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14 de jan. de 2025

A omelete do Joãozinho – uma fábula moderninha

omelete-simples
Joãozinho é um sonhador, e se acha um empreendedor. Daquele tipo de gente que  julga “pensar grande”! Tudo que Joãozinho se propõe a fazer, ele começa com muita vontade!

Joãozinho herdou um bom dinheiro, e resolveu que iria criar galinhas e vender ovos. Não seriam ovos quaisquer, mas “ovos de primeira”.  Para isso teria de criar “galinhas de primeira”, e tais galinhas não poderiam ficar soltas por ai no quintal, mereciam um galinheiro.

Não qualquer galinheiro! Mas um galinheiro especial, também “de primeira”.
_ “Eu penso grande e vejo longe, meu amigo, tenho uma grande experiência!”, costuma dizer Joãozinho sempre que inicia um novo empreendimento. E com muito ânimo expõe suas ideias e projetos, embora nunca tenha, de fato, mostrado um projeto a alguém!

Como dizíamos, Joãozinho anunciou que iria criar “galinhas de primeira” para produzirem “ovos de primeira”. Decidiu que teria de construir um galinheiro diferente desses que “andam por ai”. Contratou um arquiteto para fazer o projeto do galinheiro, mas acabou jogando fora o trabalho entregue porque achou que o arquiteto não havia entrado “no clima”; assim, ele mesmo desenhou o galinheiro, comprou os materiais e construiu o galinheiro, que dado à “complexidade” do projeto, demandou um bom tempo para ficar pronto. Joãozinho faz tudo, porque não consegue trabalhar em equipe.

Quando encontra os amigos, Joãozinho fala de seu “empreendimento”, e anuncia  que, no dia da inauguração, com a primeira postura de ovos, oferecerá uma grande omelete para o pessoal, para todos verem a grandeza de sua iniciativa.
Joãozinho pensou mais longe e pensou que, além de criar “galinhas de primeira” para produzir “ovos de primeira”, poderia também abrir o primeiro restaurante especializado em omeletes.  Isso mesmo, iria construir o restaurante ali, no terreno onde estaria o galinheiro. Já imaginava o anúncio luminoso: “Omeletaria Joãozinho – omeletes feitas com ovos colhidos na hora!”

Com o dinheiro que ainda existia, comprou o terreno do vizinho e construiu o restaurante, quero dizer, a Omeletaria, claro, com “tudo de primeira!”  O enorme galinheiro ficaria ao lado, cercado por um jardim e um parquinho para as crianças, filhas dos clientes, brincarem e observarem as galinhas… seria uma forma de desenvolver o senso ecológico nas crianças, contato direto com a natureza, essas coisas todas. Afinal, os empreendimentos de Joãozinho eram projetos de grande significado e engajamento social.

Ao mesmo tempo que a omeletaria e o galinheiro são construídos, Joãozinho fala a toda gente da grande inauguração com omeletes artesanais. Para garantir a qualidade das omeletes, Joãozinho contratou um “Chef” francês, vindo diretamente de um famoso restaurante em Paris, que chegará à cidade dias antes da inauguração, cuja data já está definida e amplamente anunciada. Divulgou a notícia que, após longas negociações, conseguiu a promessa de alguns capitalistas, seus conhecidos, que ajudariam a ampliar o “projeto” para uma rede de franquias, omeletarias com o mesmo formato, o mesmo modelo de galinheiro e as mesmas espécies de galinhas poedeiras, “tudo de primeira”, dizia sempre.

Pelo menos é o que Joãozinho anuncia: parceiros do exterior que estariam se envolvendo no empreendimento. Graças a negociações, pagou para estar presente em um famoso Talk Show na TV, onde afirmou que, no mês entrante, no dia tal, com o Chef vindo de Paris, “vamos inaugurar a primeira omeletaria da “Joãozinho’s  Eggs and Omelets” e que logo em seguida a rede estaria se desenvolvendo nas principais cidades do país e com compromissos já acertados de franquias na Europa e nos Estados Unidos, graças aos grandes parceiros, “meus amigos pessoais” dizia Joãozinho; afinal, em suas viagens ao exterior para conhecer modelos de galinheiros, ele fez muitos bons amigos, alguns até já estiveram aqui para visitar o projeto, quando pôde explicar melhor os detalhes do empreendimento.

Claro, nem tudo saiu de maneira perfeita. Joãozinho explica que algumas complicações surgiram com os recursos que viriam dos investidores estrangeiros, mas nada que impedisse a grande omeletada de inauguração; aliás, um deles – proprietário de uma grande rede de Fast Food nos Estados Unidos, ficou adoentado, mas garantiu que logo enviaria o dinheiro, faltando apenas assinar o convênio de parceria. Os demais estavam ainda em conversações finais para resolver pequenos detalhes. Talvez, por isso, o lançamento da franquia demoraria mais um ou dois meses.

