Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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21 de dez de 2012

O Fim do Mundo

andre_mansur_fim_do_mundoEstava tudo bem planejado, o cronograma definido para o mega evento.

O Calendário Maia estava bem aferido, testado que foi pela NASA que comparou os átomos de carbono e os isótopos 14, e dava uma margem de erro de 0,004 nano segundos. Em vários países do Hemisfério Norte cidadãos abastados construíram abrigos subterrâneos enganados pela falsa propaganda que garantia a sobrevivência em caso do mundo acabar (o que é uma asneira, pois acabando o mundo acabam também os abrigos subterrâneos, mas como novos ricos geralmente são idiotas e compram qualquer merda, um monte deles comprou abrigos subterrâneos). Apóstolos, super-evangelistas, mega-pastores, e outros picaretas do tipo, encheram o bucho de dinheiro fácil vendendo passes de salvação para os incautos de sempre.

Após uma ferrenha concorrência, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar o Grande Impacto que daria início ao fim-do-mundo. A Prefeitura do Rio, com apoio do Governo do Estado e do Governo Federal (afinal alianças políticas servem para essas coisas) construiu três fim-do-mundródomos, porque várias pendengas judicias impetradas por diferentes grupos de interesse, determinavam que o evento deveria acontecer em locais diferentes.

Setores ligados à FIFA e à CNBB (um acordão envolvendo a bancada evangélica em off) impetraram mandato de segurança para que o evento acontecesse no novíssimo Maracanã (cujo projeto final foi aprovado pela Sagrada Comissão Ecumênica da Volta de Jesus); todavia, outros mandatos de segurança e liminares determinavam que seria em frente ao Copacabana Palace onde ficariam hospedadas as autoridades mundiais que celebrariam o acordo internacional do fim-do-mundo, perdoando as dívidas externas de todos os países, inclusive a dos EUA, uma vez que sendo o fim-do-mundo ninguém ia pagar mesmo e se pagassem, os que recebessem não teriam onde gastar; esse era o Projeto Original da Prefeitura que contaria com o patrocínio exclusivo da Petrobrás, do Eike Batista e do Bradesco (o Banco  oficial do Fim-do-Mudo). Um terceiro grupo, liderado pelo lobby das Escolas de Samba exigia que o evento acontecesse na Praça da Apoteose após o desfile da União Geral de Grêmios Recreativos e Escolas de Samba do Rio de Janeiro (um mega desfile juntando todas as escolas de todos os grupos); esse grupo tinha o apoio de vários ministros do STF, que alegando o excesso de trabalho devido ao Mensalão, não pode julgar tudo que estava rolando sobre o fim-do-mundo; assim até dia 15 de dezembro, não estava judicialmente decidido o local do impacto.

Para não perder a oportunidade política, a Presidenta da República consultou o Ministério da Ciência e Tecnologia sobre a possibilidade de se conseguir mais dois asteroides, de forma que o evento aconteceria nos três locais  simultaneamente, e seria assim um evento popular onde todos poderiam participar; a Presidenta assinou Medida Provisória definindo recursos para que o INPE providenciasse dois asteroides em caráter de urgência urgentíssima em benefício do interesse público. Todavia, graças a rápida manobra política, a Oposição conseguiu  bloquear a MP no Congresso alegando que os recursos extraordinários fariam falta aos setores de saúde e educação do país; para garantir, os Partidos de Oposição, com a cobertura da mídia empresarial, impetraram mandato de segurança no STF, apesar das explicações do Ministro Presidente do Egrégio Tribunal informar que o Mandato só poderia ser apreciado pela Casa duas semanas ou três após o fim-do-mundo.

Fora do Brasil, na ONU, com a Assembleia Geral reunida, povos de outras culturas e religiões contestavam, através de seus diplomatas, a realização do fim-do-mundo em um país cristão, uma vez que ninguém além dos cristãos esperam a volta de Jesus, e que isso não poderia ser imposto; assim, o mundo não poderia acabar com a volta de Jesus pois seria uma afronta aos povos de outros credos. O representante dos EUA informou que seu país não vai tolerar ingerências terroristas no fim-do-mundo e já colocou todo seu aparato militar em prontidão de alerta laranja, pronto para invadir qualquer país que se oponha ao fim-do-mundo na forma que foi definida, a fim de garantir a liberdade e a democracia mundial mesmo no fim-do-mundo.

