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7 de jan. de 2026

A BALADA DE NARAYAMA – O Direito de morrer direito 2

 Na postagem anterior (O Direito de Morrer Direito – Reflexões iniciais sobre a morte com dignidade) fiz referência ao filme do diretor Shohei Imamura, lançado em 1983, “A Balada de Narayama”. O filme, na verdade, é uma versão da primeira novela do escritor Schiro Fukazawa, a qual narra a antiga lenda sobre uma aldeia onde os mais idosos eram deixados em uma montanha (Narayama) para morrer, a partir de certa idade. Uma análise interessante do filme é o artigo “A Balada de Narayama e a condição humana”, de Thiago B. Mendonça.

Eu estava com 34 anos, quando o assisti pela primeira vez. Fiquei impactado a ponto de não sair do cinema quando terminou a sessão, para assistir de novo (naquele tempo você podia ir ao cinema e ficar lá assistindo quantas vezes quisesse sem pagar outro ingresso). Foi quando comecei a refletir sobre a questão da morte consentida

A lenda de Narayama conta sobre uma senhora idosa que, diante da miséria de sua família, insiste em ser levada para a montanha, mas seu filho se nega fazer. Mas, finalmente, face às circunstâncias duras da realidade, o filho concorda em seguir a tradição da aldeia, e leva sua mãe para a montanha.

O que me impactou no enredo foi que aquela senhora decidiu dar sua vida em benefício de sua família, pois seria uma boca a menos para alimentar. Lembrei de João 15.12-13 (“O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros, assim como eu os amei. Ninguém tem amor maior do que este: de alguém dar a própria vida pelos seus amigos”). 

O mesmo conceito aparece em 1João 3.16-17 (“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Ora, se alguém possui recursos deste mundo e vê seu irmão passar necessidade, mas fecha o coração para essa pessoa, como pode permanecer nele o amor de Deus?”). O único recurso disponível para aquela senhora era a sua vida, e ela a deu pelo bem da sua família! Portanto, naquilo que lhe foi possível, permaneceu no amor de Deus! Morte consentida em favor de outros. Aliás, não foi isso que o Cristo fez? Penso que há situações limites em que alguém se sacrifica por amor e pela vida de outras pessoas. 

Um paroquiano, certa vez, me disse – referindo-se à sua idade avançada e seu precário estado de saúde – que a melhor coisa para sua família seria ele morrer, e colocou a justificativa para tal percepção: a despesa – segundo ele, inútil – com seu tratamento cessaria; sua aposentadoria seria uma renda nova para a família ao se tornar pensão para sua esposa; a trabalheira, que todos na casa tinham para cuidar dele, cessaria. Nas palavras dele, “... eu descansarei e, principalmente eles todos descansarão. Por isso, reverendo, não ore pela minha saúde, mas peça a Deus que me conceda a graça da morte, a mim e aos meus queridos”. Parece que Deus atendeu o seu pedido, pois faleceu alguns dias depois em um acidente doméstico! Mas ouvi comentários sussurrantes sobre suicídio.

Ele não foi a primeira, nem a última pessoa idosa ou gravemente enferma que me disse algo parecido e eu sempre lembro da senhora de Narayama. Preferir a morte para que a vida de outros seja menos sofrida.

Minha mãe dizia que a esperança é a penúltima que morre, porque a última morte é de quem perdeu a esperança. Em determinadas situações, subir para Narayama é a única possibilidade de ainda fazer algo em benefício de quem se ama.

A questão permanece: seria ético fazer tal escolha? Volto aos mártires cristãos dos primeiros séculos: morte consentida em defesa de uma ideia! Qual a diferença?

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27 de dez. de 2025

O DIREITO DE MORRER DIREITO - Reflexões iniciais sobre a morte com dignidade

Quando eu era criança minha mãe acompanhava pelo rádio uma novela diária, chamada “O Direito de Nascer”. Anos depois, a novela passou na TV, no tempo que não havia videoteipe, era tudo em estúdio. Havia falhas, caia cenário, era engraçado, apesar do enredo ser um drama. A TV brasileira estava engatinhando.

De fato, todos os seres vivos têm o direito a ficarem vivos. Se nasceram, o bom senso diz que merecem permanecer vivos, enquanto essa vida durar.  O problema é a que vida se tem direito?

Hoje em dia fala-se muito em qualidade de vida, embora quase ninguém me explicou o que isso realmente significa. Afinal, o que é qualidade de vida? Como medir isso? É de fato possível uma vida de qualidade em uma sociedade impulsionada pela competição, exaltação do ego, individualismo exacerbado, exploração do trabalho, ganância, avareza, disputa pelo poder a qualquer preço,  enfim, a qualidade de vida tão falada é realmente para todas as pessoas ou só para a minoria que controla tudo?

Ficar entubado em uma UTI, enquanto estiver no prazo permitido pelo plano de saúde ou pelo SUS, vítima de uma doença terminal e incurável, é qualidade de vida? Ou seria apenas uma receita garantida para o sistema de “saúde” (que vive às custas da doença) e em nome de uma medicina que se sente no dever de “preservar a vida”? Este é só um exemplo do problema ético que raros pensadores se animam a discutir, mas que a moralidade tacanha e hipócrita dita “cristã” dogmatiza e atribui ao seu “deus” o direito exclusivo de decidir sobre a duração da vida.

Há, portanto, uma questão teológica, além de ética, a ser analisada, questão essa que exige muita coragem para enfrentar, porque os “donos da verdade” andam à espreita caçando “bruxas” (tudo que coloca em risco seu dogmatismo).