Naturalmente, uma ou outra coisinha ainda não estaria pronta, mas a omeletaria abriria as suas portas na data e hora já anunciada. Afinal, o Chef vindo de Paris já havia chegado e estava provisoriamente instalado em um hotel (“nada de luxo, porque não podemos jogar dinheiro fora!”) até que sua casa esteja pronta, pois será construída no terreno recém adquirido de outro vizinho.

Joãozinho afirma sempre que pretende inspecionar pessoalmente o serviço, desde a compra da ração para as galinhas até a omelete servida à mesa do cliente. “Não abro mão da qualidade e estarei cuidando rigorosamente que tudo saia nos conformes!”, ele diz. “Aliás, a Adega já está abastecida com vinhos chilenos, portugueses, franceses e italianos”.

Chegou o grande dia  esperado! Pela manhã a imprensa local já está mobilizada para a cobertura do grande evento, a primeira e única omeletaria do país, que produziria sua primeira omelete exatamente ao meio-dia. “Como eu disse, e repito, as primeiras 250 omeletes serão gratuitas! um carinho reservado aos meus inúmeros amigos e parceiros!”

Pouco antes das onze chegaram alguns telegramas e correios eletrônicos, do país  e do exterior, com justificativas de ausência. “É natural”, diz Joãozinho, “são pessoas muito ocupadas e nem sempre se consegue ajustar a agenda, não é mesmo?”

Às onze e meia, estando já as pessoas presentes, cerca de 30% dos convidados, Joãozinho estourou a Champanhe e começou um emocionado discurso, que foi interrompido por um auxiliar de cozinha informando que “Le Monsieur” (assim era tratado o Chef) exigia a presença de Joãozinho na cozinha.

Joãozinho disse, interrompendo o discurso, “Estou sendo chamado à cozinha, naturalmente para a prova da primeira omelete!”. Com toda a pompa e circunstância, entra na cozinha, estando todos os cozinheiros e ajudantes perfilados e “ Le Monsieur”, afilando o bigode, perguntou:
“Monsieur Joansino! où sont les oeufs? Je suis allé au poulailler pour les obtenir, mais je ne trouve pas même les poulets!”.

Foi quando Joãozinho se deu conta que não havia comprado as galinhas! Olhou para seu contador geral, que explicou:
“Como eu havia prevenido ao senhor, os recursos dos parceiros do exterior não chegaram, então não tivemos mais dinheiro para comprar as galinhas!”

Moral da estória: não anuncie a omelete antes de ter as galinhas!
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NOTAS: 
1 .Qualquer semelhança com pessoas ou instituições não é coincidência. Veste a carapuça quem acha que lhe serve!
2. O original foi publicado em junho 2015. Texto revisado nesta data de republicação;

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15 de dez. de 2011

Coisas do Passado que se acabaram no Futuro.

Recebi de um amigo, Rev. Joel Soares, o texto abaixo, da autoria de Ismael Gaião, pessoa que não conheço. Com certeza ele é da minha geração, porque tudo que ele fala ai abaixo, eu vivi também. Também não sei onde o Sr. Ismael publicou o texto que compilo abaixo.

Não se trata de um saudosismo melancólico, mas a constatação que nem sempre progresso significa vida melhor, e que nem sempre evolução significa que as coisas ficam melhores…

NO  TEMPO  DA  MINHA  INFÂNCIA (Ismael Gaião)

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

             Bebi leite ao natural
             Da minha vaca Quitéria
             E nunca fiquei de cama
             Com uma doença séria
             As crianças de hoje em dia
             Não bebem como eu bebia
             Pra não pegar bactéria

                         A barriga da miséria
                         Tirei com tranquilidade
                         Do pão com manteiga e queijo
                         Hoje só resta a saudade
                         A vida ficou sem graça
                         Não se pode comer massa
                         Por causa da obesidade

                                                   Eu comi ovo à vontade
                                                   Sem ter contra indicação
                                                   Pois o tal colesterol
                                                   Pra mim nunca foi vilão
                                                   Hoje a vida é uma loucura
                                                   Dizem que qualquer gordura
                                                   Nos mata do coração

                                                                  Com a modernização
                                                                  Quase tudo é proibido
                                                                  Pois sempre tem uma Lei
                                                                  Que nos deixa reprimido
                                                                  Fazendo tudo que eu fiz
                                                                  Hoje me sinto feliz
                                                                  Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

              Vi o meu pai dirigir
              Numa total confiança
              Sem apoio, sem air-bag
              Sem cinto de segurança
              E eu no banco de trás
              Solto, igualzinho aos demais
              Fazia a maior festança

                            No meu tempo de criança
                            Por ter sido reprovado
                            Ninguém ia ao psicólogo
                            Nem se ficava frustrado
                            Quando isso acontecia
                            A gente só repetia
                            Até que fosse aprovado

