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29 de jun. de 2015

Homoafetivos e Banqueiros.

Bandeira Homoafetiva

É público e notório o ódio às pessoas homo-afetivas esparramado por gente que se diz “cristã” e manipula a Bíblia para justificar esse preconceito que se torna ódio irracional.

Até há 60 anos atrás, nos Estados Unidos (já que a maioria dos brasileiros é fascinado por aquela nação) cristãos brancos exibiam descaradamente seu ódio às pessoas negras, fossem elas cristãs ou não. Claro, justificavam suas posições usando a Bíblia… De fato, a Bíblia pode justificar qualquer coisa  quando usada de má fé e de forma ignorante, aliás, como a ciência.

Há alguns anos, eu atuava como Secretário Regional do CLAI* para o Brasil, fui convidado para apresentar uma palestra em evento nacional de uma das igrejas membros do Conselho. O tema, até mesmo devido à minha função, era Relações Ecumênicas e Cooperação. Terminei a palestra, cerca de 25 minutos, e convidei ao plenário apresentar perguntas.  Para minha surpresa, recebi três perguntas por escrito, as três com o mesmo teor, que pode ser resumido assim: “Parece que a sua Igreja tem discutido o tema da homossexualidade, pode explicar como tem sido isso?”  Entendi, então, porque eu havia sido convidado e que o assunto preocupante para aquelas pessoas era a questão da homossexualidade na Igreja, e não necessariamente as relações ecumênicas...

Não fugi do assunto. Pelo contrário, expliquei que a Igreja Episcopal estava dando início à discussão sobre o tema de maneira pública, a exemplo do que vinha acontecendo em outras Igrejas da Comunhão Anglicana. Informei que a Igreja estava ainda em fase de debates teológicos sobre o tema, e ao mesmo tempo colhendo subsídios através de outros campos do conhecimento humano, mas que a discussão evoluiria até chegar ao nível das comunidades locais, as Dioceses e suas paróquias e missões; informei ainda que mais detalhes de como andam as discussões e documentos já produzidos poderiam ser obtidos com a Secretaria Geral da Igreja ou com o Centro de Estudos Anglicanos.

Seguiu-se então um tremendo debate. Muitos pastores se pronunciaram contrários, e alguns que eu sabia serem favoráveis temiam manifestar-se.  Eu apenas ouvia os comentários, distribuindo a palavra a quem pedia. Resolvi não me pronunciar porque percebi que aquele era um tema que estava criando possibilidades de divisão da Igreja. Mas eu não resisti comentar a fala de um jovem pastor que afirmou estar no início de seu ministério.

Demonstrando uma certa ira, ele esbravejou contra as pessoas homoafetivas, citando a bíblia a torto e a direito, especialmente pedaços de versículos, e reparei que ele estava usando uma versão da bíblia de péssima tradução, muito antiga e hoje em dia irrelevante.

Em certo momento ele afirmou categoricamente e apresentando até uma certa arrogância: “Eu jamais darei a Santa Ceia a um homossexual!”. Eu não resisti, o interrompi e larguei a pergunta:  “Você daria a Santa Ceia a um banqueiro?” . 

Ele respondeu que sim, se fosse um banqueiro cristão, claro que poderia receber a Ceia. Então eu respondi a ele:  “Interessante a tua postura pastoral e teológica. Você esbravejou versículos bíblicos fora de contexto, até mesmo modificou o sentido de alguns, para justificar que não daria a Ceia a uma pessoa homossexual. Todavia um banqueiro vive de usura, e a Bíblia, ai sim, está cheia de afirmações condenatórias da usura e do usurário. Então, eu não entendo teu critério de ler a bíblia.”

Acabei de dizer isso, o plenário explodiu em aplausos de pé e o rapaz se retirou cabisbaixo…

Pois é, caro leitor. E você, daria a comunhão, ou a tomaria ao lado de um banqueiro? Tomaria a comunhão das mãos de um pastor preconceituoso e semeador de ódio aos diferentes?