Sou a favor do direito de decidir morrer, por uma pessoa consciente, madura e que percebe que a vida vai caminhar para um final de sofrimento, dor, solidão, abandono, e ainda por cima, ficar à mercê da ganância que move a maioria dos serviços de saúde (prefiro dizer de “serviços pela doença”). A possibilidade de ter a morte assistida, ou resolver por si mesmo, de forma rápida e segura (no sentido de não falhar), dar fim à uma vida que já não tem perspectiva de ser realmente vida que valha a pena viver.

Em algumas culturas antigas essa possibilidade existia. Por exemplo, o filme “A Balada de Narayama”  do diretor Shohei Imamura, fala sobre a tradição em uma vila onde idosos são levados à montanha para morrer aos 70 anos, devido à trágica realidade econômica. Não era algo compulsório, e as famílias resistiam o mais possível para não descartar seus idosos. Porém, o enredo foca em uma senhora que, vendo a pobreza e a falta de alimentação para a família, insiste que se cumpra a tradição. De certa forma, ela está oferecendo sua vida em benefício do resto da família.

Tradições antigas do povo Inuíte (esquimós) falam de uma festiva celebração em que as pessoas idosas – a partir de determinada idade – se despedem da aldeia alegremente e partem rumo à escuridão ártica do Inverno recém iniciado. Há uma nova geração nascida e os recursos são limitados. Assim, uma geração se entrega para garantir a vida de outra

Posso entender o choque que representa para nossa cultura afirmar que alguém tem o direito de encerrar sua vida; mas isso é apenas moralismo, que se justifica a partir das convenientes interpretações religiosas.

Ao mesmo tempo, a moralidade dita cristã se contradiz, por exemplo, quando exalta os mártires da fé que deram testemunho através da morte consentida. Sim, consentida! Porque morrer foi uma decisão: permanecer vivo era o prêmio por negar o senhorio de Cristo e submeter-se às leis religiosas do Império (e à opressão decorrente - o culto ao Imperador); caso contrário, seria a morte. Muitos mártires optaram pela morte. Um tipo de suicídio. Claro que outros mártires não tiveram tal oportunidade de escolha. Foram mortos de forma imediata e cruel sem oportunidade de defesa, de escolha ou fuga.

Nossa cultura julga sem misericórdia o suicida. Algumas igrejas ditas cristãs negam os ritos de sepultamento – o suicida já é condenado a priori.  Outros grupos religiosos afirmam que a pessoa não aceitou seu “karma”, seja lá o isso seja, e assim está condenada.

Também aceitamos e tratamos como heróis os militares que morrem na guerra. São obrigados a ir para a guerra, e aqueles que morrem, se tornam “heróis da pátria”.

Na raiz dessas ideias nada misericordiosas está a crença em um deus que impõe condições severas para que ame alguém: cumprir sua “santa” vontade, cumprir a suas regras e que o tal deus respeita o livre arbítrio da pessoa - o seu amor não é incondicional, precisa ser merecido. Arvora-se a esse deus o poder absoluto sobre a vida e a morte. Não creio nesse deus!

A proposta de permitir o direito de morrer direito (a morte sem sofrimento, etc. e tal, como disse acima) tem crescido nos últimos tempos e há sérias reflexões éticas (e teológicas) sobre em que condições esse direito poderá ser reconhecido. 

Neste ensaio manifesto minhas primeiras reflexões sobre o assunto. Há muito a ser dito e muita reflexão ainda a ser feita. Rever velhos paradigmas, rever certas concepções da fé.

Por agora, é assim que tenho pensado nestes anos de velhice e diante da percepção de que a vida só será pior no futuro, dadas as condições de hoje! Até já sei a maioria das objeções que virão... os chavões religiosos de sempre. Talvez nem venham! Afinal em nossa sociedade, os velhos não são considerados!

===/=== (continua) >>> veja postagem seguinte


8 de jun. de 2019

Novo Tempo em tempos obscuros

A música popular brasileira, no tempo da minha juventude, significou para muita gente o mesmo que o Apocalipse de São João significou (e significa) para as comunidades da Igreja sob dura perseguição do Império de Roma: a afirmação da certeza de um Novo Tempo, de um Novo Mundo no horizonte da História.
A fé cristã era politicamente criminosa
Ao contrário do que muita gente pensa, o Império Romano não perseguiu discípulos e discípulas de Jesus, as pequenas comunidades da Igreja nascente, por razões religiosas, mas por razões políticas. É puro idealismo romântico achar que os mártires foram mártires por causa de sua “religião”; eles morreram por causa da sua fé, que –  em certo sentido – ameaçava o poder do Império.e as bases de seu alicerce ideológico.
Lamento se você é daquelas pessoas que pensam que fé e política não se misturam. Lamento mesmo! Porque, goste você ou não, elas se misturam e muito! Especialmente a fé que afirma a Encarnação de Deus na História Humana para criar uma nova humanidade a partir da própria humanidade.
O Império Romano tinha, como um dos alicerces de seu imenso e absoluto poder, o conceito de divindade imperial, ou melhor, do senhorio absoluto do Imperador, a encarnação do Império. Ao Imperador era dado o título exclusivo de “Senhor” (no grego, “Kyrios”) significando que o Imperador é o Senhor Absoluto. Sua autoridade era divina, e muitas vezes eles mesmos se autodenominavam divinos e eram homenageados nos templos de todas as religiões do Império. 
Aliás, o Império Romano foi o espaço da liberdade religiosa absoluta, desde que o Imperador fosse considerado o Pontífice Máximo, o Sumo Sacerdote, de todas elas.  Nenhum ser humano poderia receber o título de Kyrios a não ser o Imperador, que era “supra-humano”.
Ora, eis que, de repente, um bando de pessoas simples, e até mesmo pessoas importantes da sociedade, começaram a dizer, aqui e ali, que um tal de Jesus – um galileu que fora condenado à morte em Jerusalém, acusado pela liderança judaica de ser inimigo de César – é o Kyrios. Isso não podia ser tolerado! Dai as perseguições que aconteciam em diferentes regiões do Império e as grandes perseguições gerais que aconteceram em todo o território imperial. E, verdade seja dita, muita gente abandonava a fé por causa do medo (não os julguemos! já vi muito “corajoso” se calar diante da injustiça, por medo! e muito “religioso” que não se interessa por política – por burrice ou medo mesmo!).
Os juízes romanos não exigiam que cristãos negassem sua fé, mas que negassem o senhorio de Jesus, o Cristo. Podiam crer da forma que quisessem, desde que respeitassem o poder absoluto do Imperador; ao afirmarem o senhorio (poder maior) de Jesus, cometiam um crime político, pois tal afirmação significava, na lógica do Império, que havia um senhor maior que Cesar.

