20 de jan. de 2026

QUE DEUS É ESSE? ( 3. Retorno ao Movimento de Jesus)


 (continuação >>> veja antes: Que Deus é esse? - parte 2)

O Cristianismo derivou do Judaísmo farisaico e desenvolveu-se apoiado na filosofia grega e no mundo bizantino. Assim, a maneira de pensar a Divindade é profundamente determinada pelo Antigo Testamento, na perspectiva helenista.

Hoje, por influência do “politicamente correto”, muitos teólogos cristãos tendem a definir o Novo Testamento como Segundo Testamento e o Antigo como Primeiro Testamento.

A pregação cristã, por sua vez, sempre proclamou que, em Jesus Cristo, celebra-se uma Nova Aliança. Então sendo Nova, a velha acabou. Se é um Novo Testamento, o Antigo deixou de ser realmente um testamento. A ideia de Primeiro e Segundo Testamento é, no meu entender, absurda, porque faz dos dois uma coisa só.  Assim, enormes contradições aparecem diante dos olhos de quem ainda consegue manter o pensamento analítico crítico diante dos dogmas "infalíveis" das instituições religiosas.

Embora os acadêmicos apresentem argumentos contrários,  fundamentados em si mesmos, eu entendo que o Antigo Testamento precisa ser relido e interpretado a partir do Novo e não o contrário. Ou seja, deve-se considerar o AT como referência para compreender o processo da Revelação que se manifestou a partir de Jesus, o Cristo, o Logos Encanado.

Isso tem sérias implicações na Missão, no Testemunho e na Pastoral. 

Por que se perdeu, no mundo inteiro, a  vontade de conhecer o Evangelho? Por que as novas gerações não conseguem perceber no Cristianismo uma Boa Nova e vivem na permanente ansiedade sufocante pelo futuro, apostando no hedonismo de balada em balada? O mundo hoje assiste a morte da esperança, que – dizia minha mãe – é a penúltima que morre (a última morte é a de quem já perdeu a esperança)!

A resposta, penso eu, é porque a maioria dos paradigmas do Cristianismo (basicamente moldados pelo Antigo Testamento e pelo mundo helenista) não respondem às necessidades humanas deste tempo. Mas isto não é de hoje, já era percebido nas últimas décadas do século passado. De que Salvação se fala? Que Reino realmente se anuncia?

Onde está, na prática e no ensino das igrejas cristãs, a Ética de Jesus, o Cristo, a ética simples e clara do Sermão do Monte? Onde está o olhar amoroso e compassivo de Jesus perante os pecadores, os tristes, os doentes, os estrangeiros, os diferentes?

Retornemos ao Movimento de Jesus, à Ética de Jesus e tenhamos coragem profética de questionar e denunciar a moral hipócrita das instituições religiosas ditas cristãs. Nesse sentido, essa coragem é latente no Anglicanismo devido ao seu ethos construído historicamente.

Reflita sobre isso, e encontrará um caminho adequado para liquidar com os ideais de Cristandade que sempre foram opostos aos ideais de Jesus, o Cristo, Logos Encarnado. Ilumine a reflexão levando a sério o Evangelho (o texto joanino é uma boa inspiração... é a dica que deixo para vocês).

Avancemos rumo a uma teologia realmente da Encarnação. Deixemos de lado velhos paradigmas nascidos em outros tempos e culturas. Sejamos missionários, não colonizadores culturais! Busquemos construir comunidades solidárias, não uma massa de fiéis clientes seguidores e consumidores de magia disfarçada em religião.

Então as pessoas saberão que Deus é esse revelado em Jesus Cristo!

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Um comentário:

  1. Sutil como um elefante caminhando em um corredor cheio de cristaleiras! kkk!
    Gostei muito da trilogia! De fato, só um anglicano escreveria tais coisas sem medo.

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