Grupos ativistas de todas as cores, do mundo inteiro, especialmente ambientalistas e promotores dos direitos humanos, decidiram realizar um fim-do-mundo alternativo, que aconteceria no Aterro do Flamengo, com o slogan “Um outro fim-do-mundo é possível!”, determinando que o mundo terminaria não por um impacto de asteroide, que danificaria o meio ambiente, mas de forma bem natural, convocando a humanidade inteira e todos os animais a darem um tremendo peido coletivo à hora marcada, alterando rapidamente a atmosfera para o mundo acabar pela falta momentânea de oxigênio, o qual seria rapidamente reposto pelos vegetais em menos de dois séculos através da fotossíntese. O Peido do Novo Mundo foi estampado em camisetas, bandeiras, cartazes… e foram distribuídos à toda humanidade feijões pretos, repolhos e bata-doce, a fim de garantir o evento.

Apesar desses contratempos todos, o Governo Brasileiro garantiu o fim-do-mundo oficial no dia e hora marcada.

De fato, à hora prevista, no dia 21 de dezembro, três enormes asteroides entram na atmosfera da terra, mas se desintegram em poucos segundos, dando como resultado um miserável chuvisco de meteoros, que mal foi visto devido à intensa luz do sol. As autoridades no Copacabana Palace mantiveram o sorriso cínico como se nada realmente tivesse acontecido (e realmente, nada aconteceu). No Maracanã, para disfarçar, organizou-se um joguinho amistoso entre Corinthians e Flamengo com as bênçãos do Papa  (que daria a Bênção Final Urbi et Orbi no centro do gramado). Na Praça da Apoteose, terminado o desfile, e nada tendo acontecido, uma briga entre as baterias animou o pessoal sendo que até o momento em que escrevo essas linhas, o pau continua comendo solto por lá.

No Aterro do Flamengo, todavia, o Fim-do-Mundo alternativo também não deu certo: não conseguiram sincronizar o horário do Grande Peido Mundial, de forma que uns peidaram muito cedo, outros mais tarde mas isso não foi suficiente, e ainda tem gente peidando pelo mundo todo…

A Globo, pouco depois do fracasso dos asteroides, colocou no ar o Boal, com as chamadas para o Big Brother Brasil e o Jornal Hoje informou que a CIA suspeita que terroristas albaneses conseguiram danificar o asteroide oficial quando ainda estava por trás da Lua, por isso ele falhou, mas não emitiu nenhum parecer sobre a falha dos dois asteroides brasileiros  extras. Seja como for, uma frota norte-americana estacionou no litoral da Albânia, e logo em seguida o Iran anunciou seu apoio ao valente povo albanês.

No elevador do Copacabana Palace, a Primeira Ministra Alemã comenta com o Rei da Suécia: “Eu bem avisei àquela senhora Dilma que encomendar asteroides chineses não era a coisa mais adequada, mas eles ganharam a concorrência e deu no que deu!”.

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3 de dez de 2012

Quando não havia o videoteipe, nem o Jô.

Indio da TupyNo final dos anos 50 e início dos 60 do século passado, a TV brasileira engatinhava. Não havia videoteipe, tudo era feito “ao vivo e em preto&branco” e a improvisação era a grande arte! Não havia a baixaria dos programas religiosos, claro.