A quem, afinal, tu serves, ó cristão? ao preconceito ou ao Cristo?
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* CLAI – Conselho Latino-Americano de Igrejas.
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12 de nov. de 2011

Teste de percepção da natureza

Como este é um blog “politicamente pentelho”, as mulheres e as fêmeas das demais espécies que me desculpem, mas foi a natureza quem decidiu …

TESTE qual é a fêmea

A cara do cãozinho preto é quase humana!!! bem real!

(não sei quem é o autor da foto; catei de alguém no Facebook)

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31 de mai. de 2011

Sobre a Intolerância (religiosa, sexual, etc.)

Cosme e DamiãoTemos visto, recentemente, verdadeiros shows de intolerância frente à necessidade da sociedade brasileira adequar-se aos novos tempos e à percepção – cada vez maior – da diversidade humana.

Com efeito, cada vez mais se toma consciência que a sociedade humana – assim como toda a Criação – é de impressionante diversidade; fica quase impossível pensar-se em um “ser humano padrão”, se buscarmos padrões cartesianos. A diversidade se expressa em forma de cultura , etnia, língua, e em tudo aquilo que o ser humano cria e desenvolve com sua inteligência – e aqui me refiro inclusive às artes, às tecnologias e também às religiões.

Essa mesma diversidade percebemos em toda a Criação, o Jardim criado por Deus e entregue ao ser humano para ser cuidado; Jardim esse que o ser humano perdeu quando a cobiça de poder – o ser  igual a Deus! – tomou conta de seu coração (cf. Gênesis 2.4-3.24 – uma interessante narrativa mitológica explicando a origem do mal inserido no seio da humanidade).

Entre os seres vivos, desde os seres unicelulares até os grandes mamíferos (o ser humano entre eles) a diversidade biológica é imensa. O mundo mineral, o próprio universo, tanto o macrocosmo quanto o microcosmo é de uma riqueza imensa em diversidade.

Assim é que temos visto nos últimos dias, ou melhor dizendo, nos tempos recentes, comportamentos e atitudes totalmente contrários à diversidade, uma demonstração de intolerância que chega a ser blasfema quando invocada em nome de Deus, o mesmo Deus que fez da diversidade a marca da Criação! Pior ainda quando entre os intolerantes aparecem ditos cristãos, nós que anunciamos e cremos em Deus que, por sua própria natureza, é diversidade (TRINDADE!!!!!!).

Os intolerantes cristãos – sejam eles ditos evangélicos ou católicos – justificam-se usando e ab-usando do texto da Bíblia, catando aqui e ali versículos para atribuírem a si mesmos o poder de “falar em nome de Deus”.

No que se refere à intolerância religiosa, a Igreja de Roma sempre assim procedeu, haja visto a (nada) Santa Inquisição, embora os protestantes e os cristãos orientais também não sejam santinhos; quando o Protestantismo chegou à América Latina, colonizada católico-romana, muitos dos nossos templos foram queimados, destruídos, pastores perseguidos, e  - entre os episcopais, por exemplo – pessoas não podiam afirmar sua orientação religiosa sem colocar em risco seus empregos e a segurança de seus lares. Todavia hoje, os ditos “evangélicos” – a péssima herança deixada pelo Protestantismo nas terras Ameríndias – repetem o mesmo comportamento de intolerância para com as religiões de matriz africana e/ou indígena que insistem com muita fibra em permanecer na nossa sociedade.

Não vou ocupar espaço no servidor do blog falando da intolerância quanto à orientação sexual… é mais do que notório o preconceito e a intolerância para com pessoas cuja orientação sexual difere daquilo que os “puros” entendem como “padrão pela vontade de Deus”.

Interessante que a maioria dessas vozes intolerantes são profundamente tolerantes com a corrupção política, com a usura, com a injustiça e confundem a gananciosa e cruel prosperidade capitalista com “bênção” de Deus!!! O mesmo Deus que – ESTÁ ESCRITO – afirmou serem os pobres bem-aventurados, serem os pacificadores os herdeiros da terra, etc., etc., etc. Nesses casos não são fundamentalistas, pelo contrário, buscam exegeses que agridem o bom senso das pessoas  e os padrões das ciências hermenêuticas; mas quando se trata da religião diferente, da orientação sexual diferente, ou seja, de tudo que seja diferente do padrão moral por eles definido como “vontade de Deus”, então ai, o texto bíblico é assumido sem interpretações...  fundamentalismo de conveniência ideológica.