O Apocalipse como mensagem de esperança
É nesse contexto que surge o Livro da Revelação, que nós conhecemos por Apocalipse (apocalipse é uma palavra grega que significa exatamente revelação). Uma mensagem de esperança que afirma a presença de Deus na História, que Ele não está ausente, mas está comprometido com Seu povo até o fim do tempo. (1)

A esperança em tempos de resistência
Quando o poder da opressão é grande, gera medo e obediência servil, paralisando o pensamento de muita gente.  A frase “é melhor obedecer para evitar problemas!” é ouvida nesses tempos, como conselho sábio e prudente.
Mas o Espírito Santo sempre toca em pessoas que não decidem por emoções imediatas, mas ousam refletir sobre a realidade e se indignam diante da opressão e do poder colocado como absoluto por um grupo ou uma elite.
Nesses tempos a resistência se manifesta, geralmente, pela arte: a literatura, a música, e até mesmo artes plásticas.  Porque a linguagem da Arte é incompreensível para aqueles que, do alto de suas certezas absolutas, não enxergam nada além de sí mesmos e seus interesses mesquinhos ou os mesquinhos interesses de quem os manipula.  Como não compreendem, ou censuram ou consideram “coisa boba”.
Assim, as cópias manuscritas do Livro da Revelação, texto riquíssimo em simbologia e linguagem do Antigo Testamento,  circulavam livremente entre as comunidades, sem risco de serem compreendidas pelos “guardiães” do Império.  Afinal, pensavam as elites romanas, “é um texto cheio de visões de algum alucinado, nada que possa nos ameaçar!”
No tempo da minha juventude, em meio à minha militância política como cidadão e como cristão, a Arte falava o que não podia ser dito livremente, e os órgãos de segurança eram burros o suficiente para não perceberem a resistência se manifestando. A Música, o Teatro, o Cinema eram portadores das mensagens de esperança e de luta, eram a resistência agindo.

A esperança em tempos de incertezas e medo
Quando pensávamos que os tempos de obscurantismo haviam terminado e não voltariam mais, ei-los de volta. As elites tacanhas encontraram a brecha que procuravam para trazer de volta tudo aquilo que lhes convém: os interesses do grande Capital, a gestão da Educação manipulada para aumentar a ignorância e a burrice ( e a dependência servil), a derrubada dos direitos conquistados pela luta popular, o fechamento do mercado para os mais pobres, o descompromisso do Capital com o Trabalho, e tudo que temos visto neste país (e neste continente) desde os últimos  anos.
Espero que a Arte desperte para ser, novamente a voz da resistência. Espero que uma nova geração de artistas independentes se manifeste com a mesma criatividade e inteligência daqueles dos anos '60 e '70 do século passado.
Enquanto isso, vamos nos ajudando a sobrevier com aquelas músicas. Uma delas me agrada muito, e deixo aqui com você, leitor, para animar e fazer renascer a esperança, ‘pra nos socorrer, pra sobreviver’:

Novo Tempo
Vitor Martins / Ivan Lins
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
Não perca a esperança, resista de forma inteligente!
Não se deixe levar pela “coxinhagem” que permeia o país; ela está ficando cada vez mais fraca, porque – convenhamos – há coxinhas inteligentes…
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(1) - Se você quer conhecer mais sobre o Livro do Apocalipse,   acesse diretamente os estudos em  ESTUDOS ÍBLICOS.
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17 de out. de 2018

O que será de nós?

Protomartires da Igreja de Roma
Uma conversa com um amigo quase em pânico, no Facebook….
Ele me diz: “ (…) já to bem desesperado afirmo.” Pergunto: “ Porque? o que vc teme? e porque teme?”
Ele: “ O fascismo e o apoio evangélico aos mesmos, com o poder financeiro, politico e religioso.”
Então fiz a seguinte reflexão, aqui um pouco mais melhorada,  que quero partilhar com vocês que têm paciência em ler esses pirilampos e que talvez estejam numa situação semelhante. Advirto que não fiz pesquisa profunda para este texto, porque a urgência da hora não pode esperar procedimentos acadêmicos, os quais – quase sempre – chegam atrasados demais devido sua formalidade. Se você quiser se aprofundar, pesquise e faça as devidas correções no texto… o importante é a reflexão.

