Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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24 de fev de 2016

A Quaresma na minha infância

Eu me lembro do tempo de catecismo e das práticas católicas da minha mamãe. Meu papai não era lá um fiel católico, era meio chegado na Umbanda carioca, apesar de vivermos em São Paulo,  mas toda sexta-feira ele acendia um treco muito fedorento, que ele chamava de defumador; ele nunca interferiu na vida religiosa da mamãe (nem ela na dele) e no que ela me ensinava sobre religião. Já pelos 50 anos ele se tornou cristão (católico romano) e foi militante até sua morte. Tanto ele quanto mamãe se tornaram ativos no Movimento Familiar Cristão e nos Cursilhos de Cristandade até a morte. Quando me tornei episcopaliano, bem mais tarde, eles não se incomodaram com isso, pelo contrário, sempre incentivaram minha ação na Igreja e depois, minha vocação.
Minha mamãe e o padre do catecismo, me ensinaram, quando criança, que a Quaresma, os 40 dias que antecedem a Páscoa, é o tempo que Jesus está no deserto, em jejum e lutando contra o Diabo.  Eu perguntava: por que Jesus não acabava logo com o Diabo, ao invés de todo ano ter de ir ao deserto para brigar com ele? Eu achava que a coisa acabava em empate sempre.

11 de fev de 2016

Durante o Carnaval em Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Ilhado em Santa Teresa durante os intermináveis dias de carnaval (hoje é quinta-feira, já é Quaresma, mas um bloco anda por aqui enchendo o saco desde a madrugada!), com dificuldades para sair do bairro ou mesmo caminhar por ele, andei pela vizinhança; estou compartilhando um pouco do que vi e ouvi aqui pelas ruas próximas de casa.

1. "Si divertir"
Um bando de patricinhas e mauricinhos, tipo Leblon/Barra, por volta de uma da madrugada, ao lado de um Honda Civic cinza, com auto-falantes daqueles dignos de um Teatro Municipal, tocando aquelas músicas ridículas que incentivam a baixaria, quase aqui na esquina de casa. Fui lá pedir que abaixassem o som, uma moça mais pra nua que pra vestida, me diz:
_ "Todo mundo tem o direito de si divertir!"
_ " Mas sem incomodar os outros, mocinha!"
Um sujeito com cara de quem tinha tomados umas e muitas, e os olhos de quem tinha dado uma boa cheirada, me encarou feio e me mandu tomar lá no fundo da casa da Mãe Joana. Voltei pra casa (a minha, não a da mãe Joana), e usando da tecnologia modernosa, mandei um "zap-zap" para a PM, que veio rapidamente e acabou com o direito de "si divertir" dos babacas.

21 de nov de 2015

Pós-modernidade e Fé Cristã (I)

Society-of-the-spectacle
Não é fácil ser cristão nestes tempos pós-modernos.
Hoje as pessoas consomem  “produtos personalizados”, de forma hedonista e visando essencialmente sua auto-imagem – narcisismo exacerbado! Iludidas com a ideia de uma pretensa “liberdade de escolha”, não percebem que a tecnociência, através dos meios mediáticos, programam todo o comportamento social em seus mínimos detalhes: desde o que é “certo” vestir e usar, até o “pensar”.
Não existem paradigmas, ou escala de valores. O indivíduo se torna fim em si mesmo, perde sua percepção social e seu horizonte histórico. Perde sua identidade à medida que necessita fazer um “self” a cada instante para dizer a si mesmo e aos outros quem é.
O sujeito hoje tem sua identidade fragmentada (esquizofrênica?); ele bebe a cerveja “X” (um “self” na rede social informa isso); come “sushi” no restaurante “Y” (outro “self”), faz compras na superloja “Z” (outro “self”), vai à praia “H” (outro “self”), quintas-feiras está na balada “R” (outro “self”), e seu filho fez cocô no colo da vovó pela primeira vez (um “self” com a criança e a fralda suja ao lado, no colo da avó constrangida)… e assim vai! O sujeito sente então que existe, que é alguém e que está por dentro de tudo; ele mede isso pela quantidade de curtidas que suas postagens recebem na rede social. É um sujeito inserido e atual. Vive feliz até a próxima crise de vazio (em cinco minutos) por falta de consumir alguma coisa e dizer para todo mundo que consumiu.