                                            Não tinha superdotado
                                            Nem a tal dislexia
                                            E a hiperatividade
                                            É coisa que não se via
                                            Falta de concentração
                                            Se curava com carão
                                            E disso ninguém morria

                                                             Nesse tempo se bebia
                                                             Água vinda da torneira
                                                             De uma fonte natural
                                                             Ou até de uma mangueira
                                                             E essa água engarrafada
                                                             Que diz-se esterilizada
                                                             Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

                  Nunca fui envenenado
                  Com as tintas dos brinquedos
                  Remédios e detergentes
                  Se guardavam, sem segredos
                  E descalço, na areia
                  Eu joguei bola de meia
                  Rasgando as pontas dos dedos

                               Aboli todos os medos
                               Apostando umas carreiras
                               Em carros de rolimã
                               Sem usar cotoveleiras
                               Pra correr de bicicleta
                               Nunca usei, feito um atleta,
                               Capacete e joelheiras

                                            Entre outras brincadeiras
                                            Brinquei de Carrinho de Mão
                                            Estátua, Jogo da Velha
                                            Bola de Gude e Pião
                                            De mocinhos e Cowboys
                                            E até de super-heróis
                                            Que vi na televisão

                                                           Eu cantei Cai, Cai Balão,
                                                           Palma é palma, Pé é pé
                                                           Gata Pintada, Esta Rua
                                                           Pai Francisco e De Marré
                                                           Também cantei Itororó
                                                           Brinquei de Escravos de Jó
                                                           E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

           Tomava banho de mar
           Na estação do verão
           Quando papai nos levava
           Em cima de um caminhão
           Não voltava bronzeado
           Mas com o corpo queimado
           Parecendo um camarão

                              Sem ter tanta evolução
                              O Playstation não havia
                              E nenhum jogo de vídeo
                              Naquele tempo existia
                              Não tinha vídeo cassete
                              Muito menos internet
                              Como se tem hoje em dia

                                              O meu cachorro comia
                                              O resto do nosso almoço
                                              Não existia ração
                                              Nem brinquedo feito osso
                                              E para as pulgas matar
                                              Nunca vi ninguém botar
                                              Um colar no seu pescoço

                                                          E ele achava um colosso
                                                          Tomar banho de mangueira
                                                          Ou numa água bem fria
                                                          Debaixo duma torneira
                                                          E a gente fazia farra
                                                          Usando sabão em barra
                                                          Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

                  Comecei a trabalhar
                  Com oito anos de idade
                  Pois o meu pai me mostrava
                  Que pra ter dignidade
                  O trabalho era importante
                  Pra não me ver adiante
                  Ir pra marginalidade

                               Mas hoje a sociedade
                               Essa visão não alcança
                               E proíbe qualquer pai
                               Dar trabalho a uma criança
                               Prefere ver nossos filhos
                               Vivendo fora dos trilhos
                               Num mundo sem esperança

                                             A vida era bem mais mansa,
                                             Com um pouco de insensatez.
                                             Eu me lembro com detalhes
                                             De tudo que a gente fez,
                                             Por isso tenho saudade
                                             E hoje sinto vontade
                                             De ser criança outra vez...

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Eu só não sinto vontade de ser criança outra vez; se for para ser nestes tempos, não mesmo! Porque hoje as crianças não são crianças, mas são imagens dos adultos; não produzem absolutamente nada, embora passam boa parte do seu tempo com uma agenda complicada… são cheias de direitos e mal educadas. Seus brinquedos brincam sozinhos, e passam muito tempo em um mundo virtual de más fantasias…

Com todo o conhecimento que a humanidade acumulou, a vida não é melhor, a não ser para meia-dúzia de espertinhos que formam a elite mais safada que a humanidade já conheceu. O tempo passa voando e quando o sujeito percebe, a vida acabou-se nas correrias, nos milhares de e-mails, na eterna insatisfação de consumir o que aparece na moda e no mercado…

Realmente, o mundo está ficando cada vez mais chato!

Venha Teu Reino, Senhor!

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27 de out. de 2011

Aos mestres com carinho (e saudades do tempo em que a escola era Escola)

Desde pequeno o céu me fascina, especialmente o céu noturno, com as estrelas, a Lua e  outras estrelinhas mais brilhantes que meu pai dizia serem os planetas Marte, Júpiter, Saturno. 

Quando completei 9 anos, meus pais me deram de presente um telescópio para amadores. Era um telescópio mesmo, tipo Newton, daqueles que refletem a luz em um espelho parabólico dentro de um tubo e a ocular fica de lado. Assim surgiu minha vocação para a Ciência e para a Contemplação!

Todas as noites, na “varanda do andar de cima” da casa onde morava , no bairro da Aclimação em São Paulo, eu ficava até tarde “pesquisando” o céu. Logo aprendi a localizar os planetas e as principais constelações. Meu pai me levava, nos finais de semana,  ao Planetário do Parque do Ibirapuera, e eu curtia muito tudo aquilo. Esse contato desde menino com o céu, mais as boas conversas com meu avô Caetano, matemático e professor, me levaram pelos caminhos da ciência.

