Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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28 de jan de 2018

SS. Trindade: Justiça, Misericórdia e Graça!

Síntese do Sermão proferido no Domingo da SS. Trindade de 2015 na Paróquia São Paulo Apóstolo

ss_trindade08Conta uma tradição que certa vez estava Santo Agostinho de Hipona refletindo sobre o “Mistério da SS. Trindade”. Ele queria entender a partir da lógica helenista de seu tempo. Agostinho, olhando para a praia enquanto meditava, viu um menino brincando na areia, de forma curiosa: o menino havia cavado um buraco na areia e, com um vasilhame, corria até o mar e trazia água que jogava no buraco, e ficava olhando. Em seguida, ele voltava ao mar, e trazia água e jogava no buraco. E fez isso muitas vezes. Agostinho ficou encafifado com aquilo e resolveu descer até a praia para ver aquilo de perto. Ele precisava espairecer um pouco porque sua cabeça estava doendo de tanto pensar sobre a SS. Trindade e, talvez brincando um pouco com o menino, poderia distrair-se.

Chegando à praia, viu que o menino continuava fazendo a mesma coisa, parecia até um ritual: ia até o mar, enchia o vasilhame com água e jogava no buraco cavado na areia. Agostinho se aproximou e perguntou ao menino: “_ O que você está fazendo, com essa brincadeira de buscar água e jogar dentro do buraco?”. Olhando para Agostinho, o menino disse: “_Estou colocando o mar todinho dentro desse buraco!”

Agostinho riu e fazendo um carinho na cabeça do menino, disse: “_ Meu filho, isso é uma coisa impossível! Você não vê que a areia absorve a água que você joga? essa água volta para o mar… você não vai conseguir colocar o mar todo no buraco que você cavou, nem que faça o buraco crescer dez vezes!” O menino, olhando bem nos olhos de Agostinho disse: “_ Pois saiba que é mais fácil eu colocar o mar todo neste buraco que você explicar a SS. Trindade!”; em seguida, o menino desapareceu.

Agostinho entendeu que um Anjo, enviado por Deus, veio até ele para, simplesmente, ensinar que o Mistério da SS. Trindade é realmente um mistério, trata-se de uma percepção e não de uma racionalização.

A lenda, que aparentemente é uma apelação autoritária sobre a doutrinária, não nos serve para compreendermos o mistério.  A tradição bíblica do Antigo Testamento nos fala do Deus de Justiça!  Já, o Novo testamento nos apresenta o Deus da Misericórdia, e o Deus que derrama a Graça sobre seu povo.

O que significam Justiça, Misericórdia e Graça no contexto bíblico? Sem estender muito o assunto, podemos entender assim: JUSTIÇA é dar a cada um o que merece: o castigo ou a absolvição! MISERICÓRDIA é não dar a cada um a punição que merece! GRAÇA é dar a cada um o que não merece!Obs.: Devo esta conceituação ao Prof. Dr. Márcio Redondo, em palestra apresentada  durante um evento preparatório para a Assembleia Geral do CLAI, em 2005, na Faculdade Teológica Sul-Americana, na cidade de Londrina (PR).

Mistério é algo que, estando oculto, é revelado! ou seja, quem sabe olhar, o vê! Mistério é algo que está ai, na cara da gente, mas só quem sabe olhar pode ver! E esse seria o olhar da fé!

Não explicamos racionalmente a SS. Trindade; nem estamos dando uma interpretação racional, pois, afinal, não queremos colocar todo o mar em um buraco na praia, mas esta é uma proposta de reflexão que pode ajudar você, leitor e leitora, a refletir no significado desse Mistério e o quê esse Mistério aponta para a sua vida e a vida da Comunidade de Fé:

O Deus Justo se revela em Seu Filho como Deus Misericordioso e se manifesta como o Deus da Graça, movendo seu povo a proclamar que um novo mundo é possível, a Boa Nova de Jesus o Cristo! 

A aventura utópica* da fé nos mantem na esperança desse novo mundo: como diz Aquele que está no Trono, conforme o Apocalipse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5b).

* Utopia (gr.: u topos) = não lugar ainda, pode vir a ser lugar; é diferente de Atopia (gr.: a topos) = nunca lugar! Utopia é um horizonte, Atopia é coisa nenhuma!

Rev. Luiz Caetano, ost+

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8 de ago de 2017

Recusando as datas de mercado

dia_dos_pais_2-fase_colecaoNo próximo domingo, 13 de agosto, celebra-se a data comercial do Dia dos Pais, e para isso a mídia nos entope de propaganda para “homenagear o papai com carinho”, sendo que o carinho é o produto do anunciante….