Lembro que as propagandas eram feitas em estúdio, com uma moça, chamada garota propaganda, apresentando os produtos. Essas moças pagavam muito mico: ela mostrava o novíssimo liquidificador Arno e picava banana, maçã, colocava leite, mostrava como era “fácil fazer uma deliciosa vitamina de frutas”; então girava o botão para ligar o incrível equipamento e nada acontecia! Ela dava um sorriso, girava o botão de novo. Sempre sorrindo, ela tenta novamente, nada! então aparece um sujeito por trás da cena e liga alguma coisa na tomada, era o liquidificador que não estava “plugado”. E então o aparelho começava a funcionar e a tampa saia fora e a pobre “garota propaganda” tomava um banho de vitamina! A imagem saia do ar, entrava o indiozinho da Tupi. Eu me dobrava de rir! Outra vez, a moça estava mostrando um incrível sofá-cama, grande novidade. Ela vai mostrar como é fácil armar a cama, ergue o assento do sofá, o dito cujo escorrega para trás, derruba a parede do cenário, uma confusão danada, novamente a imagem sai do ar e aparece o indiozinho…

Capitão 7

A garotada se amarrava nas Aventuras do Capitão 7, que passava na TV Record de São Paulo, o Canal 7 , onde também havia um programa que a gente curtia muito às 6 horas da tarde: Pullman Junior e depois a Turma dos 7. O Capitão 7 era o nosso super-herói, e fazia sucesso ao lado do Vigilante Rodoviário.  Legal mesmo era o Pullman Junior: crianças se inscreviam para participar, e ficavam lá comendo bolo Pullman, tomando Guaraná Antártica e vendo desenho animado. Uma vez eu participei junto com meu irmão Ricardo. Mamãe ficou dias tentando pelo telefone a nossa inscrição (telefone naquela época era mais complicado que celular da TIM). Conseguiu, era um programa especial de carnaval e fomos fantasiados de palhaço, eu e o Ricardo (nós havíamos ganho um prémio de originalidade no baile infantil naqueles dias, e mamãe estava orgulhosa das fantasias que ela mesma havia confeccionado!).

Chegamos na TV Record, que ficava pertinho do longínquo Aeroporto de Congonhas, e era simplesmente um conjunto de barracões cheios de divisões internas (os funcionários chamavam de estúdios!). Logo na entrada, um saguão, estavam três senhoras sentadas conversando. Reconheci uma delas rapidamente, era a esposa do Palhaço Pimentinha, que era companheiro do Arrelia, no Circo do Arrelia. Essa senhora era uma espécie de faz tudo: atuava no circo, fazia às vezes de garota propaganda, fazia número em programas que tinham de apresentar pequenos auditórios, etc. Ela olhou para mim e disse: “Olha só, se ele fosse magrinho, seria igual ao Pimentinha!” e todo mundo caiu na gargalhada, eu fiquei vermelho de vergonha! Fomos para o estúdio do Pullman Junior e foi quando descobri que era apenas um canto, onde haviam algumas mesas, um monte de criança sentada nas mesas comendo bolo; a gente mal podia ver o desenho animado, porque a televisão ficava por trás. Havia uma menina que apresentava o programa naquele tempo, acho que era a Débora Duarte!!! ela veio me entrevistar e eu fiquei todo orgulhoso: eu estava falando com a Débora, a menina que perturbava meus colegas de ginásio!!! eu tinha 11 anos!

TURMA DOS SETEFoi ai que alguém da TV Record me achou! Havia um programa muito legal, chamado Turma dos Sete, as aventuras de sete crianças, amigos e vizinhos. Um desse personagens se chamava Bolão e era gordinho. O menino que fazia papel de Bolão estava já muito “velho” para o elenco e estavam procurando outros. O sujeito que se apresentou como Produtor da Record gostou de mim… minha mãe, claro, ficou toda cheia de si, e lá foi o Luiz Caetano fazer semanas de testes, decorar texto, até que finalmente eu fui ao ar!!! Putz! Minha mãe passou dias no telefone avisando todos os parentes, inclusive os primos de segundo, terceiro e quarto grau, as vizinhas das cunhadas das primas, etc. que o Luiz Caetano ia estrear na TV no dia tal, ia ser o Bolão da Turma dos Sete, e claro, “ele tem talento, eu sempre soube disso, está muito bem e o diretor gosta muito dele!”. Pobre mamãe! como toda senhora jovem pequeno-burguesa vivia das fantasias do mercado…

Dona Renata, mamãe, deve ter elevado muito o Ibope da Turma do Sete naquele dia, se isso já existisse. Naquele tempo não tinha FACEBOOK, nem Twitter, então não tinha como “compartilhar”, o negócio era telefonar pra todo mundo mesmo. Não tinha videoteipe. A gente entrava no ar e a coisa tinha de rolar na marra! se saísse errado, a gente tinha de improvisar… era divertido!

