grega que significa "proclamação", sua raiz vem de Kerix, o mensageiro, aquele que traz a boa notícia. Por isso se dá o nome de kerygma ao anúncio do Evangelho (cf., p.ex., Atos 2.14-36; Atos 3.11-26; Atos 7.1-53 e outros) Do grego kérygma: mensagem, pregação, proclamação. Mais tarde passou a designar a pregação da Igreja a respeito de Jesus, sendo hoje um termo técnico na exegese bíblica do N.T.

22 de abr de 2009

Missão e Crescimento da Igreja: o conceito de Missio Dei

O conceito de "Missio Dei" tem sido o fundamento para a reflexão anglicana sobre a missão da Igreja. Trata-se de uma abordagem não eclesiológica de Missão, mas escatológica. Não determina "como a Igreja deve ser", nem "o que ela deve fazer". Esse conceito procura perceber a ação de Deus na História, ou seja, pressupõe uma perspectiva cristã da História.

Em Cristo, Deus está em missão. A missão é de Deus, a Ele pertence, é Ele quem age através do Espírito Santo. Portanto, é na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja que vamos encontrar os parâmetros fundamentais da nossa Missão, que está sempre inserida na Missão de Deus.

Resumindo, Deus atua também através da ação evangelizadora da Sua Igreja - aqui entendida como a comunidade eclesial, não a instituição eclesiástica. Ou seja, cada cristão e cada cristã são cooperadores de Deus em Sua missão.
Por isso, é importante diferenciar "Evangelização" de "Evangelismo". Esses dois conceitos são distintos, embora, hoje em dia - no universo evangélico do Brasil - muita gente trata os dois conceitos como sinônimos.

Evangelização é a presença da Igreja no mundo, como sinal (sacramentum) e testemunha (martyria) da ação de Deus - em Jesus Cristo - na História, guiada pelo Espírito Santo. O conceito de Evangelização deixa claro que a ação da Igreja não é, simplesmente promover seu próprio crescimento institucional ou eclesial. Implica que a Igreja é, ela mesma, resultado da ação de Deus; por isso, deve estar envolvida e engajada em todos os aspectos da realidade, inserida na vida e na história, promovendo a vida em abundância, pois é sinal da presença d'Aquele que veio para que todos tenham vida e vida em plenitude (cf. João 10.10b).

Portanto, a ação de evangelizar não é só proclamar a Boa Nova, mas atuar no mundo à luz do Evangelho. Cada cristão e cada cristã atua, fortalecido pela graça, na Missio Dei através da evangelização, inserido-se, como cidadão e cidadã responsável, no mundo onde "há muita força que produz a morte", no dizer de uma canção de louvor dos anos 80 (Momento Novo). Essa inserção no mundo significa tomada de posição diante da realidade, a partir dos valores do Reino.

Cada um de nós, cristãos, é cooperador na Missio Dei (Missão de Deus), através das ações, posições e coerência com os valores do Reino que anunciamos. Evangelizar não é sair do mundo, mas - guardados do mal pelo poder de Deus - é estar presente no mundo. É crer que o mundo é redimido pelo sacrifício de Jesus Cristo, e anunciar isso através da prática coerente com os valores do Reino; é acreditar que, exatamente por causa dessa redenção, um outro mundo é possível e posicionar-se como agente de transformação. (cf. João 17.11-18)

Evangelismo é o simples ato de fazer proselitismo, buscar conversões, fomentar o crescimento da Igreja quanto à sua membresia. O evangelismo implica em usar estratégias de convencimento imediato e táticas de propaganda. O objetivo é, quase sempre, retirar a pessoa do mundo para colocá-la na Igreja, "protegendo-a do mal" e alienando-a da realidade social que a cerca.

Assim, com tal visão de missão, a Igreja deixa de ser a comunidade de anúncio e testemunho - deixa de ser sacramento, proclamação e martírio para se tornar a comunidade dos ausentes, dos auto-excluídos.

A Comunhão Anglicana entende que a Missão tem cinco características:
  1. Proclamar as Boas Novas do Reino de Deus, através da pregação da Palavra, o testemunho do amor salvador e reconciliador de Cristo para com todas as pessoas, através de atos concretos que se incorporem aos propósitos de Deus;
  2. Batizar, ensinar, nutrir e apoiar os novos cristãos, através de comunidades de fé que procuram ser acolhedoras, não excludentes, celebrativas e transformadoras das relações humanas;
  3. Responder às necessidades do próximo com o serviço amoroso, e desinteressado, em solidariedade e compromisso com os mais pobres e necessitados, em ação diaconal, sem exigir ou esperar que eles necessariamente se incorporem à Igreja;
  4. Buscar a transformação das estruturas injustas da sociedade, exercendo a vocação profética, vigilante contra toda injustiça e denunciando-as, bem como a toda forma de opressão, exclusão e violência;
  5. Proteger a integridade da Criação, cuidando do meio ambiente e promovendo todas as formas de vida no planeta, em cooperação com outros grupos onde se possa identificar o agir de Deus.
Eu estou seguro que o real crescimento da Igreja não é decorrente da propaganda e estratégias de convencimento ou do carisma pessoal de determinado pregador. Crescimento da Igreja não significa aumento de clientela! Fazer a Igreja crescer não é fazer proselitismo ou evangelismo. O crescimento da Igreja é obra do Espírito Santo, é resultado da Missio Dei.

