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7 de jan. de 2026

A BALADA DE NARAYAMA – O Direito de morrer direito 2

 Na postagem anterior (O Direito de Morrer Direito – Reflexões iniciais sobre a morte com dignidade) fiz referência ao filme do diretor Shohei Imamura, lançado em 1983, “A Balada de Narayama”. O filme, na verdade, é uma versão da primeira novela do escritor Schiro Fukazawa, a qual narra a antiga lenda sobre uma aldeia onde os mais idosos eram deixados em uma montanha (Narayama) para morrer, a partir de certa idade. Uma análise interessante do filme é o artigo “A Balada de Narayama e a condição humana”, de Thiago B. Mendonça.

Eu estava com 34 anos, quando o assisti pela primeira vez. Fiquei impactado a ponto de não sair do cinema quando terminou a sessão, para assistir de novo (naquele tempo você podia ir ao cinema e ficar lá assistindo quantas vezes quisesse sem pagar outro ingresso). Foi quando comecei a refletir sobre a questão da morte consentida

A lenda de Narayama conta sobre uma senhora idosa que, diante da miséria de sua família, insiste em ser levada para a montanha, mas seu filho se nega fazer. Mas, finalmente, face às circunstâncias duras da realidade, o filho concorda em seguir a tradição da aldeia, e leva sua mãe para a montanha.

O que me impactou no enredo foi que aquela senhora decidiu dar sua vida em benefício de sua família, pois seria uma boca a menos para alimentar. Lembrei de João 15.12-13 (“O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros, assim como eu os amei. Ninguém tem amor maior do que este: de alguém dar a própria vida pelos seus amigos”). 

O mesmo conceito aparece em 1João 3.16-17 (“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Ora, se alguém possui recursos deste mundo e vê seu irmão passar necessidade, mas fecha o coração para essa pessoa, como pode permanecer nele o amor de Deus?”). O único recurso disponível para aquela senhora era a sua vida, e ela a deu pelo bem da sua família! Portanto, naquilo que lhe foi possível, permaneceu no amor de Deus! Morte consentida em favor de outros. Aliás, não foi isso que o Cristo fez? Penso que há situações limites em que alguém se sacrifica por amor e pela vida de outras pessoas. 

Um paroquiano, certa vez, me disse – referindo-se à sua idade avançada e seu precário estado de saúde – que a melhor coisa para sua família seria ele morrer, e colocou a justificativa para tal percepção: a despesa – segundo ele, inútil – com seu tratamento cessaria; sua aposentadoria seria uma renda nova para a família ao se tornar pensão para sua esposa; a trabalheira, que todos na casa tinham para cuidar dele, cessaria. Nas palavras dele, “... eu descansarei e, principalmente eles todos descansarão. Por isso, reverendo, não ore pela minha saúde, mas peça a Deus que me conceda a graça da morte, a mim e aos meus queridos”. Parece que Deus atendeu o seu pedido, pois faleceu alguns dias depois em um acidente doméstico! Mas ouvi comentários sussurrantes sobre suicídio.

Ele não foi a primeira, nem a última pessoa idosa ou gravemente enferma que me disse algo parecido e eu sempre lembro da senhora de Narayama. Preferir a morte para que a vida de outros seja menos sofrida.

Minha mãe dizia que a esperança é a penúltima que morre, porque a última morte é de quem perdeu a esperança. Em determinadas situações, subir para Narayama é a única possibilidade de ainda fazer algo em benefício de quem se ama.

A questão permanece: seria ético fazer tal escolha? Volto aos mártires cristãos dos primeiros séculos: morte consentida em defesa de uma ideia! Qual a diferença?

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27 de dez. de 2025

O DIREITO DE MORRER DIREITO - Reflexões iniciais sobre a morte com dignidade

Quando eu era criança minha mãe acompanhava pelo rádio uma novela diária, chamada “O Direito de Nascer”. Anos depois, a novela passou na TV, no tempo que não havia videoteipe, era tudo em estúdio. Havia falhas, caia cenário, era engraçado, apesar do enredo ser um drama. A TV brasileira estava engatinhando.

De fato, todos os seres vivos têm o direito a ficarem vivos. Se nasceram, o bom senso diz que merecem permanecer vivos, enquanto essa vida durar.  O problema é a que vida se tem direito?

Hoje em dia fala-se muito em qualidade de vida, embora quase ninguém me explicou o que isso realmente significa. Afinal, o que é qualidade de vida? Como medir isso? É de fato possível uma vida de qualidade em uma sociedade impulsionada pela competição, exaltação do ego, individualismo exacerbado, exploração do trabalho, ganância, avareza, disputa pelo poder a qualquer preço,  enfim, a qualidade de vida tão falada é realmente para todas as pessoas ou só para a minoria que controla tudo?

Ficar entubado em uma UTI, enquanto estiver no prazo permitido pelo plano de saúde ou pelo SUS, vítima de uma doença terminal e incurável, é qualidade de vida? Ou seria apenas uma receita garantida para o sistema de “saúde” (que vive às custas da doença) e em nome de uma medicina que se sente no dever de “preservar a vida”? Este é só um exemplo do problema ético que raros pensadores se animam a discutir, mas que a moralidade tacanha e hipócrita dita “cristã” dogmatiza e atribui ao seu “deus” o direito exclusivo de decidir sobre a duração da vida.

Há, portanto, uma questão teológica, além de ética, a ser analisada, questão essa que exige muita coragem para enfrentar, porque os “donos da verdade” andam à espreita caçando “bruxas” (tudo que coloca em risco seu dogmatismo).

Sou a favor do direito de decidir morrer, por uma pessoa consciente, madura e que percebe que a vida vai caminhar para um final de sofrimento, dor, solidão, abandono, e ainda por cima, ficar à mercê da ganância que move a maioria dos serviços de saúde (prefiro dizer de “serviços pela doença”). A possibilidade de ter a morte assistida, ou resolver por si mesmo, de forma rápida e segura (no sentido de não falhar), dar fim à uma vida que já não tem perspectiva de ser realmente vida que valha a pena viver.

Em algumas culturas antigas essa possibilidade existia. Por exemplo, o filme “A Balada de Narayama”  do diretor Shohei Imamura, fala sobre a tradição em uma vila onde idosos são levados à montanha para morrer aos 70 anos, devido à trágica realidade econômica. Não era algo compulsório, e as famílias resistiam o mais possível para não descartar seus idosos. Porém, o enredo foca em uma senhora que, vendo a pobreza e a falta de alimentação para a família, insiste que se cumpra a tradição. De certa forma, ela está oferecendo sua vida em benefício do resto da família.

Tradições antigas do povo Inuíte (esquimós) falam de uma festiva celebração em que as pessoas idosas – a partir de determinada idade – se despedem da aldeia alegremente e partem rumo à escuridão ártica do Inverno recém iniciado. Há uma nova geração nascida e os recursos são limitados. Assim, uma geração se entrega para garantir a vida de outra

Posso entender o choque que representa para nossa cultura afirmar que alguém tem o direito de encerrar sua vida; mas isso é apenas moralismo, que se justifica a partir das convenientes interpretações religiosas.

Ao mesmo tempo, a moralidade dita cristã se contradiz, por exemplo, quando exalta os mártires da fé que deram testemunho através da morte consentida. Sim, consentida! Porque morrer foi uma decisão: permanecer vivo era o prêmio por negar o senhorio de Cristo e submeter-se às leis religiosas do Império (e à opressão decorrente - o culto ao Imperador); caso contrário, seria a morte. Muitos mártires optaram pela morte. Um tipo de suicídio. Claro que outros mártires não tiveram tal oportunidade de escolha. Foram mortos de forma imediata e cruel sem oportunidade de defesa, de escolha ou fuga.

Nossa cultura julga sem misericórdia o suicida. Algumas igrejas ditas cristãs negam os ritos de sepultamento – o suicida já é condenado a priori.  Outros grupos religiosos afirmam que a pessoa não aceitou seu “karma”, seja lá o isso seja, e assim está condenada.

Também aceitamos e tratamos como heróis os militares que morrem na guerra. São obrigados a ir para a guerra, e aqueles que morrem, se tornam “heróis da pátria”.

Na raiz dessas ideias nada misericordiosas está a crença em um deus que impõe condições severas para que ame alguém: cumprir sua “santa” vontade, cumprir a suas regras e que o tal deus respeita o livre arbítrio da pessoa - o seu amor não é incondicional, precisa ser merecido. Arvora-se a esse deus o poder absoluto sobre a vida e a morte. Não creio nesse deus!