Quando vovô Caetano faleceu, eu tinha oito anos! mas  eu já conseguia jogar xadrez (com a grande ajuda do tio Ricardo e do meu pai) e entendia um bocado daquilo que, depois, soube ser a Teoria de Conjuntos – meu avô fez parte da geração de matemáticos italianos que trabalhou com G. Peano no desenvolvimento da nova linguagem para a Álgebra e a Teoria de Conjuntos. Através de intrigantes conversas, muitas estórias, joguinhos e brincadeiras, vovô me mostrou a beleza da Matemática.

Quando fiz 10 anos, fui estudar no Glória (Colégio Nossa Senhora da Glória, dos Maristas), no bairro do Cambuci e lá três professores, o Irmão Deodoro, o Irmão Demétrio e o Irmão Celso Félix, concluíram esse processo de aproximação da ciência ao mesmo tempo que testemunhavam sua fé em Cristo através da devoção à Virgem Maria.

Na puberdade, as aulas de Matemática e Ciências  do Irmão Demétrio e do Irmão Deodoro, me deixavam maravilhado e em atitude quase contemplativa diante das maravilhas da natureza. Foi o Irmão Deodoro, em sua especial maneira de ensinar com simplicidade, quem primeiro me apresentou Darwin e a Teoria da Evolução, enquanto o Irmão Demétrio me introduzia no estudo da Álgebra e da  Análise com muita animação. “Matemática é fácil”, esse era o lema repetido no início de cada uma de suas aulas. Eu curtia o meu telescópio com alguns colegas de noite e usávamos a Geometria do Irmão Demétrio para desenhar nossos mapas do céu!!!

O Irmão Celso Felix, por sua vez, nas aulas de Português e Literatura nos incentivava a escrever e defender nossas ideias nas seções literárias do Grêmio Estudantil, onde também a gente era iniciado na política! Tudo isso, antes de eu completar 14 anos! Haviam debates sobre todos os assuntos, desde fábulas de Esopo (cada uma com a famosa “moral da estória”) até as notícias sobre política, economia e ciência. 

Lembro que minha primeira vitória em um fórum de debates foi que eu consegui provar que as abelhas não são “melhores” que as formigas! Consegui que a banca de jurados declarasse empate numa disputa entre as formigas (tidas como animais daninhos) e as abelhas (animais úteis, na ingênua classificação do livrinho que tivemos de ler). Eu fui o único aluno da classe que aceitou defender as formigas contra o grupo de defensores das abelhas! (como vocês podem ver, vem desde menino essa minha maluquice de abraçar causas complicadas!). E, como testemunhou o Irmão Deodoro, usei muito do que havíamos estudado nas aulas de Ciências sobre insetos…

Esses três homens, Irmãos Maristas, professores por vocação e por voto religioso, são até hoje minhas grandes referências tanto no Magistério (que exerci por 20 anos) quanto na capacidade de contemplar a natureza com os olhos da Ciência e com o coração da Fé, embora minha conversão real ao senhorio de Cristo tenha acontecido em um contexto ecumênico, muitos anos depois do convívio com eles – mas permanece até hoje o carinho especial pela Mãe de Deus.

É claro que guardo no coração um sentimento de reconhecimento e carinho por Dona Eliete, Dona Vilma, Dona Teresinha, Dona Aurea e Dona Margarida, minhas professoras no primário, com quem aprendi a leitura, e dei os primeiros passos nas sendas da Aritmética, da Geografia, da História, e das Ciências Naturais… elas despertaram em minha mente a curiosidade e a vontade de saber e de pensar! Naquele tempo Professora era tratada por “Dona” e por Senhora, não era parente da gente! E ninguém da minha turma ficou cheio de traumas por isso…

Terminei o ginásio em 1964, no ano do primeiro golpe militar. Fui estudar no São Luís e depois no Bandeirantes. Quatro anos depois veio o segundo golpe, com o AI-5, o Decreto Lei 477 e outras coisinhas diabólicas, mudando o rumo da sociedade e liquidando com a educação brasileira através do acordo MEC-USAID e da famigerada Lei de Diretrizes e Bases 5692 (1970). Escapei por um triz dos novos currículos escolares para o segundo grau, cujo estrago só vim perceber quando, anos depois, comecei meu segundo curso universitário e peguei calouros (de)formados de acordo com os conceitos da 5692… Gastei dois dos quatro anos do curso superior em Matemática revendo o que eu tinha aprendido no Científico, pois segundo os meus docentes, o currículo do segundo grau fora reduzido e muita coisa passou para o currículo universitário (exceto nos colégios militares!!!).

