21 de jun. de 2026

O SENTIDO DA VIDA (III – Sobre Vaidade e Conclusão)

 (continuação >>> veja antes: I - Sobre Ciência e Universo  e  II - Sobre Vida e Ser Humano.

Vaidade

O livro bíblico Eclesiastes me impressiona desde que o conheci, por volta dos 15 anos. Sinceramente, se há algo útil e profundo no Antigo Testamento, é esse livro. Não desprezo outros, mas o Eclesiástico é profundamente honesto, sem apelações “espirituais” (de certa forma, profundamente materialista), e responde à pergunta pelo “sentido da vida”.

Com frieza impressionante, demonstra que tudo é vaidade, ou seja, nada tem sentido! Implode com o maniqueísmo que permeia a Bíblia, e nega a meritocracia salvadora após a morte, sempre repetida pelos pregadores da “palavra de deus”. Apenas constata o vazio da existência.

O Capítulo 9 do Eclesiástico é um primor de ironia e, ao mesmo tempo, denunciador das ilusões que infestam a vida humana.

Conclusão

¹ Dediqueime a tudo isso e cheguei à conclusão de que os justos e os sábios, bem como o seu trabalho, estão nas mãos de Deus, mas ninguém sabe o que o espera, seja amor, seja ódio. ² Todos partilham um destino comum: o justo e o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que oferece sacrifícios e o que não os oferece. O que acontece com o homem bom acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazêlos. ³ Este é o mal que há em tudo o que acontece debaixo do sol: o destino de todos é o mesmo. Além do mais, o coração dos homens está cheio de maldade; a loucura o domina enquanto vive, e, por fim, eles se juntam aos mortos.  ⁴ Quem está entre os vivos tem esperança; até um cachorro vivo é melhor do que um leão morto! ⁵ Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada sabem; para eles não há mais recompensa, porque a sua memória cai no esquecimento. ⁶ Para eles o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram; nunca mais terão parte em nada do que acontece debaixo do sol. ⁷ Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho com o coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. ⁸ Esteja sempre vestido de roupas brancas e unja sempre a sua cabeça com óleo. ⁹ Desfrute a vida com a mulher que você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido! Pois esta é a sua recompensa na vida pelo trabalho que você realizou com esforço debaixo do sol. ¹⁰ Tudo o que vier às suas mãos para fazer, façao com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria. (Eclesiastes 9:1-10 | NVI)

Pensar sobre  o sentido da vida é pura vaidade, porque não há sentido para a vida. Ela é uma consequência das leis físicas e químicas que fazem o Universo ser o que é. Vaidade e idiotice! No contexto do Universo, a vida é uma consequência de determinadas coincidências simultâneas, apenas isso!

Portanto, na nossa insignificância diante do Todo, a busca pelo Transcendente nos leva a imaginar um criador porque tudo deve ter tido um início. Essa afirmação é filosoficamente idiota, porque se nada pode ser eterno (sem início) a pergunta se volta sobre o tal criador: Se tudo teve de ser criado, quem criou o criador? Se responder que o Criador não foi criado, a afirmação nega a si mesma...(a falácia da lógica religiosa!).

Concordo com o Eclesiastes. “7 Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho com o coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. ⁸ Esteja sempre vestido de roupas brancas e unja sempre a sua cabeça com óleo. ⁹ Desfrute a vida com a mulher que você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido! Pois esta é a sua recompensa na vida pelo trabalho que você realizou com esforço debaixo do sol. ¹⁰ Tudo o que vier às suas mãos para fazer, façao com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.

Quando isso não for mais possível, não há mais comida saborosa e vinho, não há mais roupas brancas, não há mais óleo, não há mais a(s) mulher(s) amada(s), e não há mais nada que se possa fazer de útil até porque falta força, resta seguir o rumo caótico do Universo, deixar vir a morte para que a vida continue surgindo (como sempre) a partir da morte.

Por isso, sempre há o momento de seguir rumo a Narayama, este é o sentido final para a vida. A última vaidade! Porque, com você ou sem você o Universo continua, e a idiotice humana permanece.

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