Durou pouco meu tempo de TV. Meu pai cismou, no que foi plenamente apoiado pelo Diretor do Colégio Nossa Senhora da Glória, o Irmão Expedito Leão (Marista), que aquele negócio de trabalhar na TV e estudar não dava certo. E com seu jeito de pai mansinho, ele convenceu minha mãe e eu simplesmente tive de deixar o programa. Acho que fiz uns três programas, estava em fase de teste ainda.

Por isso é que o Lima Duarte, o Francisco Cuoco e o Tarcísio Meira fizeram sucesso! Meu pai bloqueou minha carreira na TV!!! mas tive meus dias de glória na telinha! e nem precisei escrever livro, virar presidente de qualquer coisa, nem pagar para aparecer no Jô para isso! E ainda ganhei uma graninha, que meu pai usou para comprar minha bicicleta Caloi aro 24, com a qual eu finalmente ganhei do Marcelo (que tinha uma Monark aro 24) nas corridas de bicicleta que a criançada da vizinhança fazia na Jackson de Figueiredo, bairro da Aclimação, São Paulo.

Se naquela época tivesse o FACEBOOK eu teria compartilhado com amigos, grupos, páginas, etc.  É o modesto charme da burguesia!  e vamo que vamo!

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30 de nov de 2012

Comunidade ou clientela?

Rev. FulanoMuitas vezes aparecem pessoas visitando a São Paulo Apóstolo, e travam comigo ou com alguém um diálogo assim:

“_ Esta igreja aqui é a mesma do Rev. Fulano, lá de (cidade)? a gente é de lá, frequenta lá. É que disseram que é a mesma!”

“_ Sim, é a mesma Igreja, somos parte da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil”

“_ Não sei se é essa, mas é a mesma coisa né? porque a gente gosta muito do Rev. Fulano, sabe, né, ele é muito bom, faz muita coisa boa!”

“_ Sim, eu sei…”

“_ Mas é tudo igual à igreja de lá, né?”

“_ Vocês são Episcopais Anglicanos?”

“_ É, acho que é isso, Anglicana, né? mas é a igreja do Rev. Fulano, em (cidade). A gente gosta muito dele, sabe? ele fala bonito, muito espiritual, e faz muita coisa boa pros outros…”

“_ Sei…”

“_ Aqui não tem muita gente, né? é que lá todo mundo gosta do Rev. Fulano… muita gente vai lá… ele é muito conhecido, né? Inclusive ele casou o Vice Síndico do meu prédio e batizou o filho da amiga da minha prima de segundo grau, foi assim que a gente conheceu ele.”

“_ Sei… mas vocês são bem vindos, em nome do Senhor Jesus Cristo!”

“_ Como é mesmo o seu nome? é que a gente quer telefonar lá pra Igreja do Rev. Fulano para ter certeza que é a mesma coisa; é que não é igual, sabe? lá não tem aquela coisa ali na mesona…” (ou “não tem vela”, ou “tem muito mais vela”, ou “tem a foto da avó do Rev. Fulano com ele no colo quando bebezinho, no lado do altar” – coisas desse tipo).

Já ouvi isso em outras comunidades onde trabalhei, e mesmo no meio ecumênico, gente que se refere à uma Igreja ou uma Denominação se referindo a um determinado pastor (vi isso em diferentes denominações).

Uma das coisas que sempre peço a Deus em meu ministério é que a Paróquia onde sirvo não venha a ser conhecida como a Igreja do Rev. Caetano, para que eu não peque por Soberba ou Orgulho. Eu pretendo servir ao Povo de Deus em Cristo, na comunidade episcopaliana onde esteja servindo e exercendo meu ministério, em comunhão com o Bispo Diocesano, e não a uma clientela que me idolatre! Eu tento sempre apontar ao Senhor, não a mim mesmo.