Apesar dos tempos complicados, o curso Científico (sei lá o que vem a ser hoje, acho que Secundário – mudam os nomes e baixam a qualidade) definitivamente me encaminhou para a Ciência e me colocou em cheio no Movimento Estudantil, que sofria violenta repressão da Ditadura. 

Alguns professores foram decisivos: Prof. Vitor Eisemann (Trigonometria), Prof. Carlos Cattoni (Geometria), Dr. Fragoso e Profa. Geovana Albanese (Física – fui reprovado duas vezes!), Áurea (Química Geral e Atomística – meu primeiro contato com a Mecânica Quântica), Prof. Manoel Pereira do Valle (Português e Literatura Geral), Prof. Morivaldo (Psicologia Geral) e outros cujos nomes minha pouca memória perdeu, mas seus semblantes ainda estão vivos na minha mente com as belas aulas que ministraram: Álgebra, Físico-Química, Física Experimental, Química Experimental, Química Orgânica, Biologia Geral, Genética, Bioquímica… pois é, a gente estudava isso tudo no Científico, mesmo nas Escolas Públicas, que eram de alta qualidade… naquele tempo não haviam os “cursinhos”, e o vestibular não era de marcar “X”…

Todas essas pessoas, professoras e professores, cooperaram com meus pais para que eu fosse o que sou, de bom e de ruim. Devo a eles minha formação como pesquisador, estudioso da Ciência, e pela capacidade de elaborar uma reflexão crítica e coerente.

Poderia ainda falar dos meus professores dos tempos da universidade e então a lista ficaria bem maior (Milton Damato, Henrique Panzarelli, Jaci Maraschin, Ruben Alves, Glauco Soares de Lima, Sumio Takatsu, Marilena Chauí, Ubiratã Dorival Diniz, et alli). Todavia, quero nesta homenagem memorial, lembrar dos meus Mestres Iniciadores, a quem tratávamos por Senhor e Senhora (e eles também nos tratavam assim!!!), ficávamos em pé quando entravam na sala de aula, eram severos conosco (fui reprovado duas vezes em Física e uma em Matemática - fiz o segundo Científico três vezes!!!), mas tinham um senso de humanidade e de responsabilidade que são raros hoje em dia, quando a professora virou “tia” e os docentes são chamados de “cara”!

A todos, elas e eles, inclusive o vovô Caetano, papai e mamãe, que descobriram minha vocação científica, apresento meu reconhecimento e minha gratidão. Rendo Ação de Graças a Deus pela existência dessas pessoas em minha vida!

Nota: eu devia ter publicado isso dia 15 de outubro, mas por razões diversas, não fiz. Porém, a Física Relativista e a Mecânica Quântica, ambas comecei a aprender com alguns deles, mostram – assim como a Fé – que o tempo é apenas um conceito que não se aplica uniformemente no Universo… então, que seja dia 15 de outubro agora ou quando a gente quiser – todo dia é dia para a gente mostrar carinho e gratidão!

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19 de ago. de 2011

O Sermão da Montanha, versão para professores

[recebi do meu amigo Handall, lá de Vitória; vou repassando]

Nem Jesus aguentaria ser um professor nos dias de hoje....

“Naquele dia, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
- Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles...

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André perguntou:
- É pra copiar?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!
Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?
João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?
Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
- Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
- Quais são os objetivos gerais e específicos?
- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
- E vê lá se não vai reprovar alguém!

E, foi nesse momento que Jesus disse: "Senhor, Senhor, por que me abandonaste???"

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11 de ago. de 2011

Fulano é uma Anta !

antaDizer que alguém é uma anta, referindo-se ao fato da pessoa ser distraída ou às vezes se comportar como idiota, é algo deplorável nestes tempos em que a moda é ser politicamente correto(a).  É a mesma coisa que chamar uma pessoa de Burra!

Isso não é certo! é ofensivo e ofende à moral e bons costumes ecológicos!

Afinal, nem as Antas, nem os Burros merecem ser comparados com pessoas humanas. É ofensivo à dignidade animal.

Acho que devemos ter mais consciência antes de usar tal expressão pejorativa para com os animais! Embora geneticamente sejamos muito semelhantes a eles, os animais não são capazes de cometer as vilanias e safadezas humanas, nem demonstram falta de inteligência para resolver seus próprios problemas…

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20 de mai. de 2011

Porque não quero ser “politicamente correto” (3)

De uma vez por todas(os), entendam porque não sou, não quero ser, “politicamente correto”, uma hipocrisia(o) que importamos dos EUA, terra de gente neurótica(o) formada(o) em bases fundamentalistas... (claro, tem estadunidense(o,a)  que não é idiota(o), nem neurótico(a)!)
Vejam só este comentário… no humor dos erros do Novaes, uma crítica ferina à essa mania terrível de brincar com educação, fazendo de conta ser “educador(a)” moderninho(a).
LIVRO PARA INGUINORANTES (do Blog do Novaes - www.jblog.com.br/novaes.php?itemid=26806)
Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!
A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.
A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.
Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.
Que confusão é essa de confundir correto com adequado? Já sei! Tem aquele velho papo de perguntar quem define o que é “certo” ou “errado”! O tal “relativismo” que, aliás, não é o tal que falava Albert Einstein.