Em muitas igrejas, faz-se uma celebração especial para os pais, como fazem também para as mães no Dia das Mães, outra data que vem sendo manipulada pelo mercado. E o mesmo vale para Natal, Páscoa, dia das Crianças, datas que o deus mercado (Mamona) tomou para si e seu arsenal publicitário quer nos fazer crer que “felicidade” é “presente comprado”.

Pessoalmente, eu não gosto de celebrar dia disso ou daquilo na Igreja. E mesmo as festas do calendário cristão eu não gosto de vê-las como mais um argumento de compra e estourar cartões de crédito. E agora já inventaram o Dia do Vovô, dia da Vovó, e logo vem o Dia do Titio, o Dia da Titia, e, porque não, o Dia do Vizinho, o Dia do Corrupto (ah! claro, não precisa, é todo dia!)…  e tudo isso criando o “dever” de “comprar presente” que, pode ser acompanhado por umas palavrinhas bobas e um abraço que sempre falta outros dias.

Assim prefiro celebrar o Dia da Maternidade e da Paternidade; prefiro celebrar a Semana da Paixão, ao invés da Semana Santa (cheia de pacotes de viagens); a Ressurreição do Senhor Jesus ao invés de Páscoa com seu coelho safado; a Natividade do Senhor ao invés do Natal cheio de “paz e alegria forjadas em um novo tempo que vai chegar”, mas que desaparecem no dia 26 de dezembro, quando a amizade, a solidariedade e a paz voltam para o lixo. Não gosto de dar Feliz Ano Novo, ou Feliz Natal, ou Feliz Páscoa, porque não sei bem o que isso significa em uma sociedade marcada pela hipocrisia e pelas fantasias sobre felicidade…

Assim, neste domingo, quero celebrar o Dia da Paternidade, que é muito mais que Dia dos Pais… porque a Paternidade é uma decisão que se toma, um dever que se assume, enquanto ser pai, muitas vezes é fruto de um acaso infeliz… Nem todo pai exerce a paternidade, assim como nem toda mãe exerce a maternidade, que é também um dever que se assume, nunca o resultado de uma ocasião errada.

Restaria ainda falar das “datas nacionais”, aquelas que neste país foram inventadas pela elite dominante, e fundamentadas em mentiras históricas e heróis inventados… mas isso fica para uma outra vez, um papo com quem estuda de fato História e não lê livrinhos formadores de ideologia a serviço da classe dominante.

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28 de fev de 2017

Pensamentos Heréticos!?!?

dedo-no-nariz-iiTrês advertências:  a) eu disse HERÉTICOS, não eróticos. Pode ser que você esteja no blogue errado! Se for me mandar para a fogueira, mande pelo motivo certo!  b) se você é daquelas pessoas que não consegue ler um texto maior que meia página, não comece a ler. Ele é muito maior que isso! Mas se você é daquelas que gosta de ler e refletir, mas não tem tempo para isso agora, salve o artigo ou copie seu link temporariamente nos “favoritos do teu navegador” e retorne ao texto quando tiver disponibilidade para ler e refletir. Como sou matemático não confundo síntese com resumo, nem acredito em síntese sem análise.   c) este texto é, essencialmente, parte de um processo de auto crítica a que estou voluntariamente me submetendo há alguns anos. Não pretende ser uma manifestação de oposição (embora será assim interpretado) às instituições eclesiásticas, mas um convite à reflexão, uma partilha do que tenho pensado ultimamente, na esperança de ajudar a encontrar caminhos novos, embora eu saiba, por experiência, que vão arrumar mil justificativas para dizer que não mereço ser levado a sério (não sou doutor em teologia – nenhum dos Doze o era) ou que “quero tomar o poder”... rsrsrsrs! Estas e outras são justificativas dos insensatos que se julgam o máximo, ou melhor, defendem seus interesses pessoais!

Há muito anos, um teólogo conhecido meu disse que “Ortodoxia é a Heresia de quem ganhou!” Eis ai uma grande verdade, se formos olhar cruamente a História Eclesiástica (que muita gente confunde com a História da Igreja).  Portanto, de acordo com o Cálculo de Predicados (para os menos versados em Matemáticas e Linguística, significa simplesmente Lógica), conclui-se que Heresia seria a Ortodoxia caso seus adeptos fossem maioria em alguma Reunião Conciliar (que por ser “conciliar” devia buscar o consenso e não a vontade da maioria, que muitas vezes é burra!). Como quase sempre sou ignorado pela Ortodoxia vigente, me considero um herético teimoso e frustrado.

Bem, este é o primeiro pensamento herético:a Ortodoxia não é absoluta, mas como é Tradição, deve estar em permanente avaliação! .