A proposta de permitir o direito de morrer direito (a morte sem sofrimento, etc. e tal, como disse acima) tem crescido nos últimos tempos e há sérias reflexões éticas (e teológicas) sobre em que condições esse direito poderá ser reconhecido. 

Neste ensaio manifesto minhas primeiras reflexões sobre o assunto. Há muito a ser dito e muita reflexão ainda a ser feita. Rever velhos paradigmas, rever certas concepções da fé.

Por agora, é assim que tenho pensado nestes anos de velhice e diante da percepção de que a vida só será pior no futuro, dadas as condições de hoje! Até já sei a maioria das objeções que virão... os chavões religiosos de sempre. Talvez nem venham! Afinal em nossa sociedade, os velhos não são considerados!

===/=== (continua) >>> veja postagem seguinte


8 de jun. de 2019

Novo Tempo em tempos obscuros

A música popular brasileira, no tempo da minha juventude, significou para muita gente o mesmo que o Apocalipse de São João significou (e significa) para as comunidades da Igreja sob dura perseguição do Império de Roma: a afirmação da certeza de um Novo Tempo, de um Novo Mundo no horizonte da História.
A fé cristã era politicamente criminosa
Ao contrário do que muita gente pensa, o Império Romano não perseguiu discípulos e discípulas de Jesus, as pequenas comunidades da Igreja nascente, por razões religiosas, mas por razões políticas. É puro idealismo romântico achar que os mártires foram mártires por causa de sua “religião”; eles morreram por causa da sua fé, que –  em certo sentido – ameaçava o poder do Império.e as bases de seu alicerce ideológico.
Lamento se você é daquelas pessoas que pensam que fé e política não se misturam. Lamento mesmo! Porque, goste você ou não, elas se misturam e muito! Especialmente a fé que afirma a Encarnação de Deus na História Humana para criar uma nova humanidade a partir da própria humanidade.
O Império Romano tinha, como um dos alicerces de seu imenso e absoluto poder, o conceito de divindade imperial, ou melhor, do senhorio absoluto do Imperador, a encarnação do Império. Ao Imperador era dado o título exclusivo de “Senhor” (no grego, “Kyrios”) significando que o Imperador é o Senhor Absoluto. Sua autoridade era divina, e muitas vezes eles mesmos se autodenominavam divinos e eram homenageados nos templos de todas as religiões do Império. 
Aliás, o Império Romano foi o espaço da liberdade religiosa absoluta, desde que o Imperador fosse considerado o Pontífice Máximo, o Sumo Sacerdote, de todas elas.  Nenhum ser humano poderia receber o título de Kyrios a não ser o Imperador, que era “supra-humano”.
Ora, eis que, de repente, um bando de pessoas simples, e até mesmo pessoas importantes da sociedade, começaram a dizer, aqui e ali, que um tal de Jesus – um galileu que fora condenado à morte em Jerusalém, acusado pela liderança judaica de ser inimigo de César – é o Kyrios. Isso não podia ser tolerado! Dai as perseguições que aconteciam em diferentes regiões do Império e as grandes perseguições gerais que aconteceram em todo o território imperial. E, verdade seja dita, muita gente abandonava a fé por causa do medo (não os julguemos! já vi muito “corajoso” se calar diante da injustiça, por medo! e muito “religioso” que não se interessa por política – por burrice ou medo mesmo!).
Os juízes romanos não exigiam que cristãos negassem sua fé, mas que negassem o senhorio de Jesus, o Cristo. Podiam crer da forma que quisessem, desde que respeitassem o poder absoluto do Imperador; ao afirmarem o senhorio (poder maior) de Jesus, cometiam um crime político, pois tal afirmação significava, na lógica do Império, que havia um senhor maior que Cesar.

O Apocalipse como mensagem de esperança
É nesse contexto que surge o Livro da Revelação, que nós conhecemos por Apocalipse (apocalipse é uma palavra grega que significa exatamente revelação). Uma mensagem de esperança que afirma a presença de Deus na História, que Ele não está ausente, mas está comprometido com Seu povo até o fim do tempo. (1)

A esperança em tempos de resistência
Quando o poder da opressão é grande, gera medo e obediência servil, paralisando o pensamento de muita gente.  A frase “é melhor obedecer para evitar problemas!” é ouvida nesses tempos, como conselho sábio e prudente.
Mas o Espírito Santo sempre toca em pessoas que não decidem por emoções imediatas, mas ousam refletir sobre a realidade e se indignam diante da opressão e do poder colocado como absoluto por um grupo ou uma elite.
Nesses tempos a resistência se manifesta, geralmente, pela arte: a literatura, a música, e até mesmo artes plásticas.  Porque a linguagem da Arte é incompreensível para aqueles que, do alto de suas certezas absolutas, não enxergam nada além de sí mesmos e seus interesses mesquinhos ou os mesquinhos interesses de quem os manipula.  Como não compreendem, ou censuram ou consideram “coisa boba”.
Assim, as cópias manuscritas do Livro da Revelação, texto riquíssimo em simbologia e linguagem do Antigo Testamento,  circulavam livremente entre as comunidades, sem risco de serem compreendidas pelos “guardiães” do Império.  Afinal, pensavam as elites romanas, “é um texto cheio de visões de algum alucinado, nada que possa nos ameaçar!”
No tempo da minha juventude, em meio à minha militância política como cidadão e como cristão, a Arte falava o que não podia ser dito livremente, e os órgãos de segurança eram burros o suficiente para não perceberem a resistência se manifestando. A Música, o Teatro, o Cinema eram portadores das mensagens de esperança e de luta, eram a resistência agindo.

A esperança em tempos de incertezas e medo
Quando pensávamos que os tempos de obscurantismo haviam terminado e não voltariam mais, ei-los de volta. As elites tacanhas encontraram a brecha que procuravam para trazer de volta tudo aquilo que lhes convém: os interesses do grande Capital, a gestão da Educação manipulada para aumentar a ignorância e a burrice ( e a dependência servil), a derrubada dos direitos conquistados pela luta popular, o fechamento do mercado para os mais pobres, o descompromisso do Capital com o Trabalho, e tudo que temos visto neste país (e neste continente) desde os últimos  anos.
Espero que a Arte desperte para ser, novamente a voz da resistência. Espero que uma nova geração de artistas independentes se manifeste com a mesma criatividade e inteligência daqueles dos anos '60 e '70 do século passado.
Enquanto isso, vamos nos ajudando a sobrevier com aquelas músicas. Uma delas me agrada muito, e deixo aqui com você, leitor, para animar e fazer renascer a esperança, ‘pra nos socorrer, pra sobreviver’:

Novo Tempo
Vitor Martins / Ivan Lins
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
Não perca a esperança, resista de forma inteligente!
Não se deixe levar pela “coxinhagem” que permeia o país; ela está ficando cada vez mais fraca, porque – convenhamos – há coxinhas inteligentes…
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(1) - Se você quer conhecer mais sobre o Livro do Apocalipse,   acesse diretamente os estudos em  ESTUDOS ÍBLICOS.
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17 de out. de 2018

O que será de nós?

Protomartires da Igreja de Roma
Uma conversa com um amigo quase em pânico, no Facebook….
Ele me diz: “ (…) já to bem desesperado afirmo.” Pergunto: “ Porque? o que vc teme? e porque teme?”
Ele: “ O fascismo e o apoio evangélico aos mesmos, com o poder financeiro, politico e religioso.”
Então fiz a seguinte reflexão, aqui um pouco mais melhorada,  que quero partilhar com vocês que têm paciência em ler esses pirilampos e que talvez estejam numa situação semelhante. Advirto que não fiz pesquisa profunda para este texto, porque a urgência da hora não pode esperar procedimentos acadêmicos, os quais – quase sempre – chegam atrasados demais devido sua formalidade. Se você quiser se aprofundar, pesquise e faça as devidas correções no texto… o importante é a reflexão.

