“O amor de deus é incondicional!" é uma das falas preferidas que pregadores cristãos gostam de usar. Não se dão conta que estão contradizendo o que eles mesmo ensinam há séculos: “temos de cumprir a vontade de deus!”, “temos de obedecer aos seus mandamentos!” e coisas semelhantes. Ou seja, se você não cumprir a “vontade de deus” ou não “obedecer aos mandamentos” você está lascado. Portanto, há uma condição essencial para merecer o “amor” de deus, que, portanto, é amor condicional. Em outras palavras, o deus do Cristianismo em nada difere dos deuses pagãos da antiguidade: é preciso agradá-lo, bajulá-lo. Para não sofrer castigo, é preciso fazer um sacrifício, uma penitência. Ou seja, esse deus impõe a justiça retributiva, como os antigos deuses pagãos.
Os pregadores afirmam, ainda, que “deus é onisciente”, mas se contradizem quando explicam “deus está testando a sua fé” para alguém que está sofrendo, doente, na solidão, enfim, nas circunstâncias tristes da vida. Ora, se é onisciente, porque precisa “testar”? E ainda ensinam que, se a “fé” fraquejar, lá vem a retribuição: você está lascado; não cumpriu a condição para merecer o "amor incondicional". Tal como os deuses pagãos.
Pior ainda é a afirmação que quando tal e tal coisa acontece é pela a vontade de deus. Vejo muitos agentes pastorais dizendo isso a quem está feliz, mas também para quem está em situações complicadas, ou vivendo o luto, ou sofrendo diante de sua própria fragilidade ("vamos nos conformar com a vontade de deus, há um propósito nisso!"). Que deus cruel é esse, cuja vontade é o sofrimento de alguém? Então para uns, a vontade de deus é bênção, para outros é maldição? Qual o critério para tal “vontade“ se manifestar de uma ou outra maneira?
Honestamente falando, o discurso do Cristianismo, desde há muito tempo, não difere de qualquer outro discurso religioso. Vejo as mesmas contradições em outras tradições. Ou seja, os deuses pagãos continuam imersos na cultura cristã. O Cristianismo criou outra nomenclatura para o que sempre existiu. Não há "boa nova" alguma!
Essas colocações, que se apresentam como fundamentais na “doutrina cristã”, reduzem a ética do Evangelho a rígidos preceitos morais, o tal do “isso pode, aquilo não pode”, o método predileto das elites para manipular as pessoas usando uma presumível culpa/julgamento/punição/penitência/perdão como argumento. O mesmo faz a maioria dos líderes religiosos; afinal, religião é uma forma de poder.
Sinceramente, atrevo-me a indagar o que realmente significa “salvação”, palavra sempre presente nas pregações “cristãs”. Salvação de quê? Nisso, o Cristianismo difere do Paganismo. Os deuses pagãos da Antiguidade não pretendiam salvar ninguém!
Por exemplo, judeus e cristãos adoram se referir à libertação dos hebreus quando escravos no Egito. O deus demorou 400 anos para ouvir o clamor do povo! Quatrocentos anos! Foram 16 gerações de escravidão. Ou seja, "deus tarda, mas não falha!" O problema é que enquanto ele tarda, a gente se lasca, e até morre sem saber se ele chegou mesmo.
Religiões monoteístas afirmam a existência de um criador de tudo que existe. Portanto, se o tal Inferno de castigos eternos existe, foi criado pelo tal criador. Por que o tal criador criou um local de castigo eterno? Teria a intensão de criar os que seriam castigados??? Para que?
As religiões institucionalizadas criam suas doutrinas e as atribuem à Divindade. Ou seja, as religiões criam uma “divindade” à imagem e semelhança do ser humano. Por isso, a “divindade” tem vontade, manifesta ira e afeto, mata e dá vida, julga, condena e mostra misericórdia; exerce justiça de forma retributiva. Os deuses pagãos tinham até tesão; o deus judaico-cristão é casto e não tem simpatia alguma para com a sexualidade humana; nisso também é diferente!
As religiões negam a transcendência, reduzindo-a à simples imanência, cheia de normas morais criadas pelos que controlam tudo, definindo como deus age na relação com os seres humanos.
Assim é o deus do Cristianismo que se ensina e se prega há séculos! um deus tão terrível quanto os antigos deuses pagãos, centrado em si mesmo, muito distante do Deus que Se revela em Jesus Cristo, o Deus que inspirou o Movimento de Jesus!
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