Assim vimos a vergonhosa aliança política no Congresso Brasileiro entre a bancada evangélica e a frente católica (aliança muito ecumênica por sinal – nessa hora é conveniente ser ecumênico), negociando com a situação o calar-se diante do caso Palocci em troca da permissão para a homofobia. Sabe-se lá o que rolou na questão do Código Florestal… e sabe-se lá que diabólicos acordos os parlamentares ditos “cristãos” não estão fazendo para manter o “direito” de ser intolerante e perseguir (segregar) os diferentes…

Convido vocês, que têm paciência em ler este blogue, a cerrar fileiras na intolerância: sejamos todos (e todas, vá lá)  intolerantes com os intolerantes.

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14 de out. de 2010

Evangélicos e Política: muito interessante!

É muito interessante que líderes evangélicos se envolvam em política exigindo dos candidatos à Presidência da República um compromisso sério de vetar leis favoráveis ao aborto e à união civil de pessoas do mesmo sexo.

Interessante porque os evangélicos sempre pautaram por “não se envolver em política”, que eles consideravam “coisa do mundo”. Pelo menos tal era atitude da maioria deles no tempo da ditadura… evitavam entrar em conflito com o Estado (de exceção) alegando que tal atitude seria mundana ou contrariava Romanos 13:1-7

De certa forma o conservadorismo estreito e fundamentalista é "ecumênico": católicos romanos e a maioria evangélica concordam sempre em posturas conservadoras e reacionárias!

Interessante perceber que a maioria fundamentalista,  estéricamente se posiciona contra o aborto e a homossexualidade, não move uma palha quando se trata de condenar a usura!!! A usura, condenada centenas de vezes na Escritura Sagrada, não merece nenhuma palavra profética da parte deles! Sobre a usura diz a Escritura:

“A teu irmão não emprestarás com juros, nem dinheiro, nem comida, nem qualquer coisa que se empreste com juros.” Deuteronômio 23:19

“O que aumenta os seus bens com usura e ganância ajunta-os para o que se compadece do pobre.”  Provérbios 28:8

“… emprestar com usura e receber juros, porventura, viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez e será morto; o seu sangue será sobre ele.”  Ezequiel 18:13

“Não lhe darás teu dinheiro com juros, nem lhe darás o teu mantimento por causa de lucro.” Levítico 25:37

“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor que impõe juros.” Êxodo 22:25

“Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo.” Levítico 25:36

Todavia, o que hoje se vê são as Igrejas ditas evangélicas praticando a usura abertamente!

Certa vez, estando eu ministrando uma palestra, um jovem pastor me interpelou violentamente dizendo que jamais daria a Ceia a um homossexual, citando as conhecidas passagens bíblicas usadas para condenar a homossexualidade. Eu perguntei a ele se daria a Ceia a um banqueiro, e diante da resposta afirmativa,  citei muitos versículos contra a usura… o plenário me aplaudiu e o jovem pastor se retirou dizendo que eu manipulava as Escrituras!!!

É uma pena que, por causa de gente reacionária, o segundo turno da eleição presidencial acontecerá sem debates realmente profundos sobre propostas para o futuro do Brasil. A eleição se polariza e as candidaturas buscam agradar o eleitorado fundamentalista… uma pena!

Antes que me perguntem, abro meu voto: no primeiro turno, marinei; no segundo, sou Dilma!

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10 de dez. de 2009

Ainda os Anglocatólicos...

Para entender a questão anglocatólica:

Após muita discussão sobre a questão da aceitação na Igreja Romana de pastores anglicanos, um blog anglicano gerou discussão no Reino Unido e nos EUA.