“ Mano, vamos refletir:
1- não é uma maioria de evangélicos que apoia o diabólico.  Apenas três tipos: aquela maioria pobre, mal formada, que é massa de manobra de Lobo vestido de Pastor; aqueles que fazem de Deus (o deus deles) sua máquina de prosperidade e bem estar e dizem que “o resto é vagabundo”; e aqueles que “não se metem em politica porque é coisa do mundo”, se tornando, assim, cúmplices e apoiadores silenciosos do Mal.
2 - poder financeiro sempre foi a marca dos adoradores de Mamona. (lembra o episódio do jovem rico?). E Jesus mesmo disse que não se serve a dois senhores: ou a Deus ou ao Dinheiro. Dinheiro é Potestade, pode dominar pessoas!
3 - poder político é exatamente a força do Anticristo. O Poder é outra Potestade: sobre à cabeça e domina pessoas, transformando-as em algozes (quem não leu, leia George Orwell – A Revolução dos Bichos -  para não dizerem que defendo a esquerda radicalmente!)
4 - poder religioso o tinham os saduceus e fariseus que, aliados ao poder político e econômico do Império Romano, foram os acusadores de Jesus diante do Império;
5 - Eu acredito que chegou o momento da hora da verdade. Deus está separando para nós as ovelhas dos cabritos. Deus está permitindo isso para despertar sua VERDADEIRA IGREJA para deixar de lado querelas doutrinárias e religiosas e para voltar-se à Sua Palavra que é o “Logos tou Theou” - Aquele que se fez  sarkis (carne física) e HABITA entre nós.
6 - Deus está acabando com a lenda da "índole pacífica do povo brasileiro", tão exaltada pela ditadura militar; Deus está revelando - de uma vez por todas - que "não é brasileiro" e que a tal índole é ódio reprimido causado pela eterna dependência do colonialismo. Deus está nos permitindo a oportunidade de RENOVAR A FÉ, MANTER a ESPERANÇA e continuarmos a pregar o Evangelho no espírito de SOLIDARIEDADE (Comunhão).

7 - O que será de nós? a pergunta da Igreja primitiva durante as perseguições...  e então vemos a história :
a) o Império caiu - demorou mais de mil anos, mas caiu duas vezes: 4 séculos depois de Cristo no Ocidente e 15 séculos depois de Cristo no Oriente;
b) o judaísmo dos saduceus e fariseus foi destruído pelo próprio Império, 70 anos depois de Cristo;
c) A Igreja de Cristo continua, aos trancos e barrancos, 21 séculos depois de Cristo.

8 - o que será de nós? pergunta do povo hebreu durante o exílio da Babilônia.
a) Babilônia caiu;
b) boa parte do povo retornou à sua terra; reconstruiu sua capital e seu templo...
c) outra parte do povo ficou na Babilônia e acabou formando lá um novo judaísmo, renovado, que gerou o Talmude e se tornou um dos mais importantes rabinatos do mundo.

PORTANTO:
a) mantenhamos firmes a nossa FÉ NO CRISTO RESSUSCITADO;
b) lembremos que não somos deste mundo mas estamos neste mundo - Jesus pediu (João 17) que não fôssemos tirados do mundo, mas que estejamos livres do Mal;
c) sejamos resistência, sem porra-louquice , sem  insanidade, sem se deixar levar pelo pânico, mas com sabedoria:  somos enviados ao mundo e aconselhados a sermos mansos como as pombas e prudentes como as serpentes;
d|) mantenhamos firmes na oração e no estudo da Palavra, porque Deus ama seu povo.

Assim a gente resistiu no passado, assim resistiremos no futuro.
Desanimar é a nossa tentação.  Lembre-se, todavia, que as portas do Inferno não se sobreporão sobre a Igreja de Cristo.
Mantenhamos contato uns com os outros, com mansidão e prudência, em solidariedade e comunhão, e nunca nos esqueçamos dos três jovens na fornalha e de Daniel na cova dos leões . Os anjos de Deus estarão sempre conosco, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Nossa geração já passou por isso antes… eles se foram, nós permanecemos; eles estão voltando, nós permaneceremos; eles voltarão a cair, nós permaneceremos! porque estamos em Cristo!

Jesus Cristo venceu o mundo! Com Ele, nós venceremos sempre!
Paz e Bem! O amor sempre venceu o ódio! #elenão
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8 de ago. de 2017

Recusando as datas de mercado

No próximo domingo, 13 de agosto, celebra-se a data comercial do Dia dos Pais, e para isso a mídia nos entope de propaganda para “homenagear o papai com carinho”, sendo que o carinho é o produto do anunciante….

Em muitas igrejas, faz-se uma celebração especial para os pais, como fazem também para as mães no Dia das Mães, outra data que vem sendo manipulada pelo mercado. E o mesmo vale para Natal, Páscoa, dia das Crianças, datas que o deus mercado (Mamona) tomou para si e seu arsenal publicitário quer nos fazer crer que “felicidade” é “presente comprado”.

Pessoalmente, eu não gosto de celebrar dia disso ou daquilo na Igreja. E mesmo as festas do calendário cristão eu não gosto de vê-las como mais um argumento de compra e estourar cartões de crédito. E agora já inventaram o Dia do Vovô, dia da Vovó, e logo vem o Dia do Titio, o Dia da Titia, e, porque não, o Dia do Vizinho, o Dia do Corrupto (ah! claro, não precisa, é todo dia!)…  e tudo isso criando o “dever” de “comprar presente” que, pode ser acompanhado por umas palavrinhas bobas e um abraço que sempre falta outros dias.

Assim prefiro celebrar o Dia da Maternidade e da Paternidade; prefiro celebrar a Semana da Paixão, ao invés da Semana Santa (cheia de pacotes de viagens); a Ressurreição do Senhor Jesus ao invés de Páscoa com seu coelho safado; a Natividade do Senhor ao invés do Natal cheio de “paz e alegria forjadas em um novo tempo que vai chegar”, mas que desaparecem no dia 26 de dezembro, quando a amizade, a solidariedade e a paz voltam para o lixo. Não gosto de dar Feliz Ano Novo, ou Feliz Natal, ou Feliz Páscoa, porque não sei bem o que isso significa em uma sociedade marcada pela hipocrisia e pelas fantasias sobre felicidade…
A
ssim, neste domingo, quero celebrar o Dia da Paternidade, que é muito mais que Dia dos Pais… porque a Paternidade é uma decisão que se toma, um dever que se assume, enquanto ser pai, muitas vezes é fruto de um acaso infeliz… Nem todo pai exerce a paternidade, assim como nem toda mãe exerce a maternidade, que é também um dever que se assume, nunca o resultado de uma ocasião errada.

Restaria ainda falar das “datas nacionais”, aquelas que neste país foram inventadas pela elite dominante, e fundamentadas em mentiras históricas e heróis inventados… mas isso fica para uma outra vez, um papo com quem estuda de fato História e não lê livrinhos formadores de ideologia a serviço da classe dominante.
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11 de fev. de 2016

Durante o Carnaval em Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Ilhado em Santa Teresa durante os intermináveis dias de carnaval (hoje é quinta-feira, já é Quaresma, mas um bloco anda por aqui enchendo o saco desde a madrugada!), com dificuldades para sair do bairro ou mesmo caminhar por ele, andei pela vizinhança; estou compartilhando um pouco do que vi e ouvi aqui pelas ruas próximas de casa.

1. "Si divertir"
Um bando de patricinhas e mauricinhos, tipo Leblon/Barra, por volta de uma da madrugada, ao lado de um Honda Civic cinza, com auto-falantes daqueles dignos de um Teatro Municipal, tocando aquelas músicas ridículas que incentivam a baixaria, quase aqui na esquina de casa. Fui lá pedir que abaixassem o som, uma moça mais pra nua que pra vestida, me diz:
_ "Todo mundo tem o direito de si divertir!"
_ " Mas sem incomodar os outros, mocinha!"
Um sujeito com cara de quem tinha tomados umas e muitas, e os olhos de quem tinha dado uma boa cheirada, me encarou feio e me mandu tomar lá no fundo da casa da Mãe Joana. Voltei pra casa (a minha, não a da mãe Joana), e usando da tecnologia modernosa, mandei um "zap-zap" para a PM, que veio rapidamente e acabou com o direito de "si divertir" dos babacas.

Uma coisa legal que a PM (5º Batalhão) fez aqui para Santa Teresa foi disponibilizar um celular e grupo no "zap-zap" para os moradores denunciarem todo tipo de delinquência, arruaça, assalto, etc. Um oficial fica de plantão recebendo as denuncias e toma as providências necessárias. Mais eficiente e eficaz que o "1-9-0", onde a atendente nos manda ir ao local e aguardar a polícia (como se bandido, assaltante e outros pentelhos fossem ficar ali esperando comigo a PM chegar).