Infelizmente, (ou felizmente? quem define?) a vida em sociedade tem de ter instituições, convenções, autoridades, normas. Uma sociedade realmente madura politicamente tem seus meios institucionais de definir, avaliar e modificar tais definições. Elas podem ser mudadas, mas não podem ser relativizadas; nem os anarquistas do século XIX pensavam assim; pelo contrário, fundamentavam muito bem suas posições sem apelar para sentimentos “inclusivos”!

Nesse negócio de garantir direitos de inclusividade, tenho algumas propostas:
- pessoas que sofrem de distúrbios gastrointestinais devem ter o direito de peidar quando e onde bem entenderem, para não serem excluídos por seu estado de saúde, o que não deixa de ser uma deficiência física (afinal, há algo de podre nos seus intestinos, embora não se saiba ao certo quem tem o poder para definir o que seja “podre”, e é bem provável que todo mundo tenha algo de podre em seus intestinos); vale o mesmo para arrotos nos casos de gastrite aguda.
- assim como o fumar faz mal para pessoas pretensamente saudáveis, também muitos perfumes devem ser proibidos em lugares fechados por respeito aos que têm alergia aos seus aromas;
- políticos corruptos devem ter o direito garantido de fazer suas maracutaias, uma vez que não é aceitável que alguém defina o que seja corrupção, afinal tudo depende do ponto de vista;
- claustrofóbicos devem ter o direito de andarem em elevador sem paredes por isso todos os edifícios com mais de 3 andares devem ter um elevador sem paredes;

Se a questão é falta de bom senso (afinal quem define o que é bom?) a gente logo arruma um monte de motivos para defender direitos inalienáveis…

Já pensou se a gente fosse incluir os psicopatas serial-killers? afinal os coitadinhos têm um distúrbio mental e não podem ser excluídos por isso… aliás, quem disse que roubar é errado? cleptomaníacos devem ter seus direitos garantidos, não podem ser excluídos por causa de sua deficiência psíquica causada sabe-se lá por traumas de infância na relação com a autoridade paterna…

É uma pena que questões sérias como os Direitos Civis sejam confundidas com babaquices de quem não consegue vislumbrar horizontes amplos quando olha além do seu próprio umbigo (aliás, quem define o “horizonte”? e quem define o que seja “amplo”? será que alguém vai relativizar o umbigo? afinal, os umbigos não são iguais, cada um tem o seu e deve ter o direito de tê-lo e de mirá-lo).

Há coisas que realmente não são adequadas, mas há coisas que são erradas! É exatamente esse mesmo raciocínio  de confundir adequado com certo, que, nos EUA, condena negros pobres à morte por homicídio mas justifica invadir e bombardear terras alheias em nome da liberdade e da democracia para garantir a paz… (quem define o que é “paz”, “liberdade” e “democracia”? – essa última confundida com ditadura da maioria…)

Tem gente ai confundindo Ética Contextual – que é decorrente de uma reflexão filosófica – com ignorância simplista moderninha.

Espero que o tal livro da fessora Heloisa Ramos, a que se refere o Novaes, tenha sido inpréço em papel politicamente correto, por respeito aos eucalipitus e outras fontes naturais de seluloze, pois isso seria realmente adequado; afinal é muito adequado usar papel higiênico feito de papel reciclável; cocô não merece a morte de árvores!! aliás, cocô é bom para adubar árvores (por isso, é politicamente correto fazer cocô ao ar livre em parques públicos!?)  
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21 de fev. de 2011

Porque não quero ser politicamente correto (2)

Recebi de um amigo, médico e psiquiatra em Vitória ...
(veja também  http://pirilampos-pintassilgos.blogspot.com/2011/01/porque-nao-quero-ser-politicamente.html)

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA
Texto de: Luiz Antônio Simas

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.

Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo – o homem – e a rosa – a mulher – estimula a violência entre os casais. Na nova letra “o cravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada”.


Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.

Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.


Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão – o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil – de deficiente vertical .. O crioulo – vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) – só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo – o famoso branco azedo ou Omo total – é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia – aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno – é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo – outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão – é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais… Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a “melhor idade”.Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.


Abraços,
Luiz Antônio Simas
(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio).
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É isso ai!
PS.: os meus amigos e amigas, bem como os irmãos e irmãs da OST podem continuar me chamando de "Gordinho"; eu não me ofendo!! sou mesmo gordinho... Viu? até que uso linguagem inclusiva... rsrsrsrs
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29 de jan. de 2011

Porque não quero ser politicamente correto!

Vamos  comparar a evolução da sociedade brasileira de 1959 com a de  2011. Esses cenários me foram passados por e-mail; obrigado João Henrique!