O The Beaker Folk of  Husborne Crawley chegou ao site da importante revista jesuíta America, dos EUA, e do jornal The Guardian  (anglicano) por postar um gráfico-resumo sobre como funcionará essa “transferência” assinada tanto por Bento XVI quanto pelo Arcebispo Rowan Williams, primaz da Igreja da Iglaterra (The Church of England), e símbolo da unidade na Comunhão Anglicana. ( de uma vez por todas, volto a dizer que NÃO EXISTE uma Igreja chamada "Anglicana"  em nível mundial)

De uma forma bem humorada, o autor tentou resumir a questão, publicando o gráfico dirigindo-se aos pastores anglicanos (anglocatólicos ou evangélicos) indecisos. Porém, ele teve que apagá-lo de seu blog, devido às reações. Diz ele:

Em vez de uma piada compartilhada com poucas pessoas que entendem o meu senso de humor e a minha ‘real’ visão sobre as coisas (eu espero), comecei a receber centenas de visitantes que não sabiam nada de mim. Alguns podem ter sentido uma ofensa profunda, e eu nunca quis causar isso”.
Muitos anglocatólicos – continua o autor – têm pela frente um tempo muito sério e perturbador. Um tempo em que suas crenças mais profundas sobre o que significa ser padre e sobre a função da Igreja serão mudadas. Em suas consciências, eles terão que contrabalançar seu chamado ao sacerdócio e suas crenças sobre a essência da Igreja com os potenciais sacrifícios de dinheiro e/ou do tempo mesmo que suas famílias poderão sofrer. Os anglicanos devem rezar por eles, concordando ou não.”
Mantendo o seu senso de humor, publico aqui uma versão do gráfico traduzida para o português:
(clique na figura para vê-la em tamanho ampliado)




Eu fiz as devidas correções, no texto,  às referencias sobre a Igreja da Inglaterra e a inexistente "Igreja Anglicana", uma forma errada de referir-se à Comunhão Anglicana
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2 de nov. de 2009

Hans Küng revela o que está realmente ocorrendo!

Eu acho que a grande jogada da Igreja de Roma em atrair os anglicanos descontentes tem muito mais a ver com geopolítica que com teologia. De certa forma, a Igreja de Roma precisa chamar a atenção do mundo, até porque tem perdido espaço (e gente) para outras confissões cristãs, além de prestígio internacional pelo retrógrado posicionamento que sempre toma diante das grandes questões do mundo contemporâneo - a sexualidade, biologia, etc. (que saudades de João XXIII...)

Por outro lado, SS Bento XVI não tem nem 10% da simpatia e empatia com a mídia que teve seu antecessor, o Papa João Paulo II, que - pelo menos - sabia ser um reacionário simpático!

O conhecido teólogo católico-romano Hans Küng se pronunciou a respeito da tentativa romana de desestabilizar a Comunhão Anglicana:

"Teólogo critica duramente ao papa e Vaticano contesta realidade de argumentos

Cidade do Vaticano, 28 out (EFE).- O teólogo dissidente Hans Küng criticou duramente seu antigo amigo Bento XVI por haver aberto as portas aos anglicanos, afirmando que se trata de "uma tragédia", provocando uma resposta do Vaticano que disse que as acusações estão "muito longe da realidade".

Küng, de 81, em artigo publicado hoje nos diários "The Guardian" (Reino Unido) e "La Repubblica" (Itália), intitulado "Esse papa que pesca nas águas da direita", afirmou que a decisão de Joseph Ratzinger de acolher na Igreja Católica a todos os anglicanos que o desejem é uma "tragédia".

Segundo o teólogo suíço, se trata de uma "tragédia" que se une "às já ocasionadas (por Bento XVI) aos judeus, aos muçulmanos, aos protestantes, aos católicos reformistas e agora à Comunhão Anglicana, que fica debilitada perante a astúcia vaticana".

"Tradicionalistas de todas as igrejas, unir-vos sob a cúpula de São Pedro. O Pescador de homens pesca, sobretudo na margem direita do lago, embora ali as águas sejam turvas", escreveu Küng que acusa o papa de querer restaurar "o império romano, em vez de uma Commonwealth de católicos".

Segundo Küng, "a fome de poder de Roma divide o cristianismo e danifica sua Igreja" e o atual arcebispo de Canterbury, o chefe da Igreja Anglicana, Rowan Williams, "não esteve à altura da astúcia vaticana".