2 .  Mijões
a) No jardim da igreja, surpreendo um sujeito urinando. Chamei sua atenção, ele me disse:
_ "Eu tenho o direito de mijar, pô"!
_ "Não no jardim da igreja, cara!"
Ele saiu, ainda apertado, virou a esquina da igreja eu fui atrás... lá estava ele dando a sua mijada!
_ "Nem no muro da Igreja, amigo!"
_ "Pô! nessa m... de bairro não tem onde mijar!"
b) Saio no portão de casa para um cigarrinho, e vejo uma moça agachada, urinado, ao lado do muro da igreja e tentando se ocultar atrás de um carro estacionado (na calçada).
_ "Menina! não faça isso! respeite você mesma!", eu disse virando o rosto para não constrangê-la mais.
A resposta dela foi idêntica à do mijão acima: 
_"Não tem outro lugar e estou apertada, padre".

Realmente, ambos tinham razão. Aliás, não só em Santa Teresa! a maioria dos botecos e lanchonetes no Rio não têm banheiro, e quando tem ou cobram para usar (se não for cliente - inclusive idosos) ou não deixam usar (alegam que é para evitar do sujeito ir lá para dar uma cheirada de pó ou fumar uma maconha).
A eficientíssima  Prefeitura do Rio, que está a serviço das máfias do transporte público, das empreiteiras e da industria do turismo, colocou pouquíssimos banheiros químicos pelas ruas da cidade, especialmente onde passariam os blocos carnavalescos. E, para completar, decretou uma multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) para quem fosse flagrado urinando em logradouro público, pela Guarda Municipal (que aliás, nunca aparece por aqui a não ser para ... deixa pra lá!). Ou seja: "como o consumo de cerveja é astronômico e as bexigas milhares, vamos faturar um pouco porque é ano eleitoral e o Partido precisa de grana para as negociatas naturais em busca de votos..."

3. A rua é de quem mesmo?
Um bando de "foliões", enchendo a cara de cerveja e comendo croquete de bacalhau, sentados na calçada quase na esquina de casa. Para alguém passar por lá, tinha de se deslocar para a faixa de tráfego, porque a calçada havia se tornado a sala de estar dos idiotas. [Aliás, é comum isso por aqui: o pessoal ocupa as calçadas e os pedestres que se misturem aos carros; ficam em pé ou sentados e se você quiser passar ainda te olham feio! isso sem contar quando os botecos ocupam descaradamente as calçadas com mesas e chegam até a colocar cerca na rua - o que é comum na Lapa - para ninguém atrapalhar os clientes que saboreiam seus quitutes (e enchem a cara)!]
Eu estava indo ao Cine Santa  (assistir A Grande Aposta - recomendo) e tentei passar pela calçada; eu disse, para as pessoas sentadinhas com seus croquetes de bacalhau e sua cervejinha, que ali não era lugar de sentar,  e alguém do grupo me disse:
_ "A rua é do povo!"
_ "Pode ser lá na sua rua, amigo, mas aqui, a rua é dos seus moradores e de quem precisa passar por ela!"
O cara disse "passa por cima" e novamente fui recomendado a mandar lembranças à Mãe Joana (e ainda recebi uma encarada do dono do boteco ao lado, afinal eu estava chateando seus clientes). Então, a caminho da casa da Mãe Joana (passando antes pelo Cine Santa), segui em frente, passei por cima da perna de um deles e "sem querer" pisei de leve no pratinho de croquete... pois é, a rua é do povo! e eu sou um cara do povo que tem o corpo um pouco mais largo que o normal! Claro que ouvi belíssimas palavras de elogio à minha modesta pessoa, além de ameaças à minha integridade física.
É mole?
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Não sou contra o carnaval, nem que as pessoas busquem diversão, comam seus bolinhos de bacalhau, tomem sua cervejinha. Mas eu acho que as coisas tem um limite, o limite do bom senso e da boa educação.

Entretanto, nestes tempos de "direitos sem deveres", de manifestação exacerbada dos egos, e da autopromoção para lembrar a si mesmo que existe, o que vale mesmo é a já famosa frase "danem-se os outros!"

Mas, felizmente, ainda há pessoas com quem vale a pena conviver, partilhar e conversar. Apesar de tudo, Deus seja louvado. Amém!

PS: soube agora, pelo eficaz  sistema de informações de Santa Teresa - boca-a-boca, de vizinho pra vizinho - que o tal bloco que chateou o bairro desde a madrugada foi liquidado pela Polícia...

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29 de jun. de 2015

Homoafetivos e Banqueiros.

Bandeira Homoafetiva

É público e notório o ódio às pessoas homo-afetivas esparramado por gente que se diz “cristã” e manipula a Bíblia para justificar esse preconceito que se torna ódio irracional.

Até há 60 anos atrás, nos Estados Unidos (já que a maioria dos brasileiros é fascinado por aquela nação) cristãos brancos exibiam descaradamente seu ódio às pessoas negras, fossem elas cristãs ou não. Claro, justificavam suas posições usando a Bíblia… De fato, a Bíblia pode justificar qualquer coisa  quando usada de má fé e de forma ignorante, aliás, como a ciência.

Há alguns anos, eu atuava como Secretário Regional do CLAI* para o Brasil, fui convidado para apresentar uma palestra em evento nacional de uma das igrejas membros do Conselho. O tema, até mesmo devido à minha função, era Relações Ecumênicas e Cooperação. Terminei a palestra, cerca de 25 minutos, e convidei ao plenário apresentar perguntas.  Para minha surpresa, recebi três perguntas por escrito, as três com o mesmo teor, que pode ser resumido assim: “Parece que a sua Igreja tem discutido o tema da homossexualidade, pode explicar como tem sido isso?”  Entendi, então, porque eu havia sido convidado e que o assunto preocupante para aquelas pessoas era a questão da homossexualidade na Igreja, e não necessariamente as relações ecumênicas...

Não fugi do assunto. Pelo contrário, expliquei que a Igreja Episcopal estava dando início à discussão sobre o tema de maneira pública, a exemplo do que vinha acontecendo em outras Igrejas da Comunhão Anglicana. Informei que a Igreja estava ainda em fase de debates teológicos sobre o tema, e ao mesmo tempo colhendo subsídios através de outros campos do conhecimento humano, mas que a discussão evoluiria até chegar ao nível das comunidades locais, as Dioceses e suas paróquias e missões; informei ainda que mais detalhes de como andam as discussões e documentos já produzidos poderiam ser obtidos com a Secretaria Geral da Igreja ou com o Centro de Estudos Anglicanos.

Seguiu-se então um tremendo debate. Muitos pastores se pronunciaram contrários, e alguns que eu sabia serem favoráveis temiam manifestar-se.  Eu apenas ouvia os comentários, distribuindo a palavra a quem pedia. Resolvi não me pronunciar porque percebi que aquele era um tema que estava criando possibilidades de divisão da Igreja. Mas eu não resisti comentar a fala de um jovem pastor que afirmou estar no início de seu ministério.

Demonstrando uma certa ira, ele esbravejou contra as pessoas homoafetivas, citando a bíblia a torto e a direito, especialmente pedaços de versículos, e reparei que ele estava usando uma versão da bíblia de péssima tradução, muito antiga e hoje em dia irrelevante.

Em certo momento ele afirmou categoricamente e apresentando até uma certa arrogância: “Eu jamais darei a Santa Ceia a um homossexual!”. Eu não resisti, o interrompi e larguei a pergunta:  “Você daria a Santa Ceia a um banqueiro?” . 

Ele respondeu que sim, se fosse um banqueiro cristão, claro que poderia receber a Ceia. Então eu respondi a ele:  “Interessante a tua postura pastoral e teológica. Você esbravejou versículos bíblicos fora de contexto, até mesmo modificou o sentido de alguns, para justificar que não daria a Ceia a uma pessoa homossexual. Todavia um banqueiro vive de usura, e a Bíblia, ai sim, está cheia de afirmações condenatórias da usura e do usurário. Então, eu não entendo teu critério de ler a bíblia.”

Acabei de dizer isso, o plenário explodiu em aplausos de pé e o rapaz se retirou cabisbaixo…

Pois é, caro leitor. E você, daria a comunhão, ou a tomaria ao lado de um banqueiro? Tomaria a comunhão das mãos de um pastor preconceituoso e semeador de ódio aos diferentes?

A quem, afinal, tu serves, ó cristão? ao preconceito ou ao Cristo?
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* CLAI – Conselho Latino-Americano de Igrejas.
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29 de mar. de 2014

Civilização da Idiotice (um desabafo politicamente incorreto, graças a Deus, sem qualquer prudência literária!)