Isso é bem claro no Novo Testamento: Jesus anunciou a Boa Nova do Reino, não buscou fazer prosélitos ou seguidores; os apóstolos anunciaram a Boa Notícia, faziam a boa obra e tinham plena consciência de que o incremento da comunidade era obra de Deus (Atos 2.42-47; Atos 5.42; Atos 14.27; 1 Coríntios 2.1-5; 1 Coríntios 3.6-9). O Apóstolo São Paulo não se identificava com aqueles que "estão mercadejando a Palavra de Deus" (cf. 2 Coríntios 2.14-17).

Creio ser da máxima importância que a Igreja em todos seus níveis institucionais reflita profundamente sobre o significado bíblico da Missão.

21 de abr de 2009

Fé e Tradição

A tentação do crescimento rápido a qualquer custo está hoje presente nas igrejas, talvez mais que nunca, conforme a ideologia individualista e consumista que caracteriza a pós-modernidade.

Nestes tempos de consumismo religioso, a pregação é mera apresentação de um produto que pode ser consumido com muita facilidade: Jesus – já não mais referido como Cristo – um nome mágico que, quando invocado, realiza todos os sonhos de prosperidade (saúde, dinheiro, bens materiais, estabilidade financeira, harmonia familiar, etc.). Não há ênfase na necessidade de conversão, de metanóia, mas cobrar a graça, exigir a graça, pressionar a Deus para que cumpra sua promessa. Diante de uma crença assim fundamentada, não há mais necessidade de ensino e catequese, nem mesmo de conversão (metanóia).

A religião se torna produto e há de se garantir o aumento permanente de consumidores. É a lógica capitalista de mercado e do resultado. O que importa é vender o produto! Por isso não há lugar para a tradição, pois o produto tem de atrair a atenção dos consumidores, e agradá-los. Isso vem ocorrendo rapidamente no seio de todas as Igrejas Cristãs, sejam Evangélicas, Protestantes e na Igreja Romana.

Além do próprio fenômeno ideológico, esse modo de pensar começa a ser institucionalmente justificado, em nome do sustento financeiro da Igreja e da “Missão”, bem como a garantia de seu futuro institucional. A necessidade de cobrir os custos institucionais força, de certa maneira, a busca pelo aumento da arrecadação; o crescimento do número de membros se torna chave nessa lógica, e tal crescimento se torna fim em si mesmo.

Não se trata de fervor missionário, embora muitos, de boa fé, assim entendem, mas de uma ideologia religiosa que chegou à Igreja ao final do século IV, com o advento da Cristandade; enfraqueceu e se fortaleceu durante a Idade Média e, na Modernidade; é reforçada sobremaneira pelos avivalismos do século XIX, fruto da reação, primeiro pietista e depois fundamentalista, à teologia crítica que começa ensaiar seus passos.

Tal ideologia religiosa ganha, ao final do século XX, sua configuração pós-moderna: a chamada teologia da prosperidade e suas variações. O resultado dessa ideologia é o abandono das práticas pastorais, da catequese doutrinária e bíblica, da educação cristã, da vida em comunidade, da espiritualidade e da liturgia, em troca do “louvor”, da pregação de resultados pelo imediatismo da “bênção” e da demonização do diferente, com ênfase fundamentalista.

Não há senso de congregação ou comunidade, mas sim multidão de indivíduos; não há conversão e metanóia, mas consumo do sagrado. Deixa de existir a ecclesia tou Theou para surgir, em seu lugar, a clientela da igreja, do pastor fulano, do missionário cicrano ou do apóstolo beltrano. Nas igrejas brasileiras do tempo presente, com raras exceções que só confirmam a regra, não mais importa afirmar a fidelidade a Deus, mas cobrar a fidelidade de Deus!

Rejeita-se a Tradição[1], erroneamente considerada como não bíblica. Tradição é o tesouro que uma geração recebe das anteriores, a utiliza como fundamento, fonte de reflexão e sentido de identidade, e a atualiza. Por sua vez, cada geração coloca sua contribuição na “arca do tesouro”, e assim a Tradição é sempre reinterpretada, enriquecida, renovada.

A Bíblia, em si mesma, é um mosaico de tradições de diferentes épocas e culturas e nem por isso deixamos de considerá-la como revelação sagrada, Palavra de Deus. Rejeitar simplesmente a Tradição como idéia e construção humana, porque não está no cânon bíblico [2] é considerar que o Espírito Santo não mais habita a Igreja e não inspira mais a percepção e a compreensão da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. É, de fato, negar o mistério de Pentecostes.

É preciso que os cristãos reassumam sua própria identidade, recordando pontos fundamentais da história de nossa fé e doutrina. No momento histórico em que vivemos, diante da diversidade religiosa da pós-modernidade, onde antigos conceitos de fé são tratados de maneira displicente, e vemos as Igrejas cada vez mais mergulhadas na ideologia do consumo religioso, é preciso registrar, relembrar e reafirmar com força e clareza – contextualizando sempre – os fundamentos da “Fé que vem dos nossos Pais”, para que ela – como sempre fez – “nos alente a estar de pé"[3].

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[1] Tradição vem do latim traditio, um bastão que – até hoje – é utilizado por equipes em competições de atletismo, nas corridas de revezamento. Cada atleta carrega o bastão durante a sua corrida e o passa para a mão do companheiro que prosseguirá a jornada.

[2] Devemos lembrar que a inclusão ou a exclusão de um texto na Bíblia (definição do cânon bíblico) foi uma decisão humana, seja ao final do século I através do concílio rabínico de Israel em Jamnia (AT), seja através das Igrejas Cristãs do século II (NT), reunidas em diferentes concílios até chegarem ao consenso, modificada depois pelos Reformadores os quais, em relação ao Antigo Testamento, acataram a decisão de Jamnia.

[3] Cf. Hino 268– Hinário Episcopal (1962) , A Fé que Professamos

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