“ Mano, vamos refletir:
1- não é uma maioria de evangélicos que apoia o diabólico.  Apenas três tipos: aquela maioria pobre, mal formada, que é massa de manobra de Lobo vestido de Pastor; aqueles que fazem de Deus (o deus deles) sua máquina de prosperidade e bem estar e dizem que “o resto é vagabundo”; e aqueles que “não se metem em politica porque é coisa do mundo”, se tornando, assim, cúmplices e apoiadores silenciosos do Mal.
2 - poder financeiro sempre foi a marca dos adoradores de Mamona. (lembra o episódio do jovem rico?). E Jesus mesmo disse que não se serve a dois senhores: ou a Deus ou ao Dinheiro. Dinheiro é Potestade, pode dominar pessoas!
3 - poder político é exatamente a força do Anticristo. O Poder é outra Potestade: sobre à cabeça e domina pessoas, transformando-as em algozes (quem não leu, leia George Orwell – A Revolução dos Bichos -  para não dizerem que defendo a esquerda radicalmente!)
4 - poder religioso o tinham os saduceus e fariseus que, aliados ao poder político e econômico do Império Romano, foram os acusadores de Jesus diante do Império;
5 - Eu acredito que chegou o momento da hora da verdade. Deus está separando para nós as ovelhas dos cabritos. Deus está permitindo isso para despertar sua VERDADEIRA IGREJA para deixar de lado querelas doutrinárias e religiosas e para voltar-se à Sua Palavra que é o “Logos tou Theou” - Aquele que se fez  sarkis (carne física) e HABITA entre nós.
6 - Deus está acabando com a lenda da "índole pacífica do povo brasileiro", tão exaltada pela ditadura militar; Deus está revelando - de uma vez por todas - que "não é brasileiro" e que a tal índole é ódio reprimido causado pela eterna dependência do colonialismo. Deus está nos permitindo a oportunidade de RENOVAR A FÉ, MANTER a ESPERANÇA e continuarmos a pregar o Evangelho no espírito de SOLIDARIEDADE (Comunhão).

7 - O que será de nós? a pergunta da Igreja primitiva durante as perseguições...  e então vemos a história :
a) o Império caiu - demorou mais de mil anos, mas caiu duas vezes: 4 séculos depois de Cristo no Ocidente e 15 séculos depois de Cristo no Oriente;
b) o judaísmo dos saduceus e fariseus foi destruído pelo próprio Império, 70 anos depois de Cristo;
c) A Igreja de Cristo continua, aos trancos e barrancos, 21 séculos depois de Cristo.

8 - o que será de nós? pergunta do povo hebreu durante o exílio da Babilônia.
a) Babilônia caiu;
b) boa parte do povo retornou à sua terra; reconstruiu sua capital e seu templo...
c) outra parte do povo ficou na Babilônia e acabou formando lá um novo judaísmo, renovado, que gerou o Talmude e se tornou um dos mais importantes rabinatos do mundo.

PORTANTO:
a) mantenhamos firmes a nossa FÉ NO CRISTO RESSUSCITADO;
b) lembremos que não somos deste mundo mas estamos neste mundo - Jesus pediu (João 17) que não fôssemos tirados do mundo, mas que estejamos livres do Mal;
c) sejamos resistência, sem porra-louquice , sem  insanidade, sem se deixar levar pelo pânico, mas com sabedoria:  somos enviados ao mundo e aconselhados a sermos mansos como as pombas e prudentes como as serpentes;
d|) mantenhamos firmes na oração e no estudo da Palavra, porque Deus ama seu povo.

Assim a gente resistiu no passado, assim resistiremos no futuro.
Desanimar é a nossa tentação.  Lembre-se, todavia, que as portas do Inferno não se sobreporão sobre a Igreja de Cristo.
Mantenhamos contato uns com os outros, com mansidão e prudência, em solidariedade e comunhão, e nunca nos esqueçamos dos três jovens na fornalha e de Daniel na cova dos leões . Os anjos de Deus estarão sempre conosco, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Nossa geração já passou por isso antes… eles se foram, nós permanecemos; eles estão voltando, nós permaneceremos; eles voltarão a cair, nós permaneceremos! porque estamos em Cristo!

Jesus Cristo venceu o mundo! Com Ele, nós venceremos sempre!
Paz e Bem! O amor sempre venceu o ódio! #elenão
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28 de jan. de 2018

SS. Trindade: Justiça, Misericórdia e Graça!

Síntese do Sermão proferido no Domingo da SS. Trindade de 2015 na Paróquia São Paulo Apóstolo
ss_trindade08Conta uma tradição que certa vez estava Santo Agostinho de Hipona refletindo sobre o “Mistério da SS. Trindade”. Ele queria entender a partir da lógica helenista de seu tempo. Agostinho, olhando para a praia enquanto meditava, viu um menino brincando na areia, de forma curiosa: o menino havia cavado um buraco na areia e, com um vasilhame, corria até o mar e trazia água que jogava no buraco, e ficava olhando. Em seguida, ele voltava ao mar, e trazia água e jogava no buraco. E fez isso muitas vezes. Agostinho ficou encafifado com aquilo e resolveu descer até a praia para ver aquilo de perto. Ele precisava espairecer um pouco porque sua cabeça estava doendo de tanto pensar sobre a SS. Trindade e, talvez brincando um pouco com o menino, poderia distrair-se.