É o Espírito Santo de Deus quem deve fazer a Igreja, não a minha simpatia pessoal ou as sugestões do meu personal promoter, ou a minha enorme capacidade de bajular quem aparenta ser “pessoa de bem” (bens!).

É claro que as pessoas têm no pastor sua primeira referência, especialmente se são novos na comunidade. Mas o convívio com a comunidade acolhedora, a pregação, o ensino e – principalmente o não ter pressa para confirmar ou receber formalmente em comunhão uma pessoa a fim de mostrar crescimento estatístico – deve fazer aos poucos  que as pessoas se identifiquem com a Comunidade, e com a denominação. 

Que Deus me ajude! e que Deus salve a Igreja dos que se autopromovem usurpando o nome do Senhor! daqueles que, ao divulgarem a si mesmos, pensam estar divulgando a Igreja e o Evangelho, nas relações pessoais e, principalmente na mídia.

Como disse o Apóstolo São Paulo, “ […] de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento. (1. Cor 3.7)

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26 de out de 2012

Propostas em favor de “minorias oprimidas”…

Uma vez que a nossa sociedade é repleta de políticas afirmativas, quotas e bolsas por conta do Estado, e que o politicamente correto é hoje a ditadura da mediocridade, me atrevo a apresentar algumas sugestões de políticas afirmativas em defesa de alguns grupos sociais ainda não privilegiados, já que este é o país dos direitos sem deveres. 
1. Quota para alun@s obes@s no Ensino Superior:  veja bem, o sujeito/a sujeita é gordinh@, estuda em escola pública, mas é branc@, não tem afro-antepassad@, e por isso – por ser gordinh@ – disputa vestibular em desvantagem flagrante diante dos saudáveis mauricinhos e patricinhas que frequentam academias. Veja só: o/a infeliz  gordinh@ tem de subir e descer escadas no colégio, o que no seu caso, o/a faz chegar mais cansad@ que @s demais na sala de aula, geralmente com dor nas pernas e no pé, e isso afeta seu aprendizado, pois já sofreu um estresse antes de começar a aula. Considere-se que normalmente gordinh@s caminham mais devagar e por isso acabam chegando atrasad@s à escola devido a terem de caminhar desde o ponto de ônibus… Portanto, nada mais justo que se ofereça uma quota para gordinh@s a fim de que possam cursar uma faculdade e disputarem o mercado de trabalho de camelô com os demais estudantes magr@s. E é muito simples caracterizar um/uma gord@: basta olhar! Não precisa trazer documento, árvore genealógica, retrato editado no Photoshop, etc. O/A funcionári@ que receber a inscrição, olha bem o/a candidat@ e, como tem fé pública, atesta imediatamente que o/a candidat@ é gord@.
2. Assentos especiais para hemorreicos/hemorriecas: isso é importantíssimo, pois é assunto de saúde pública! Quem tem hemorroidas sabe (não é meu caso, mas eu penso muito nos coitadinhos). O/a infeliz vai ao cinema, teatro, restaurante, pega ônibus, taxi, metrô, trem urbano, viaja de avião, vai na escola, e mais uma porrada de coisas, onde tem de se sentar (claro que no caso do transporte público, é preciso que ele/ela tenha sorte em achar um banco vazio). E então, sentar-se é um suplício! Por isso, tudo que seja local onde hajam assentos, deve haver um percentual de assentos especiais para os infelizes, com um vazio no meio a fim de possibilitar a esses/essas coitad@s um conforto. Ainda não resolvi como o/a sujeit@ prova que tem direito a usar o tal assento e exigir que o/a adolescente boca-aberta, que adora usar os assentos reservados, desocupe o acento furado reservado ao/à portador(a) de hemorroidas (que seria politicamente mais correto chamar de trabalhador(a) com necessidades especiais para sentar-se, a fim de não ser pejorativo). Não será necessário desenvolver nenhuma tecnologia especial, basta equipar os locais com uma percentagem de cadeiras cujo assento seja uma tábua de privada, que é baratinho no mercado (não precisa ser almofadado, porque ai já seria um luxo e o governo não vai subsidiar isso!). Atenção: alguns locais públicos já reservam assentos especiais para obes@s, então tem de lembrar que alguns obes@s são também trabalhadores(as) com necessidades especiais para sentar-se apesar da bunda grande.