Cenário 1: João não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.
Ano 1959: É mandado à sala da diretoria, fica parado esperando 1 hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e volta tranquilo à classe.
Ano 2011: É mandado ao departamento de psiquiatria, o diagnosticam como hiperativo, com transtornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD, o psiquiatra  lhe receita  Rivotril. Se transforma num Zumbi. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz.

Cenário 2: Luís quebra o farol de um carro no seu bairro.
Ano 1959: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas no trazeiro... A Luís nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada", cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num profissional de sucesso.
Ano 2011: Prendem o pai de Luís por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos deve abster-se de ver seu  filho.   Sem o guia de uma  figura paterna, Luís se volta para a droga, se torna traficante e fica preso num presídio especial para adolescentes. 

Cenário 3: José cai enquanto corria no pátio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria,  o encontra chorando e o abraça para confortá-lo...
Ano 1959: Rapidamente, João se sente melhor e continua brincando.
Ano 2011: A professora Maria é acusada de abuso sexual, condenada a três anos de reclusão. José passa cinco anos de terapia em terapia. Seus pais processam o colégio por negligência e a professora por danos psicológicos, ganhando os dois processos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida...


Cenário 4: Disciplina escolar

Ano 1959: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava uma boa "mijada" e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade.
Ano 2011: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com a culpa por faze-lo . Nosso velho vai até o colégio se queixar do docente e, para consolar o “coitado do menino”, compra uma moto para o filhinho.

Hoje tem criança que ameaça seus pais com o tal Conselho Tutelar... Estudantes não respeitam professores (a quem chamam de "tios"), invocando o mesmo Conselho...  é mole?
Ofereci assento a uma senhora no ônibus e levei esporro com ela dizendo que não precisa da minha falsa gentileza machista... por sua vez, um bando de adolescentes negou-se a dar lugar a mim e a outro senhor de terceira idade no assento reservado exatamente para gente como eu e ele, no metrô...


Pois é: cada vez mais somos uma sociedade de direitos sem deveres e sem educação !

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18 de jul. de 2010

Se o tataravô do tataravô do vovô tivesse broxado…

Leonard Mlodinow é um físico, isto é, um sujeito que procura entender – na medida em que isso seja possível - como o Universo funciona. Filho de judeus poloneses que por acaso conseguiram sobreviver ao holocausto e se mandaram para os Estados Unidos, Mlodinow fez seu doutorado em Física na Universidade da Califórnia e tem publicado livros intrigantes sobre  a ciência objeto de seus estudos. O mais famoso talvez seja o que escreveu junto com Stephen Hawking – Uma nova história do tempo, que se chamou nova porque é, na verdade, a correção da obra anterior de Hawking  - Uma breve história do tempo.  Hawking estava errado e como não é um acadêmico brasileiro, reconheceu seu erro com humildade e reescreveu o livro junto com o físico que lhe provou o erro.

Físicos e matemáticos muitas vezes se misturam.  Na verdade, os matemáticos  não se misturam, os físicos é que vivem se infiltrando em seu mundo. Isso porque os físicos precisam do instrumental matemático para tentar entender o Universo, enquanto os matemáticos não precisam entender nada além da sua própria linguagem.  Acontece que o mundo imaginário dos matemáticos – e bota imaginário nisso – ajuda os físicos a imaginar como o universo funciona.  Os matemáticos por sua vez sabem que o universo dos físicos não lhes ajuda a entender a matemática, embora seja uma fonte inesgotável de quebra-cabeças – e matemáticos adoram quebra-cabeças. Assim é que físicos e matemáticos sempre estão juntos, e  alguns físicos se tornam também excelentes matemáticos.

Mlodinow é um desses caras.  Por acaso seus pais emigraram da Polônia para os Estados Unidos e lá ele nasceu e se tornou um físico. Tivessem vindo, por acaso, para o Brasil, Leonard teria sido, por acaso, um comerciante ou um jogador de futebol. O caso é que Mlodinow, que por acaso se tornou um físico, resolveu escrever sobre um tema que os matemáticos adoram: o acaso!

A ferramenta que os matemáticos do séc.  XVII criaram para estudar o acaso se chama Teoria dos Jogos. Na verdade, eles queriam mesmo era descobrir como poderiam ter “mais sorte nos jogos de azar”.  Mas como eram matemáticos, deixaram a imaginação fluir e assim construíram a Teoria dos Jogos, que hoje – para evitar acusações de imoralidade - chama-se Cálculo de Probabilidades. O Cálculo de Probabilidades, um campo teórico, permitiu o desenvolvimento de um método prático de se lidar com a aleatoriedade, método que acabou se tornando uma ciência dentro da Matemática Aplicada, a Estatística, ferramenta extremamente útil para as Ciências da Sociedade.