Chegando à praia, viu que o menino continuava fazendo a mesma coisa, parecia até um ritual: ia até o mar, enchia o vasilhame com água e jogava no buraco cavado na areia. Agostinho se aproximou e perguntou ao menino: “_ O que você está fazendo, com essa brincadeira de buscar água e jogar dentro do buraco?”. Olhando para Agostinho, o menino disse: “_Estou colocando o mar todinho dentro desse buraco!”

Agostinho riu e fazendo um carinho na cabeça do menino, disse: “_ Meu filho, isso é uma coisa impossível! Você não vê que a areia absorve a água que você joga? essa água volta para o mar… você não vai conseguir colocar o mar todo no buraco que você cavou, nem que faça o buraco crescer dez vezes!” O menino, olhando bem nos olhos de Agostinho disse: “_ Pois saiba que é mais fácil eu colocar o mar todo neste buraco que você explicar a SS. Trindade!”; em seguida, o menino desapareceu.

Agostinho entendeu que um Anjo, enviado por Deus, veio até ele para, simplesmente, ensinar que o Mistério da SS. Trindade é realmente um mistério, trata-se de uma percepção e não de uma racionalização.

A lenda, que aparentemente é uma apelação autoritária sobre a doutrinária, não nos serve para compreendermos o mistério.  A tradição bíblica do Antigo Testamento nos fala do Deus de Justiça!  Já, o Novo testamento nos apresenta o Deus da Misericórdia, e o Deus que derrama a Graça sobre seu povo.

O que significam Justiça, Misericórdia e Graça no contexto bíblico? Sem estender muito o assunto, podemos entender assim: JUSTIÇA é dar a cada um o que merece: o castigo ou a absolvição! MISERICÓRDIA é não dar a cada um a punição que merece! GRAÇA é dar a cada um o que não merece!

[Obs.: Devo esta conceituação ao Prof. Dr. Márcio Redondo, em palestra apresentada  durante um evento preparatório para a Assembleia Geral do CLAI, em 2005, na Faculdade Teológica Sul-Americana, na cidade de Londrina (PR).]


Mistério é algo que, estando oculto, é revelado! ou seja, quem sabe olhar, o vê! Mistério é algo que está ai, na cara da gente, mas só quem sabe olhar pode ver! E esse seria o olhar da fé!

Não explicamos racionalmente a SS. Trindade; nem estamos dando uma interpretação racional, pois, afinal, não queremos colocar todo o mar em um buraco na praia, mas esta é uma proposta de reflexão que pode ajudar você, leitor e leitora, a refletir no significado desse Mistério e o quê esse Mistério aponta para a sua vida e a vida da Comunidade de Fé:
O Deus Justo se revela em Seu Filho como Deus Misericordioso e se manifesta como o Deus da Graça, movendo seu povo a proclamar que um novo mundo é possível, a Boa Nova de Jesus o Cristo! 
A aventura utópica* da fé nos mantem na esperança desse novo mundo: como diz Aquele que está no Trono, conforme o Apocalipse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5b).
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* Utopia (gr.: u topos) = não lugar ainda, pode vir a ser lugar; é diferente de Atopia (gr.: a topos) = nunca lugar! Utopia é um horizonte, Atopia é coisa nenhuma!
Rev. Luiz Caetano, ost+
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11 de fev. de 2016

Durante o Carnaval em Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Ilhado em Santa Teresa durante os intermináveis dias de carnaval (hoje é quinta-feira, já é Quaresma, mas um bloco anda por aqui enchendo o saco desde a madrugada!), com dificuldades para sair do bairro ou mesmo caminhar por ele, andei pela vizinhança; estou compartilhando um pouco do que vi e ouvi aqui pelas ruas próximas de casa.

1. "Si divertir"
Um bando de patricinhas e mauricinhos, tipo Leblon/Barra, por volta de uma da madrugada, ao lado de um Honda Civic cinza, com auto-falantes daqueles dignos de um Teatro Municipal, tocando aquelas músicas ridículas que incentivam a baixaria, quase aqui na esquina de casa. Fui lá pedir que abaixassem o som, uma moça mais pra nua que pra vestida, me diz:
_ "Todo mundo tem o direito de si divertir!"
_ " Mas sem incomodar os outros, mocinha!"
Um sujeito com cara de quem tinha tomados umas e muitas, e os olhos de quem tinha dado uma boa cheirada, me encarou feio e me mandu tomar lá no fundo da casa da Mãe Joana. Voltei pra casa (a minha, não a da mãe Joana), e usando da tecnologia modernosa, mandei um "zap-zap" para a PM, que veio rapidamente e acabou com o direito de "si divertir" dos babacas.

Uma coisa legal que a PM (5º Batalhão) fez aqui para Santa Teresa foi disponibilizar um celular e grupo no "zap-zap" para os moradores denunciarem todo tipo de delinquência, arruaça, assalto, etc. Um oficial fica de plantão recebendo as denuncias e toma as providências necessárias. Mais eficiente e eficaz que o "1-9-0", onde a atendente nos manda ir ao local e aguardar a polícia (como se bandido, assaltante e outros pentelhos fossem ficar ali esperando comigo a PM chegar).