Estado idiotizadorGrande parte da população ocidental (não tenho conhecimento ou experiência suficiente para analisar a população oriental)  é composta por gente idiota, pessoas que agem sem pensar; que, pela ignorância induzida, se deixam levar pelas mais vergonhosas formas de publicidade, convencidas, por exemplo, que precisam comprar o último modelo de um simples telefone celular (que na verdade é muita coisa junta, inclusive telefone) para serem reconhecidas e respeitadas pelas outras pessoas idiotas que, por isso mesmo, debocham e manifestam seu desgosto porque alguém não tem o último modelo… que, até então não lhes fazia falta e realmente não lhes faz falta a não ser para ficarem “por dentro”… ou seja serem reconhecidas e acolhidas pelas outras pessoas  como “normal”, “atual”, “moderno”, “in”, … essas babaquices todas!

A economia capitalista necessita do consumo para crescer; o consumo, para se manter crescente e cada vez mais produtor de riqueza (que não é distribuída, mas acumulada por poucos), necessita de produtos que durem pouco, porque afinal a quantidade de consumidores não é infinita… ou seja, o mercado precisa que a gente re-consuma as coisas para se manter ativo… e por isso inventa necessidades que não temos para que pensemos que as temos (para isso serve a publicidade indutora de “valores de felicidade”) e com isso, consumir aquilo que nos convencem ser realmente necessário para sermos felizes! É mais ou menos isso que se chama “realidade líquida” (cf. Bauman).

A massa idiota se encanta com as “novas” tecnologias, que se apresentam no mercado como surgidas de forma mágica, do nada, massa muito admirada com a capacidade científica do Império… Na verdade, quando uma “nova” tecnologia surge no mercado, ela já está ultrapassada e com prazo contado para durar (hoje em dia, algo em torno de seis meses no máximo). 

Por exemplo, a NASA colocou os primeiros astronautas na Lua no início dos anos 60 do século passado, e isso foi possível porque já estava disponível (secretamente) uma tecnologia computacional em máquinas de tamanho reduzido, ou seja, um possante computador com a incrível capacidade de 16 Kb  que cabia nos menos de 10 m2 das cabines das naves espaciais das séries Mercury e Apolo1. Ou seja, o micro-computador, que só chegou ao mercado cerca de 30 anos depois, já existia quando se tornou consumível. Não chegou antes porque era considerado tecnologia militar e a Guerra Fria comia solta (os soviéticos, aliás, tinham uma tecnologia computacional muito avançada também, e não mandaram homens à Lua porque seus robôs eram muito mais eficazes, conseguiam pousar em terra firme e no ponto determinado previamente; além disso, conseguiram pousar em Vênus, onde os americanos quase sempre falharam). 

Nos anos 90 os Computadores Pessoais (PC’s, já que a gente adora anglicismos) duravam alguns anos; hoje a cada ano, no máximo, se tornam obsoletos, estão cada vez mais reduzidos e com maior capacidade (simplesmente para facilitar a interface humana, não para processar os dados). Caíram na gandaia do mercado… e lá vai a massa idiota consumir…

Uma das afirmações do tipo “auto ajuda imbecil” que se partilha e re-partilha aos milhares nas redes sociais (na verdade, o consumo de banalidades que gera milhões de dólares para a dita “indústria da informação”) é a afirmação de que somos responsáveis pelas nossas escolhas… e sofremos as consequências delas! Isso é totalmente idiota! Simplesmente porque, na maioria das vezes não temos escolha ou somos enganados, levados pelas mais sutis formas de indução e controle externo da vontade pessoal…

É fácil dizer que se fez escolha errada quando, na verdade, não havia escola pública de qualidade para que o pai pobre pudesse matricular seu filho; que opção ele tinha? Tanto que o Governo, para aliviar a consciência do Estado, cria normas imbecilizantes como aprovação compulsória nas escolas, quotas na Universidade para estudantes da rede pública e outros paternalismos que impedem o desenvolvimento de uma massa crítica na sociedade e de uma consciência cidadã.

Essa é a sutil maneira encontrada pelo “sistema de dominação” para nos manter na permanente sensação de culpa pelas mazelas que acontecem em nossas vidas e na própria sociedade, e aliviar-nos com o consumo de coisas realmente das quais não precisamos. 

A Culpa, aliás, tem sido a base da cultura ocidental devido à nossa herança trágica do mundo judaico-cristão utilizada de forma muito esperta pelas elites dominantes desde o Império Romano dito cristianizado (a famosa “cristandade”, ou seja, cristianismo de massa, e como tudo que é massa, plenamente maleável e ajustado, sem vontade própria). Sentindo-se culpado pela própria impossibilidade de viver com dignidade, o sujeito fica cego para a baderna política do toma-lá-dá-cá, e fica retido em um curral eleitoral com medo de perder as benesses do paternalismo estatal!

Pão e Circo era o esquema do Império Romano… hoje, o circo é eletrônico, o pão está envenenado pela indústria alimentícia  e é pouco! 

A culpa é sua por ter escolhido nascer; tá reclamando do quê?

Nota de Rodapé:
1 Note Bem: você acha que os astronautas eram capazes de pilotar uma nave, como se fosse um avião, movida à gravidade? a complexidade dos cálculos necessários e a velocidade que devem de ser feitos para conduzir a navegação adequadamente, estão além da velocidade de processamento do cérebro humano. Tanto que cada nave levava dois computadores exatamente iguais para em caso de pane em um, o outro continuar pilotando a nave em contato via rádio com os computadores em Huston.
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26 de ago. de 2012

VOTO DE CABRESTO OU RESPONSABILIDADE PASTORAL?

FALE

Fico feliz em ver o FALE assumindo essa campanha! O FALE foi uma iniciativa que começou quando eu era o Secretário Regional do CLAI para o Brasil, e foi exatamente o apoio institucional do CLAI que permitiu o surgimento do FALE. Por muitos anos fiz parte da equipe de assessores e redatores do FALE. Uma das mais belas iniciativas realmente evangélicas, inspirado no movimento SPEAK-UP da Inglaterra, o FALE do Brasil se tornou o maior grupo da Rede no mundo.

O posicionamento do FALE vai exatamente contra aquele tipo de clérigo que “vende” seu voto e o voto de sua congregação, em troca de favores políticos, escusos.

Isso não significa afirmar que clérigos devam esconder suas posições políticas! Exatamente por sermos um Estado Laico, os clérigos são primeiro Cidadãos (porque não nascem clérigos) e devem exercer sua cidadania com transparência e devem SIM, por serem formadores de opinião, ajudar o povo de suas comunidades a exercer sua cidadania, como princípio ético. Não se trata de "obrigar" o voto, mas levar à uma análise crítica da realidade à luz da Palavra de Deus, o que seria de fato seu papel como teólogo com a comunidade. O que não se deve fazer, por ser antiético, é atrelar seu ministério a um projeto eleitoral que implique em "benefícios para a igreja".

Calar-se diante de uma realidade por ser clérigo, seria na verdade apoiar uma situação existente e um núcleo de poder político. Nesse caso Dietrich Bonhoeffer, por exemplo, não poderia ser considerado uma referência ética cristã contemporânea. Seu posicionamento político foi bem claro e o levou a atitudes radicais diante de um poder diabólico que - exatamente em nome da neutralidade religiosa, foi apoiado pela Igreja oficial.

Nada deve parecer natural
Se o pastor omitir-se, a mídia vinculada ao poder dominante atrela o povo... Os opressores poderosos não são invencíveis!


Meus paroquianos sabem com clareza minha posição política, ela está expressa de forma transparente até mesmo no FACEBOOK, e nem por isso sentem-se no cabresto do seu pastor. Aliás, aqui no Rio, eu voto FREIXO.

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21 de jul. de 2012

Do Poder, do Episcopado e outros babados.

s_pedroepaulo Instituições tem a cara dos seus dirigentes. O caráter humano é essencial na identidade de cada instituição. O caráter humano é muito influenciado pelo poder, essa “coisa mágica” que permite algumas pessoas exercerem autoridade sobre as outras dentro de um espaço institucional, seja a família, seja o Estado, seja uma ONG, seja uma comunidade de fé ou uma denominação religiosa.

