(continuação >>> veja antes: Que Deus é esse? - parte 2)
O Cristianismo derivou do Judaísmo farisaico e desenvolveu-se
apoiado na filosofia grega e no mundo bizantino. Assim, a maneira de pensar a
Divindade é profundamente determinada pelo Antigo Testamento, na perspectiva helenista.
Hoje, por influência do
“politicamente correto”, muitos teólogos cristãos tendem a definir o Novo
Testamento como Segundo Testamento e o Antigo como Primeiro Testamento.
A pregação
cristã, por sua vez, sempre proclamou que, em Jesus Cristo, celebra-se uma Nova
Aliança. Então sendo Nova, a velha acabou. Se é um Novo Testamento, o Antigo
deixou de ser realmente um testamento. A ideia de Primeiro e Segundo
Testamento é, no meu entender, absurda, porque faz dos dois uma coisa só. Assim, enormes contradições aparecem diante
dos olhos de quem ainda consegue manter o pensamento analítico crítico diante dos dogmas "infalíveis" das instituições religiosas.
Embora os acadêmicos apresentem argumentos contrários, fundamentados em si mesmos, eu entendo que o
Antigo Testamento precisa ser relido e interpretado a partir do Novo e não o
contrário. Ou seja, deve-se considerar o AT como referência para compreender o
processo da Revelação que se manifestou a partir de Jesus, o Cristo, o Logos
Encanado.
Isso tem sérias implicações na Missão, no Testemunho e na
Pastoral.
Por que se perdeu, no mundo inteiro, a vontade de conhecer o Evangelho? Por que as
novas gerações não conseguem perceber no Cristianismo uma Boa Nova e vivem na
permanente ansiedade sufocante pelo futuro, apostando no hedonismo de balada em
balada? O mundo hoje assiste a morte da esperança, que – dizia minha mãe – é a
penúltima que morre (a última morte é a de quem já perdeu a esperança)!
A resposta, penso eu, é porque a maioria dos paradigmas do
Cristianismo (basicamente moldados pelo Antigo Testamento e pelo mundo
helenista) não respondem às necessidades humanas deste tempo. Mas isto não é de
hoje, já era percebido nas últimas décadas do século passado. De que Salvação
se fala? Que Reino realmente se anuncia?
Onde está, na prática e no ensino das igrejas cristãs, a Ética de
Jesus, o Cristo, a ética simples e clara do Sermão do Monte? Onde está o
olhar amoroso e compassivo de Jesus perante os pecadores, os tristes, os
doentes, os estrangeiros, os diferentes?
Retornemos ao Movimento de Jesus, à Ética de Jesus e tenhamos
coragem profética de questionar e denunciar a moral hipócrita das instituições religiosas
ditas cristãs. Nesse sentido, essa coragem é latente no Anglicanismo devido ao
seu ethos construído historicamente.
Reflita sobre isso, e encontrará um caminho adequado para liquidar
com os ideais de Cristandade que sempre foram opostos aos ideais de Jesus, o
Cristo, Logos Encarnado. Ilumine a reflexão levando a sério o Evangelho (o
texto joanino é uma boa inspiração... é a dica que deixo para vocês).
Avancemos rumo a uma teologia realmente da Encarnação. Deixemos de
lado velhos paradigmas nascidos em outros tempos e culturas. Sejamos missionários,
não colonizadores culturais! Busquemos construir comunidades solidárias, não
uma massa de fiéis clientes seguidores e consumidores de magia disfarçada em
religião.
Então as pessoas saberão que Deus é esse revelado em Jesus Cristo!
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Sutil como um elefante caminhando em um corredor cheio de cristaleiras! kkk!
ResponderExcluirGostei muito da trilogia! De fato, só um anglicano escreveria tais coisas sem medo.