2 .  Mijões
a) No jardim da igreja, surpreendo um sujeito urinando. Chamei sua atenção, ele me disse:
_ "Eu tenho o direito de mijar, pô"!
_ "Não no jardim da igreja, cara!"
Ele saiu, ainda apertado, virou a esquina da igreja eu fui atrás... lá estava ele dando a sua mijada!
_ "Nem no muro da Igreja, amigo!"
_ "Pô! nessa m... de bairro não tem onde mijar!"
b) Saio no portão de casa para um cigarrinho, e vejo uma moça agachada, urinado, ao lado do muro da igreja e tentando se ocultar atrás de um carro estacionado (na calçada).
_ "Menina! não faça isso! respeite você mesma!", eu disse virando o rosto para não constrangê-la mais.
A resposta dela foi idêntica à do mijão acima: 
_"Não tem outro lugar e estou apertada, padre".

Realmente, ambos tinham razão. Aliás, não só em Santa Teresa! a maioria dos botecos e lanchonetes no Rio não têm banheiro, e quando tem ou cobram para usar (se não for cliente - inclusive idosos) ou não deixam usar (alegam que é para evitar do sujeito ir lá para dar uma cheirada de pó ou fumar uma maconha).
A eficientíssima  Prefeitura do Rio, que está a serviço das máfias do transporte público, das empreiteiras e da industria do turismo, colocou pouquíssimos banheiros químicos pelas ruas da cidade, especialmente onde passariam os blocos carnavalescos. E, para completar, decretou uma multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) para quem fosse flagrado urinando em logradouro público, pela Guarda Municipal (que aliás, nunca aparece por aqui a não ser para ... deixa pra lá!). Ou seja: "como o consumo de cerveja é astronômico e as bexigas milhares, vamos faturar um pouco porque é ano eleitoral e o Partido precisa de grana para as negociatas naturais em busca de votos..."

3. A rua é de quem mesmo?
Um bando de "foliões", enchendo a cara de cerveja e comendo croquete de bacalhau, sentados na calçada quase na esquina de casa. Para alguém passar por lá, tinha de se deslocar para a faixa de tráfego, porque a calçada havia se tornado a sala de estar dos idiotas. [Aliás, é comum isso por aqui: o pessoal ocupa as calçadas e os pedestres que se misturem aos carros; ficam em pé ou sentados e se você quiser passar ainda te olham feio! isso sem contar quando os botecos ocupam descaradamente as calçadas com mesas e chegam até a colocar cerca na rua - o que é comum na Lapa - para ninguém atrapalhar os clientes que saboreiam seus quitutes (e enchem a cara)!]
Eu estava indo ao Cine Santa  (assistir A Grande Aposta - recomendo) e tentei passar pela calçada; eu disse, para as pessoas sentadinhas com seus croquetes de bacalhau e sua cervejinha, que ali não era lugar de sentar,  e alguém do grupo me disse:
_ "A rua é do povo!"
_ "Pode ser lá na sua rua, amigo, mas aqui, a rua é dos seus moradores e de quem precisa passar por ela!"
O cara disse "passa por cima" e novamente fui recomendado a mandar lembranças à Mãe Joana (e ainda recebi uma encarada do dono do boteco ao lado, afinal eu estava chateando seus clientes). Então, a caminho da casa da Mãe Joana (passando antes pelo Cine Santa), segui em frente, passei por cima da perna de um deles e "sem querer" pisei de leve no pratinho de croquete... pois é, a rua é do povo! e eu sou um cara do povo que tem o corpo um pouco mais largo que o normal! Claro que ouvi belíssimas palavras de elogio à minha modesta pessoa, além de ameaças à minha integridade física.
É mole?
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Não sou contra o carnaval, nem que as pessoas busquem diversão, comam seus bolinhos de bacalhau, tomem sua cervejinha. Mas eu acho que as coisas tem um limite, o limite do bom senso e da boa educação.

Entretanto, nestes tempos de "direitos sem deveres", de manifestação exacerbada dos egos, e da autopromoção para lembrar a si mesmo que existe, o que vale mesmo é a já famosa frase "danem-se os outros!"

Mas, felizmente, ainda há pessoas com quem vale a pena conviver, partilhar e conversar. Apesar de tudo, Deus seja louvado. Amém!

PS: soube agora, pelo eficaz  sistema de informações de Santa Teresa - boca-a-boca, de vizinho pra vizinho - que o tal bloco que chateou o bairro desde a madrugada foi liquidado pela Polícia...

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29 de jun. de 2015

Homoafetivos e Banqueiros.

Bandeira Homoafetiva

É público e notório o ódio às pessoas homo-afetivas esparramado por gente que se diz “cristã” e manipula a Bíblia para justificar esse preconceito que se torna ódio irracional.

Até há 60 anos atrás, nos Estados Unidos (já que a maioria dos brasileiros é fascinado por aquela nação) cristãos brancos exibiam descaradamente seu ódio às pessoas negras, fossem elas cristãs ou não. Claro, justificavam suas posições usando a Bíblia… De fato, a Bíblia pode justificar qualquer coisa  quando usada de má fé e de forma ignorante, aliás, como a ciência.

Há alguns anos, eu atuava como Secretário Regional do CLAI* para o Brasil, fui convidado para apresentar uma palestra em evento nacional de uma das igrejas membros do Conselho. O tema, até mesmo devido à minha função, era Relações Ecumênicas e Cooperação. Terminei a palestra, cerca de 25 minutos, e convidei ao plenário apresentar perguntas.  Para minha surpresa, recebi três perguntas por escrito, as três com o mesmo teor, que pode ser resumido assim: “Parece que a sua Igreja tem discutido o tema da homossexualidade, pode explicar como tem sido isso?”  Entendi, então, porque eu havia sido convidado e que o assunto preocupante para aquelas pessoas era a questão da homossexualidade na Igreja, e não necessariamente as relações ecumênicas...