Por acaso eu sou um pretenso matemático brasileiro que também se formou em física. Há trinta anos eu era professor universitário e lecionava exatamente Estatística e Cálculo de Probabilidades.  Acho que os estudantes gostavam do meu curso, pois todo final de ano eu era obrigado a estar nas formaturas, pois ou eu era professor homenageado, ou era o patrono da turma ou o paraninfo.  Eu conseguia evitar o matematiquês nas aulas (eram classes de humanidades) e buscava mostrar o quanto de aleatoriedade há na vida.  Pediram para eu publicar meu livro de curso, o qual eu até elaborei, mas nenhuma editora aceitou porque sendo um livro didático de Estatística, como pode não ter um monte de fórmulas?  Todos os editores me faziam essa pergunta e – eu percebia o cinismo deles – me julgava um embromador.

Por acaso, o Mlodinow – que é americano do norte – escreveu um livro muito parecido (mas muito melhor) com o que eu havia esboçado: fala do Cálculo de Probabilidades, da Estatística e da Matemática, sem apresentar nenhuma fórmula!!!! Um livro espetacular, mas que, infelizmente, não é compreensível para a maioria dos universitários brasileiros de hoje, analfabetos em matemática: O andar do bêbado – como o acaso determina nossas vidas.

O simples fato de você existir, meu caro leitor casual, é um acaso: você é resultado da combinação dos genes de um determinado casal, que em um determinado momento copulou. Fosse 5 minutos antes, ou depois, não existira você! Todavia, cada um que forma o casal, é também resultado de uma cópula de outro casal, assim, você  é resultado de alguns acasos envolvendo três casais e três cópulas. E se você for acumulando os seus bisavós, trisavós, tataravós, e n-avós , você é o resultado de uma sequência de 2 à enésima potência de pessoas que copularam, e mais, tais cópulas resultaram em gravidez que terminou em parto, e nasceram pessoas que chegaram à idade de procriar e conseguiram procriar. Pense bem, se um certo sujeito, em algum lugar do planeta, no séc. XI, tivesse tido uma má noite (ou dia, uma cópula não precisa ser necessariamente à noite, como a gente aprende na adolescência) e broxado, você não existiria!!!

Mlodinow procura transmitir esperança aos leitores, quase fazendo o deleite dos viciados em “pensamento positivo”.  E não poderia ser de outra forma, porque o estudo sério da aleatoriedade termina com todas as nossas certezas e abala firmemente nosso instinto de controlar a própria vida.  Porque, os otimistas que me perdoem, toda a nossa existência é marcada pelo acaso! e nós não temos como controlar isso, a não ser pelo método mais antigo do mundo: tentativa e erro. 

A humanidade compreendeu isso muito cedo: se faz sol ou chuva, se o vento vem na direção do caçador ou da caça, se o peixe morde a isca ou não, se a Fulana vai com a minha cara ou não… a civilização é resultado dessa necessidade de controlar o acaso, ou pelo menos, minimizar as chances do acaso ser “azar”.  O método estatístico, quando bem aplicado, tem essa finalidade, mas é honesto: sempre indica a probabilidade de apresentar uma conclusão errada.  Ou seja: não há certeza absoluta.

Mas antes de inventar o método estatístico, a humanidade sempre tentou controlar o acaso: inventou sortilégios, ritos, simpatias, manias, e eu acho que o comportamento religioso do ser humano tem a ver com isso. Afinal, a idéia de que tudo acontece por puro acaso é tão assustadora que temos de imaginar uma Mente Superior para a qual não existe o acaso, antes o acaso se confunde com a Sua Vontade.  Assim, para controlar o acaso, basta estar de bem com tal Mente Superior: nasce a Religião…

Antes que os pentelhos de plantão venham me encher o saco com seus dogmas, eu falei RELIGIÃO!!! Fé é outra coisa!

Por acaso, falo disso em outra oportunidade, se o acaso permitir que eu volte a escrever…

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14 de mai. de 2010

A evolução do ensino da Matemática (e da Educação Escolar) no Brasil

Recebi por e-mail, autor desconhecido.  Mas concordo em tudo com o autor(a). Triste Brasil!

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...  Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas....

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada comprei um produto que custou R$15,80.  Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso?  Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00. Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa nem responder)
( )R$20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

Além disso, se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.

Em 1969 os Pais do aluno perguntavam enfurecidos ao "aluno": "Que notas são estas...???"  Em 2009 os Pais do aluno perguntam enfurecidos ao "professor": "Que notas são estas...???"

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Precisamos começar JÁ!

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...

"Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas, também, pelo que deixamos de fazer."

(Como eu digo na apresentação deste blogue, veja na lateral acima, não sou e nem faço questão de ser politicamente correto. Em nome disso é que a avacalhação está tomando conta da sociedade brasileira; lixo norte-americano imposto pelo colonialismo cultural.  E para quem não gostar, ofereço uma expressão que os norte-americanos adoram, e que lá é politicamente correta:   F.. you! (entendeu, não é?)!

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