Para o teólogo dissidente, as consequências da "estratégia" de Roma são três: "o enfraquecimento da Igreja Anglicana, a desorientação dos fiéis dessa confissão e a indignação do clero e o povo católico", que veem - diz - como se aceitam sacerdotes casados enquanto se insiste de maneira "teimosa" no celibato dos padres católicos.

O diretor do jornal vespertino vaticano "L'Osservatore Romano", Giovanni María Vian, respondeu hoje que "mais uma vez, uma decisão de Bento XVI volta a ser pintada com rasgos fortes, preconceituosos e, sobretudo, muito afastados da realidade".

"Infelizmente Küng faz outra das dele, antigo colega e amigo com quem o papa em 2005, só cinco meses após sua escolha, se reuniu, com amizade, para discutir as bases comuns éticas das religiões e a relação entre razão e fé", escreveu Vian.

O diretor do jornal assegurou que Küng voltou a criticar seu antigo companheiro na Universidade de Tübingen (Alemanha) "com aspereza e sem fundamento".

O gesto do papa, segundo Vian, tem como objetivo "reconstituir a unidade querida por Cristo e reconhece o longo e fatigante caminho ecumênico realizado neste sentido".

"Um caminho que vem distorcido e representado enfaticamente como se tratasse de uma astuta operação de poder político, naturalmente de extrema direita", acrescentou Vian, que ressaltou que "não vale a pena ressaltar as falsidades e as inexatidões" de Küng.

O representante vaticano criticou as acusações vertidas contra o líder da Igreja Anglicana e expressou sua "amargura" perante este "enésimo ataque à Igreja Católica Apostólica Romana e a seu indiscutível compromisso ecumênico.

No último dia 20, o Vaticano anunciou a disposição do papa a acolher na Igreja Católica todos os anglicanos que o desejem e a aprovação, com esse objetivo, de uma Constituição Apostólica (norma de máxima categoria) que prevê, entre outras, a ordenação de clérigos anglicanos já casados como sacerdotes católicos.

No mundo são cerca de 77 milhões fiéis anglicanos e nos últimos anos sua igreja viveu momentos de crise e de forte divisão interna, devido à ordenação de mulheres e homossexuais declarados como bispos e a bênção de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Por enquanto se desconhece o número exato de anglicanos que desejam rumar à Roma, embora segundo fontes do Vaticano esse número pode estar na casa de meio milhão, entre eles meia centena de bispos. EFE
Fonte: o texto acima é colagem do Portal G1 (Globo) e sua fonte é a Agência EFE.

Meio milhão de anglicanos indo a Roma??? talvez como turistas no verão italiano...

O segmento anglicano que quer ir para o "colinho papal" é uma minoria conservadora ultra reacionária na Inglaterra, e talvez em outras partes do mundo de influência anglo-saxônica. É o tipo de gente que não fará falta na Comunhão Anglicana, porque contraria a essência do "ethos" anglicano, que é a unidade na pluralidade.  Afirmar uma coisa dessas - meio milhão! - é uma atitude ufanista que revela o mau caráter do Vaticano e demonstra as intenções veladas de tentar desmoralizar uma Comunhão de Fé Cristã que tem atraído cada vez mais as inteligências católicas cansadas do reacionarismo, do autoritarismo e da intransigência de Roma para com as questões mais vitais da vida humana no mundo contemporâneo.

Não conheço, realmente não conheço, aqui no Brasil, um anglicano que tenha se tornado católico-romano; é bem capaz que haja um ou outro! Mas conheço mais de uma centena deles que nos últimos anos vieram para nosso convívio, inclusive muitos padres, solteiros e casados. E NÃO FORAM REORDENADOS, porque os anglicanos não negam as Sagradas Ordens Romanas, ao contrário de Roma que não nos reconhece e vai reordenar os que para lá forem... Aliás, não é de hoje que a migração de romanos para o mundo anglicano é grande. Eu mesmo, aos 19 anos, após me converter ao senhorio de Cristo no meio ecumênico, vim parar na Igreja Episcopal por conselho de um Bispo Romano que, mais tarde, veio a ser Cardeal em Roma e era amigo de minha família... ele me disse: "da forma como você pensa o mundo, você será muito feliz entre os anglicanos" e me deu uma carta de apresentação... E ele estava certo!