Não fugi do assunto. Pelo contrário, expliquei que a Igreja Episcopal estava dando início à discussão sobre o tema de maneira pública, a exemplo do que vinha acontecendo em outras Igrejas da Comunhão Anglicana. Informei que a Igreja estava ainda em fase de debates teológicos sobre o tema, e ao mesmo tempo colhendo subsídios através de outros campos do conhecimento humano, mas que a discussão evoluiria até chegar ao nível das comunidades locais, as Dioceses e suas paróquias e missões; informei ainda que mais detalhes de como andam as discussões e documentos já produzidos poderiam ser obtidos com a Secretaria Geral da Igreja ou com o Centro de Estudos Anglicanos.

Seguiu-se então um tremendo debate. Muitos pastores se pronunciaram contrários, e alguns que eu sabia serem favoráveis temiam manifestar-se.  Eu apenas ouvia os comentários, distribuindo a palavra a quem pedia. Resolvi não me pronunciar porque percebi que aquele era um tema que estava criando possibilidades de divisão da Igreja. Mas eu não resisti comentar a fala de um jovem pastor que afirmou estar no início de seu ministério.

Demonstrando uma certa ira, ele esbravejou contra as pessoas homoafetivas, citando a bíblia a torto e a direito, especialmente pedaços de versículos, e reparei que ele estava usando uma versão da bíblia de péssima tradução, muito antiga e hoje em dia irrelevante.

Em certo momento ele afirmou categoricamente e apresentando até uma certa arrogância: “Eu jamais darei a Santa Ceia a um homossexual!”. Eu não resisti, o interrompi e larguei a pergunta:  “Você daria a Santa Ceia a um banqueiro?” . 

Ele respondeu que sim, se fosse um banqueiro cristão, claro que poderia receber a Ceia. Então eu respondi a ele:  “Interessante a tua postura pastoral e teológica. Você esbravejou versículos bíblicos fora de contexto, até mesmo modificou o sentido de alguns, para justificar que não daria a Ceia a uma pessoa homossexual. Todavia um banqueiro vive de usura, e a Bíblia, ai sim, está cheia de afirmações condenatórias da usura e do usurário. Então, eu não entendo teu critério de ler a bíblia.”

Acabei de dizer isso, o plenário explodiu em aplausos de pé e o rapaz se retirou cabisbaixo…

Pois é, caro leitor. E você, daria a comunhão, ou a tomaria ao lado de um banqueiro? Tomaria a comunhão das mãos de um pastor preconceituoso e semeador de ódio aos diferentes?

A quem, afinal, tu serves, ó cristão? ao preconceito ou ao Cristo?
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* CLAI – Conselho Latino-Americano de Igrejas.
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26 de ago. de 2012

VOTO DE CABRESTO OU RESPONSABILIDADE PASTORAL?

FALE

Fico feliz em ver o FALE assumindo essa campanha! O FALE foi uma iniciativa que começou quando eu era o Secretário Regional do CLAI para o Brasil, e foi exatamente o apoio institucional do CLAI que permitiu o surgimento do FALE. Por muitos anos fiz parte da equipe de assessores e redatores do FALE. Uma das mais belas iniciativas realmente evangélicas, inspirado no movimento SPEAK-UP da Inglaterra, o FALE do Brasil se tornou o maior grupo da Rede no mundo.

O posicionamento do FALE vai exatamente contra aquele tipo de clérigo que “vende” seu voto e o voto de sua congregação, em troca de favores políticos, escusos.

Isso não significa afirmar que clérigos devam esconder suas posições políticas! Exatamente por sermos um Estado Laico, os clérigos são primeiro Cidadãos (porque não nascem clérigos) e devem exercer sua cidadania com transparência e devem SIM, por serem formadores de opinião, ajudar o povo de suas comunidades a exercer sua cidadania, como princípio ético. Não se trata de "obrigar" o voto, mas levar à uma análise crítica da realidade à luz da Palavra de Deus, o que seria de fato seu papel como teólogo com a comunidade. O que não se deve fazer, por ser antiético, é atrelar seu ministério a um projeto eleitoral que implique em "benefícios para a igreja".

Calar-se diante de uma realidade por ser clérigo, seria na verdade apoiar uma situação existente e um núcleo de poder político. Nesse caso Dietrich Bonhoeffer, por exemplo, não poderia ser considerado uma referência ética cristã contemporânea. Seu posicionamento político foi bem claro e o levou a atitudes radicais diante de um poder diabólico que - exatamente em nome da neutralidade religiosa, foi apoiado pela Igreja oficial.

Nada deve parecer natural
Se o pastor omitir-se, a mídia vinculada ao poder dominante atrela o povo... Os opressores poderosos não são invencíveis!


Meus paroquianos sabem com clareza minha posição política, ela está expressa de forma transparente até mesmo no FACEBOOK, e nem por isso sentem-se no cabresto do seu pastor. Aliás, aqui no Rio, eu voto FREIXO.

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15 de dez. de 2011

Coisas do Passado que se acabaram no Futuro.

Recebi de um amigo, Rev. Joel Soares, o texto abaixo, da autoria de Ismael Gaião, pessoa que não conheço. Com certeza ele é da minha geração, porque tudo que ele fala ai abaixo, eu vivi também. Também não sei onde o Sr. Ismael publicou o texto que compilo abaixo.