Quando se trata de uma instituição religiosa, a coisa se complica um pouco mais, porque há tendência das pessoas sacralizarem a instituição, ou seja, pensar a instituição como algo divino, de tal forma que seus dirigentes são entendidos como “escolhidos pela Divindade”, e portanto sua autoridade e seu poder emana do próprio Divino.
[Uma piadinha teológica: quem quer que já tenha participado de um processo eleitoral para a escolha de dirigentes eclesiásticos, de qualquer denominação cristã, sabe os conchavos e acordos que são feitos entre os diferentes grupos de interesses que naturalmente existem em qualquer agrupamento humano. Como cada grupo se entende iluminado pela Divindade, podemos imaginar a Divindade em contradição consigo mesma! ou então, morrendo de rir com a petulância de cada grupo! ]
Houve tempos e sociedades (e ainda hoje há algumas sociedades assim) em que o Estado se confunde com o Divino; chamamos isso de Teocracia. Há centenas de exemplos históricos demonstrando que as teocracias foram um fracasso e não acabaram bem… e as populações à elas submetidas sempre viveram mal. No mundo ocidental, após a queda do Império Romano do Ocidente, o poder ficou pendente entre a nobreza que sobrou do Império, os chefes das clãs “bárbaras” e a Igreja Cristã.

Já naquele tempo, enquanto a Igreja do Oriente era etnicamente e culturalmente dividida, a Igreja do Ocidente se identificou como Instituição sólida e “católica”, ou seja, a mesma “única igreja” e idêntica em todo o “mundo”, assumindo o poder unificador antes exercido pelo Império Romano; aliás, até a cúpula da Igreja ficou localizada na antiga Cidade Imperial. Assim, as negociações pelo controle do poder acabaram gerando uma relação de mútua dependência entre o que hoje entendemos como Estado (forçando a barra, porque pensar em Estado na época medieval é um tanto quanto absurdo) e o poder “sagrado” da Igreja. Bispos coroavam Reis e as complexas relações de senhorio e vassalagem criavam um certo equilíbrio, não muito sólido, mas administrável. Com o advento da Modernidade, o poder do Estado foi se tornando independente do poder sobre o Sagrado, embora as relações entre ambos sempre fossem cordiais (com raras e históricas exceções) promovendo fluxo de privilégios de um para o outro em mão dupla.

A Reforma do século XVI e as posteriores reformas acontecidas a partir dai na Igreja do Ocidente, não mudaram esse quadro. Porque tal quadro é inerente às instituições… a disputa de poder interno é parte da natureza das instituições – qualquer instituição, porque são constituídas por pessoas e todas as pessoas estão sob a dinâmica de Gênesis 3: a tentação de ser igual a Deus e perder o Paraíso...
Como instituição em si mesma, a Igreja não tem sentido algum, nem tem finalidade alguma na realidade humana. Viveríamos muito bem sem a Igreja enquanto pensada como instituição. Até porque muita gente vive bem e feliz sem estar ligada à qualquer coisa que seja religião institucional. Mas há uma natureza transcendente na Igreja que vai além de sua institucionalidade: é sua compreensão enquanto parte do Povo de Deus (o Qual tem muitos nomes e muitos povos).

A reflexão que se segue é focada exclusivamente na Igreja onde estou. Perdoem-me os leitores de outras denominações e confissões, mas talvez tal reflexão possa ajudar, com as devidas adequações, uma reflexão em outros contextos.

A Igreja onde vivencio comunitariamente a minha fé e exerço meu ministério é uma Igreja Episcopal (até no nome!). Isso significa que a Autoridade na Igreja é exercida pelo Episcopado, porém, entre nós, o Episcopado não é um absoluto em si mesmo (embora hajam bispos, clérigos e leigos pensando que seja!). Bispos são eleitos pela Igreja, clero e povo (já fica claro que o clero não é povo! mas chamado e separado para ser servo do povo!), não são nomeados por uma autoridade central (no caso da Igreja da Inglaterra, é um pouco diferente, mas isso é lá um problema deles, eu não tenho nada com isso e nem me afeta diretamente) e seu poder é exercido dentro do conceito de Autoridade Dispersa e Compartilhada, que é um dos nossos princípios basilares de identidade e nos caracteriza como uma Igreja de Tradição Católica e Reformada . Qualquer presbítero ou presbítera poderá ser levado ao Episcopado  pelo voto da Igreja conforme normatizado pelos Cânones Gerais [ inclusive eu, embora haja gente que treme na base ao imaginar isso! (risos irônicos) ].

Atribui-se ao Apóstolo Paulo a afirmação que “quem aspira ao Episcopado, boa coisa aspira” (1ª Timóteo 3.1), embora na Almeida Revista e Atualizada conste “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja”  e na Nova Versão Internacional o texto diz “Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função”. Importante notar que a Palavra se refere à obra ou à função! O Apóstolo vincula o conceito de episcopado ao conceito de serviço (Diaconia!).

Eu sempre digo aos seminaristas pretendentes ao Ministério Ordenado, especialmente ao Presbiterado, que é dever nosso como presbíteros ter muita clareza sobre o fato do Episcopado ser um horizonte possível no ministério de cada um. Cada um de nós deve ter uma posição bem clara sobre a possibilidade de ser chamado ao Episcopado: em primeiro lugar, se aceitaria isso para sua vida; em segundo lugar, em que circunstâncias de sua vida aceitaria isso (em que momento de sua vida), em terceiro lugar, quais os critérios próprios para aceitar a indicação.

Caso contrário, o Episcopado pode surgir como uma “evolução natural da carreira eclesiástica”, como é o generalato para a carreira militar. Acontece que o Episcopado não é isso, Bispos não são Generais mas são Pais ou Mães em Deus (ou deveriam ser e comportar-se como), nem recebem o Episcopado pelo mérito de uma carreira bem sucedida e pelos “bons serviços prestados à Igreja” (quando alguém é eleito Bispo nessas condições, quase sempre dá em merda!): Episcopado não é coroamento de carreira, porque o Ministério Ordenado não é uma carreira profissional, pelo menos eu o entendo assim. Evidentemente que, ao olharmos a Igreja em seu aspecto institucional, há uma carreira eclesiástica, mas há o caráter transcendental que define o Ministério como chamado e  envio para o Serviço em nome do Senhor Jesus Cristo, em fiel obediência a Deus e aberto à ação do Espírito Santo.

De fato, eu comecei a pensar nisso ainda no tempo de seminarista, até mesmo porque alguns dos meus professores estimulavam que todos nós fizéssemos essa reflexão. Assim, desde muito cedo eu tenho bem claro o horizonte do Episcopado e tenho bem definidas as respostas às questões enunciadas acima.
Além disso, entendo o Episcopado como um serviço e portanto não tenho um projeto pessoal de Episcopado, porque o projeto que interessa é o projeto da Igreja, da Diocese. O erro da Igreja Episcopal no Brasil (e em outras partes do mundo) é que se elege um Bispo e não um Projeto para o qual se busca o líder adequado para sua execução por toda a Igreja Diocesana. Ou seja, elege-se o Bispo e dane-se ele! Tudo passa a depender dele e - ou se concorda e apoia ou se discorda e faz-se oposição velada. 

 Eu entendo que o Episcopado deve ser exercido de forma a contemplar um plano diocesano de ação e não um projeto pessoal.  Assim, a minha grande condição para aceitar concorrer ao Episcopado seria que me fosse oferecido e mostrado um Plano Diocesano, que não são metas simplesmente, mas um Projeto que tenha claro de onde se parte e de onde se quer chegar, e as alternativas de caminho, e eu de fato avaliaria se me sinto capaz – e se sou a pessoa adequada – para exercer tal responsabilidade de liderança. Como a Igreja é recheada pela cultura política brasileira, não há projeto, mas apenas o desejo de ter alguém que carregue o piano e favoreça uns e outros…  Não é o Bispo que deve ter um projeto, mas a Igreja Diocesana. E, de preferencia, que seja construído antes do Bispo… e que depois da escolha do Bispo o projeto seja executado pelo conjunto da Igreja e aferido, avaliado e reformulado sempre com a participação de toda a Igreja.

Acho que o Bispo não deve ser o gerente da Igreja; deveria deixar isso para especialistas que estão na Igreja; o Bispo deve ser Pai (Mãe) e Pastor do Clero e com o Clero, Pai (Mãe) e Pastor do Povo. Todo clero é incardinado em seu Bispo (termo técnico que designa a vinculação ao Bispo) e por isso, o Bispo deve estar incardinado em seu Clero e Povo (estar no coração). Mas é preciso que a Igreja amadureça muito ainda para entender e viver isso realmente, e – pela minha idade – não verei isso acontecer…

Nos próximos doze meses a Igreja deverá eleger pelo menos três novos Bispos. Não sou candidato em nenhuma dessas eleições: em duas nem fui convidado a sê-lo (rsrsr), e para todos que me sondaram para a terceira, fiz a mesma pergunta: qual é o projeto diocesano? até agora ninguém me deu resposta adequada e por isso, agradeço a lembrança do meu nome mas… não me sinto capaz de carregar e tocar sozinho pianos desafinados – se houver uma orquestra, até posso ajudar com o piano, ou um violino, mas uma orquestra só toca bem com bons músicos e uma boa harmonia, e isso não depende só do regente, mas de cada um com seu instrumento.