As Igrejas da Comunhão Anglicana têm a coragem de debater às claras questões como sexualidade humana, bioética, engenharia genética, etc... e ouviu o clamor das mulheres, trazendo-as (ou seria melhor lembrar, reconduzindo-as) ao sacerdócio cristão e ao episcopado, como outras confissões protestantes também já fizeram.  Nenhuma mulher anglicana sente culpa por tomar pílula anticoncepcional e estar pecando contra sua igreja, e uma pessoa homossexual sabe que não será desprezada - antes, será acolhida em nome de Cristo - numa comunidade anglicana. Clérigos (e não clérigos) anglicanos não precisam mais "ficar no armário" , ao contrário de muitos padres (e não padres) romanos... (pergunta ai para quem foi seminarista e desistiu!!!). Clérigos e clérigas anglicanos podem usufruir do convívio familiar, ter sua companheira ou companheiro de vida (e se separar se não der certo - foi eterno enquanto durou!), ver seus filhos crescerem e se tornarem adultos, ao contrário de muitos padres que têm "sobrinhos" ou têm de sustentar uma "prima que ficou grávida e é pobre"...  Conheço muitas histórias assim; não vou revelar porque as ouvi sacramentalmente. Santa hipocrisia! No anglicanismo há espaço para masculinidades e feminilidades! No anglicanismo há espaço para se ser humano e ter-se sua prórpia identidade!

Muita gente não consegue conviver com isso: pluralidade, autoridade dispersa, antidogmatismo... então, que sigam seu caminho, busquem seu rebanho e se for Roma, que seja! Sigam com a paz de Deus e deixem-nos em paz também!

Como todo bom católico-romano, Hans Küng não conhece bem a organização das outras igrejas cristãs, segundo o que reporta a reportagem da EFE: o Arcebispo de Cantuária não é Chefe da Igreja Anglicana. Não há chefe na Igreja Anglicana, além de Cristo. Ao contrário do Papa, o Arcebispo de Cantuária não é infalível, e é apenas o símbolo da unidade na Comunhão Anglicana. Na Inglaterra ele é também o Chanceler do Rei, ou seja quem guarda o selo real após a morte do rei até a coroação do sucessor. Mas não é Chefe da Church of England (a qual é dependente do Parlamento Britânico!). Sua autoridade é moral e espiritual, e não burocrata.

Além disso, os Bispos Anglicanos, ao contrário da maioria (com grandes excessões) dos Bispos Romanos, não se metem nas questões particulares e de consicência das pessoas: como sabem que são humanos, têm também seus problemas e suas dores - por isso, evitam julgar!

Eu não demonizo a Igreja de Roma, como fazem muitos evangélicos, até porque não sou evangélico, muito menos do "mundo evangélico de consumo religioso"! Mas fui aluno jesuíta, conheci o ambiente romano por dentro e pelos bastidores dos diversos movimentos laicos e sei muito bem como se pensa naquele curral do Senhor: ainda hoje acreditam que só eles são curral do Senhor, e que os demais (as outras Igrejas) são incompletos... muita arrogância, não é?

Mas, mesmo não demonizando, começo a achar que a Igreja Metodista, no Brasil, está com a razão ao se negar a qualquer relação ecumênica com a Igreja Romana. Isso não é um desabafo, mas uma conclusão a que estou chegando, ao rever o pontificado de João Paulo II e antevendo a tragédia que será, para o mundo cristão, o pontificado de Bento XVI .  

"Xô, Bento! Cruiz credo, padre-nosso treis veiz! arreda!"

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Nota: para ler na íntegra o artigo de Hans Küng, visite a página da Associação Rumos (padres casados):
http://www.padrescasados.org/?p=340
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23 de set. de 2009

Simpósio corajoso!

A Paróquia do Bom Pastor, em Salvador (Pituba), em parceria com a Igreja Batista Nazareth, Igreja Presbiteriana da Aliança e outras organizações, dá um passo a frente, contribuindo para a reflexão sobre sexualidade e cultura, desafio para a Igreja em termos pastorais, diaconais e missiológicos!