Não se trata de um saudosismo melancólico, mas a constatação que nem sempre progresso significa vida melhor, e que nem sempre evolução significa que as coisas ficam melhores…

NO  TEMPO  DA  MINHA  INFÂNCIA (Ismael Gaião)

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

             Bebi leite ao natural
             Da minha vaca Quitéria
             E nunca fiquei de cama
             Com uma doença séria
             As crianças de hoje em dia
             Não bebem como eu bebia
             Pra não pegar bactéria

                         A barriga da miséria
                         Tirei com tranquilidade
                         Do pão com manteiga e queijo
                         Hoje só resta a saudade
                         A vida ficou sem graça
                         Não se pode comer massa
                         Por causa da obesidade

                                                   Eu comi ovo à vontade
                                                   Sem ter contra indicação
                                                   Pois o tal colesterol
                                                   Pra mim nunca foi vilão
                                                   Hoje a vida é uma loucura
                                                   Dizem que qualquer gordura
                                                   Nos mata do coração

                                                                  Com a modernização
                                                                  Quase tudo é proibido
                                                                  Pois sempre tem uma Lei
                                                                  Que nos deixa reprimido
                                                                  Fazendo tudo que eu fiz
                                                                  Hoje me sinto feliz
                                                                  Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

              Vi o meu pai dirigir
              Numa total confiança
              Sem apoio, sem air-bag
              Sem cinto de segurança
              E eu no banco de trás
              Solto, igualzinho aos demais
              Fazia a maior festança

                            No meu tempo de criança
                            Por ter sido reprovado
                            Ninguém ia ao psicólogo
                            Nem se ficava frustrado
                            Quando isso acontecia
                            A gente só repetia
                            Até que fosse aprovado

                                            Não tinha superdotado
                                            Nem a tal dislexia
                                            E a hiperatividade
                                            É coisa que não se via
                                            Falta de concentração
                                            Se curava com carão
                                            E disso ninguém morria

                                                             Nesse tempo se bebia
                                                             Água vinda da torneira
                                                             De uma fonte natural
                                                             Ou até de uma mangueira
                                                             E essa água engarrafada
                                                             Que diz-se esterilizada
                                                             Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

                  Nunca fui envenenado
                  Com as tintas dos brinquedos
                  Remédios e detergentes
                  Se guardavam, sem segredos
                  E descalço, na areia
                  Eu joguei bola de meia
                  Rasgando as pontas dos dedos

                               Aboli todos os medos
                               Apostando umas carreiras
                               Em carros de rolimã
                               Sem usar cotoveleiras
                               Pra correr de bicicleta
                               Nunca usei, feito um atleta,
                               Capacete e joelheiras

                                            Entre outras brincadeiras
                                            Brinquei de Carrinho de Mão
                                            Estátua, Jogo da Velha
                                            Bola de Gude e Pião
                                            De mocinhos e Cowboys
                                            E até de super-heróis
                                            Que vi na televisão

                                                           Eu cantei Cai, Cai Balão,
                                                           Palma é palma, Pé é pé
                                                           Gata Pintada, Esta Rua
                                                           Pai Francisco e De Marré
                                                           Também cantei Itororó
                                                           Brinquei de Escravos de Jó
                                                           E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

           Tomava banho de mar
           Na estação do verão
           Quando papai nos levava
           Em cima de um caminhão
           Não voltava bronzeado
           Mas com o corpo queimado
           Parecendo um camarão

                              Sem ter tanta evolução
                              O Playstation não havia
                              E nenhum jogo de vídeo
                              Naquele tempo existia
                              Não tinha vídeo cassete
                              Muito menos internet
                              Como se tem hoje em dia

                                              O meu cachorro comia
                                              O resto do nosso almoço
                                              Não existia ração
                                              Nem brinquedo feito osso
                                              E para as pulgas matar
                                              Nunca vi ninguém botar
                                              Um colar no seu pescoço

                                                          E ele achava um colosso
                                                          Tomar banho de mangueira
                                                          Ou numa água bem fria
                                                          Debaixo duma torneira
                                                          E a gente fazia farra
                                                          Usando sabão em barra
                                                          Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

                  Comecei a trabalhar
                  Com oito anos de idade
                  Pois o meu pai me mostrava
                  Que pra ter dignidade
                  O trabalho era importante
                  Pra não me ver adiante
                  Ir pra marginalidade

                               Mas hoje a sociedade
                               Essa visão não alcança
                               E proíbe qualquer pai
                               Dar trabalho a uma criança
                               Prefere ver nossos filhos
                               Vivendo fora dos trilhos
                               Num mundo sem esperança

                                             A vida era bem mais mansa,
                                             Com um pouco de insensatez.
                                             Eu me lembro com detalhes
                                             De tudo que a gente fez,
                                             Por isso tenho saudade
                                             E hoje sinto vontade
                                             De ser criança outra vez...

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Eu só não sinto vontade de ser criança outra vez; se for para ser nestes tempos, não mesmo! Porque hoje as crianças não são crianças, mas são imagens dos adultos; não produzem absolutamente nada, embora passam boa parte do seu tempo com uma agenda complicada… são cheias de direitos e mal educadas. Seus brinquedos brincam sozinhos, e passam muito tempo em um mundo virtual de más fantasias…

Com todo o conhecimento que a humanidade acumulou, a vida não é melhor, a não ser para meia-dúzia de espertinhos que formam a elite mais safada que a humanidade já conheceu. O tempo passa voando e quando o sujeito percebe, a vida acabou-se nas correrias, nos milhares de e-mails, na eterna insatisfação de consumir o que aparece na moda e no mercado…

Realmente, o mundo está ficando cada vez mais chato!

Venha Teu Reino, Senhor!

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