Que Deus abençoe a IEAB, e que o Espírito Santo oriente – com paciência! – os processos de eleição episcopal em curso.
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14 de mai. de 2012

Do poder e do penico.

PenicosOs políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente, e pela mesma razão!  (Eça de Queiroz)
Não sei quando o Eça disse isso, se publicou ou não, nem mesmo se é o autor da frase… peguei a citação no Facebook. Todavia, é uma frase feliz, de grande senso cidadão.
Na verdade, isso vale para qualquer um que exerça autoridade e esteja investido de poder. Para evitar se contaminar, sempre é bom não acumular muito tempo no poder e no exercício da autoridade... isso vale em qualquer instituição, INCLUSIVE na Igreja! Porque ninguém é imune ao poder corruptor do Poder!
Houve uma Ordem, Monástica, em tempos passados – não me lembro qual mas provavelmente de Regra Beneditina – onde havia uma norma sobre o Superior Geral: ao término de seu tempo de governo (exercício do poder e da autoridade) o monge, até então o Superior Geral, era designado para a função de Irmão encarregado das latrinas do mosteiro, ou seja, o sujeito que tinha de cuidar da merda de todo mundo! Isso, dizia a norma, era para que ele se desintoxicasse e se limpasse do poder e da autoridade, para que reaprendesse a servir e a obedecer, pois até então fora servido e obedecido pelos demais confrades.
Também dizia a norma que o Superior recém eleito, antes de ser investido da autoridade, deveria passar alguns meses como Irmão Porteiro, cuja cela ficava fora da clausura, ao lado do Portão Principal, e que devia atender à porta qualquer hora do dia ou da noite. Era ele quem atendia os peregrinos que buscavam alguma ajuda, atendia os doentes que buscavam remédios, enfim, era o sujeito a quem cabia a responsabilidade de atender a todo mundo que batia à porta. Também competia a ele cuidar das montarias dos hospedes… Assim, o pobre do Irmão Porteiro (futuro Superior Geral) era um sujeito que não tinha muito descanso, e devia ser carinhoso, atencioso e prestativo, ter bom senso e muita paciência. Segundo a Norma, ele aprenderia a servir e a atender a necessidade dos demais confrades, pois sua principal função como Superior era o bem estar da comunidade.
Assim, antes e depois do tempo em que exerce a autoridade, o monge tinha de passar por funções simples e, ao mesmo tempo, humildes, para evitar a contaminação pelo Poder.
Acho que a gente devia ter alguma norma parecida para balizar as pessoas a quem delegamos autoridade no campo social e político.  Por exemplo: após as eleições para qualquer cargo, os eleitos  - antes de tomarem posse do poder – deveriam compulsoriamente servir como garis, garçons, faxineiros, porteiros, e outras tarefas subalternas que exigem paciência e habilidade em lidar com os outros. A ideia é que antes de exercer a autoridade, a pessoa seja submetida à outras autoridades… E também deveria ser obrigado, ao término do mandato, o exercício de funções subalternas, para evitar a arrogância…
Penso que na Igreja isso também deveria acontecer. Na verdade, na tradição herdada da Igreja Antiga, todos os clérigos são ordenados primeiro ao Diaconato, para depois, se assim o desejarem, receberem a Ordem do Presbiterado e posteriormente a do Episcopado.  Ou seja, todo Bispo e Bispa, todo Presbítero e Presbítera é, antes de tudo, Diácono/Diácona – a Ordem do Serviço. Portanto, qualquer que seja a hierarquia, todos os clérigos e clérigas são iguais – são Diáconos e Diáconas; as Ordens posteriores são colocadas SOBRE o Diaconato, não em lugar do Diaconato. Ou seja, toda a Hierarquia está apoiada na base do Serviço e a autoridade é exercida a partir dessa plataforma: o servir!
Entretanto, não é isso que a gente vê na maioria das vezes… Sacerdotes e Bispos que adotam posturas senhoriais, arrogantes e autoritárias… como se a Igreja (Paróquia, Diocese) fosse propriedade sua e não espaço do SEU serviço.
Seminaristas deveriam, além do estudo teológico, passarem por processos obrigatórios de estágio atuando em comunidades e situações limites: capelania hospitalar, serviço social e pastoral com moradores de rua, servir voluntariamente em hospitais destinados a doentes terminais… não serão bons pastores e pastoras se não conhecerem em profundidade os limites humanos da dor, da tristeza e da exclusão! Não poderão ser sinais da misericórdia amorosa de Deus se não compreenderem o que é necessitar de misericórdia.
Ao se tornarem Diáconos e Diáconas, deveriam ser obrigados a atuar ainda nessas situações limites, como servos e servas. Além de serem sinais do amor misericordioso de Deus, seriam também interlocutores para a Comunidade da Igreja sobre as necessidades do mundo… manteriam os olhos da Igreja voltados para as dores e misérias humanas, inspirando a missão e a ação evangelizadora.
Mesmo depois de receber o Presbiterado, de tempos em tempos seria bom que voltasse a exercitar concretamente o Diaconato, um período onde estaria em contato novamente com os limites humanos… e isso também deveria ser obrigatório aos Bispos e Bispas… deixar a Mitra e o Báculo no Altar e voltar – de tempos em tempos – a carregar o alforje do Diácono de forma concreta e engajada, não de forma simbólica.
Isso ajudaria todos nós a resistir quando tentados pelas benesses do Poder e do exercício da Autoridade, e sermos fiéis ao Senhor que se apresenta como Aquele que Serve, o qual nos separou para sermos sinais de SUA AÇÃO (serviço) no mundo. Um semestre sabático afastado do encargo e da solidão do poder permitiria aos Bispos e Bispas e também aos Párocos e Párocas avaliarem-se desnudos diante do Senhor da Vida e da Igreja e desintoxicarem-se dos demônios que rondam o Poder…
Isso seria um novo paradigma para a Igreja que tenta ser sinal do amor de Deus em um mundo cada vez mais centrado no ego e na auto-satisfação consumista, um mundo cada vez menos solidário…
O Poder, seja qual for, sempre tenta e quem cai na tentação acaba fazendo merda! de tempos em tempos, é bom que os grupos humanos limpem seus penicos!
Fica a proposta…
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FOTO: Museu do Penico, Salamanca, Espanha
Espalhados pelos diferentes cantos do mundo, encontram-se museus dos mais curiosos, como o do penico. Fundado em 2007, o Museu do Penico encontra-se instalado no Seminário de São Cayetano, junto à Catedral de Ciudad Rodrigo, a cerca de 30 km da fronteira de Vilar Formoso. Fruto do esforço de José María del Arco, o Museu do Penico abriga 1.300 peças diferentes provenientes de 27 países diferentes entre eles Portugal, tendo sido a maior parte deles oferecidos ao proprietário. Uma proposta diferente e a oportunidade de admirar um aspecto original do legado histórico dos nossos antepassados.
Uma visita ao Museu em Salamanca? Vale a pena ver tamanhas relíquias! Ah, e faça questão de não encostar em nada hein?
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6 de dez. de 2011

Querem mudar o nome da Árvore de Natal!!!

Árvore de Natal

Mais uma novidade “bizantina” nos EUA. Agora lá não se pode dizer “Arvore de Natal”, especialmente se for patrocinada por algum órgão governamental, em respeito aos não cristãos! Tem de chamar “Arvore de Festa”! É o tal politicamente correto…
Os ateus não devem se ofender com isso, com certeza, até porque curtem bem as festas de Natal, trocam presentes, tudo dentro dos conformes com a sociedade de consumo. Talvez o problema seja a população judia… mas os judeus sempre se deram bem nos EUA e nunca criaram caso com árvores de natal, afinal é parte da cultura do hemisfério norte celebrar o solstício de inverno com a árvore enfeitada com luzes e prendas. Os evangélicos não são, pois também são chegadinhos a uma árvore de Natal.  Não creio que os hinduístas sintam-se ofendidos com uma árvore de Natal. Restam os mulçumanos, talvez?
Interessante, porém, que em vários países confessionalmente não cristãos, os cristãos que lá vivem não se importam muito com as celebrações culturais daqueles povos. Mas em vários, os cristãos são perseguidos, não têm liberdade de culto, e às vezes vivem na clandestinidade. Que eu saiba, os EUA nunca deram importância para isso…
Posso compreender que nem todo mundo é obrigado a celebrar o Natal. Assim como ninguém deve ser obrigado a respeitar as sextas-feiras (dia sagrado dos mulçumanos), os sábados, o Pessach,  ou fazer um mês de jejum no Ramadã.
A questão é, caso haja ofensa em celebrar-se o Natal, porque manter o feriado? afinal, para que seria o feriado de natal? para festejar o quê? Se os EUA mantém feriado no Natal, porque a implicância com a árvore? incoerente é também celebrar o Dia de Ação de Graças, festa exclusivamente cristã e puritana… Talvez eles mudem o nome para Dia de Comer Peru…
Aliás, para que tornar o domingo um dia de descanso? isso não é também um costume cristão? Será que nos EUA os mulçumanos têm liberdade de não trabalhar nas sextas-feiras? e os judeus e todos os sabatistas nos sábados?  Não sei que dia da semana aconteceu a Independência dos EUA (e estou com preguiça de fazer cálculos); vamos supor que tenha sido numa quinta-feira. Seria mais coerente então eles reservarem as quintas-feiras para seu descanso semanal… (e nesse caso, ninguém iria gostar das sextas-feiras).
Fico pensando naqueles milhares de hinduístas que vivem nos EUA e são obrigados a sentir o cheiro dos hamburgues… alguns são realmente feitos com carne de vaca! Deviam proibir os hamburgues porque ofende os hindus. E nada de cachorro quente com salsicha de carne de porco, pois judeus e mulçumanos podem se ofender. Aliás, as propagandas de bebidas alcoólicas não ofendem os abstêmios?
Caramba! e lá eles chamam Papai Noel (Papai Natal) de Santa Claus, um título cristão, corruptela de São Nicolau! Logo vão mudar para Papai Coca-Cola, uma vez que o Papai Noel pintado de vermelho foi divulgado em 1931 para exatamente fazer propaganda da Coca-Cola e aumentar seu consumo durante o inverno (dezembro, no Norte, é inverno)!
Sinceramente, sabem o que eu acho? acho que os norte-americanos não sabem fazer sexo e vivem compensando sua libido frustrada com bizarrices “politicamente corretas”. Não incluo ai os canadenses e os mexicanos, também considerados norte-americanos. Os mexicanos são latinos e portanto, curtem sexo muito bem; os canadenses, pelo menos o pessoal do Quebec, pela sua tradição francesa, também devem saber tirar proveito da sexualidade…
O pior é que como aqui no Brasil está cheio de mico admirador da “curtura” estadunidense, logo vamos ter nossos libertários clamando pelo direito de desrespeitar a cultura como se Estado Laico significasse Estado sem fundamento cultural. Aliás, o conceito de Estado não é coisa de europeu? isso deve ofender a todo mundo que não seja europeu, obrigados a viver sob uma organização social imposta por uma cultura…
Cacete, o mundo está ficando muito chato!
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13 de nov. de 2011

Sobre o tal Diálogo Inter-religioso

Começo dizendo que não tenho simpatia por isso. Dou vários motivos.

Em primeiro lugar, a existência desse conceito reduz muito o significado real de “Ecumenismo”. É invenção da Igreja de Roma separar “Diálogo Ecumênico” (que seria entre cristãos, ou melhor Igrejas – instituições eclesiásticas) de “Diálogo Inter-religioso” (com instituições religiosas não cristãs).  Friso que é institucional porque na Dogmática Romana, eclesiástico e eclesial são a mesma coisa: todo diálogo é institucional. Para mim, que adotei o Protestantismo após minha conversão a Jesus Cristo, e tomando minha experiência desde a conversão com a convivência entre diferentes, Ecumenismo é algo muito mais abrangente que um diálogo entre meia dúzia de instituições eclesiásticas cristãs. Ecumenismo, que não precisa ter a palavra “diálogo” ao lado, é uma ação que envolve pessoas, não instituições. Pessoas que se reconhecem diferentes em aspectos de cultura e/ou de fé, de visão de mundo, mas que são capazes de – apesar das diferenças e contradições entre elas – realizar ações concretas em favor de uma causa maior que sua própria experiência religiosa: ações em favor da Justiça e da Paz, por exemplo; em favor dos Direitos Humanos (porque antes de ser religioso, eu e você somos seres humanos), e também em favor de causas mais pontuais e específicas, como por exemplo saneamento básico em um bairro, ocupação de uma área rural improdutiva, e por ai vai. Ecumenismo, no meu entender, é uma ação realizada por pessoas de diferentes credos e culturas visando um bem comum maior.

O que tenho visto acontecer sob o título de “Diálogo Inter-religioso” são encontros de pessoas que representam instituições religiosas para conversar sobre amenidades teológicas ou promoverem uma ação de interesse comum não necessariamente de interesse social amplo, mas às vezes é. Por que então, pergunto eu, não pode ser entendido como Diálogo Inter-religioso quando vou jogar xadrez na casa de meu amigo que é mulçumano, e convivemos com respeito e solidariedade mútuas? talvez porque a gente não fala de religião?! às vezes até falamos, mas não compomos uma bombástica declaração conjunta… apenas nos saudamos e nos despedimos com um abraço fraterno expressando o carinho e o cuidado mútuo, frutos da amizade. Essa relação com meu amigo mulçumano não se enquadra como diálogo inter-religioso, mas se encaixa perfeitamente no que entendo como relações ecumênicas.

Em segundo lugar, eu entendo que Diálogo Inter-religioso – se é que isso realmente seja possível - é uma área da Antropologia – quase um estudo de religião comparada, porque religião é muito mais um aspecto cultural que existencial; a fé é existencial, resulta de uma experiência pessoal subjetiva e, portanto, impossível de ser devidamente caracterizada por qualquer critério de racionalidade objetiva… mesmo que tal experiência se dê dentro do contexto de uma determinada religião. Na maioria das vezes o conhecimento aprofundado sobre a religião (escolhida) é um processo que se inicia após a experiência de fé – conversão – seja essa experiência um fato extraordinário ou fruto de um processo de maturação de vivências religiosas.

Em terceiro lugar, é da natureza das religiões promover o proselitismo. Afinal elas se fundamentam em verdades absolutas, geralmente contraditórias umas às outras. Que diálogo pode haver entre verdades que se excluem? vira debate, avança para embate… e – por civilidade - algumas vezes termina no empate da “tolerância”.

Recentemente participei de um grupo de pessoas interessadas em estudar o “Diálogo Inter-religioso”, e coloquei uma questão que praticamente acabou com o assunto (eles cometeram o erro de me chamarem para ser Assessor, achando que eu seria simpático ao tema!). Como todos no grupo se identificaram como cristãos, eu lancei a pergunta: “e se aqui chegasse uma pessoa e se apresentasse assim: sou fulano de tal, e sou satanista! é um prazer estar com vocês! – qual seria a reação de vocês? iriam dialogar com ele, um adorador de Satanás?”. Ficou aquele cheiro de cu queimado no ar… sabemos que o satanismo hoje existe em muitas sociedades urbanas, e talvez essas pessoas até estejam dispostas a cooperar com cristãos e mulçumanos em defesa da liberdade religiosa… como fica isso? rsrsrsrsrs

Essa questão é também complicada para o pessoal adepto do Movimento Ecumênico, como eu!

Deixo a questão no ar… como não sou teólogo acadêmico, nem especialista em nada, não preciso ficar preocupado em ter uma resposta a isso. Minha fé e minha capacidade de reflexão sugerem que numa situação dessa, a única coisa que eu não deveria fazer seria um exorcismo… mas talvez eu desse um sorriso, diria “seja benvindo!” e em seguida, “me desculpe, tenho de sair por causa de um compromisso familiar inadiável”, daria adeus e ia embora… afinal, não saberia o que dialogar com tal pessoa, que aliás, tem todo o direito de ser satanista como eu tenho de ser cristão…

Mas fico aqui pensando se a Mecânica Quântica com seu Princípio da Incerteza e seu Terceiro Incluído não poderia resolver o problema… ainda estou refletindo, por isso, não sei responder – e talvez nunca descubra uma resposta, o que – aliás – seria algo bastante quântico…

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