3. Faixa exclusiva para motoboy/motogirl em todas as ruas e avenidas e vielas: é realmente aterrador ver os/as trabalhadores(as) motoboys/girls oprimid@s pelo transito e pel@s desalmad@s motoristas que insistem em não dar brecha para eles/elas passarem, obrigando-os/as a sofrerem colisões nas solas dos pés contra espelhos retrovisores externos, por exemplo. É preciso lembrar que motoboy/girl ganha por produção, por isso, não pode perder seu precioso tempo em engarrafamentos, nem perder sua concentração em chegar logo por causa de pedestres mal intencionad@s que surgem por trás de carros e ônibus, inclusive nas faixas de pedestre com sinal aberto para os tais. Com a faixa exclusiva em qualquer via pública, os motoboys/girls não precisariam machucar os pés com retrovisores, nem fazerem uma ginástica danada para passar entre veículos parados em congestionamentos. Veja bem: qualquer pedestre tem faixa exclusiva que se chama calçada; por que os motoboys/girls não têm sua faixa exclusiva? isso é uma opressão burguesa contra os/as pobres rapazes/rapazas de capacete em duas rodas.
4. Bolsa-Família para solteir@s, solitári@s e casais estéreis: nem preciso argumentar muito neste caso, pois a tal Bolsa-Família oferecida apenas a quem tenha filh@s menores é um insulto ao princípio que tod@s os/as cidadãos(ãs) são iguais perante o Estado. No que se refere às mulheres, principalmente, pois uma mãe-solteira, só por ser mãe, tem direito à bolsa família. Cabe o adendo da pergunta se pai solteiro tem o mesmo direito (embora não seja politicamente correto exigir-se direitos especiais para pessoas do gênero masculino; a menos que seja uma homossexual ativa ou devo dizer lésbica ativa? não é ofensivo?).
Estas são algumas propostas… tenho mais…
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Observações sobre algumas questões semânticas que podem ser levantadas  ao ler-se  este artigo. Para evitar que os/as politicamente corret@s fiquem mais enfurecid@s que de costume, apresento a chave hermenêutica para certas palavras e expressões utilizadas no texto acima:
a) quando falo em ditadura da mediocridade, não é pejorativo. Medíocre significa median@, médi@, ou seja dentro do padrão da maioria. O/A politicamente corret@, exatamente por considerar-se corret@ (os/as diferentes são, então, incorret@s) é uma ditadura, ou seja, um totalitarismo.
b) bunda: no Brasil não é palavrão (baixo calão), mas em Portugal sim. Portugueses/as politicamente correct@s, por favor, lembrem-se que falo brasileiro.
c) mãe-solteira refere-se à mulher que tenha filhos e não é casada nem vive com um companheiro (assumindo ou não a paternidade); vale inclusive para aquelas adeptas da produção independente. Afinal, são solteiras. Isso não é pejorativo. Mas talvez fosse melhor, ao invés de mãe-solteira, referir-se às tais como “mulher emancipada que tenha prole”.  Não sei dizer se, no caso, prole seria politicamente correto. Talvez fosse melhor dizer “mulher emancipada que reproduziu parte de seu material genético com masculino oculto”.
d) se você é politicamente corret@ e ficou irritad@ com este artigo, então atingi meu objetivo. Note que estou sendo politicamente correto ao ser idiotamente sincero.
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3 de out de 2012

Unidade e Diversidade, a nossa Identidade Episcopaliana

S. Pedro e São Paulo: A Igreja Judáica e a Igreja Gentílica se abraçam!Uma dificuldade que as pessoas hoje têm de compreender o sentido de unidade da Igreja de Cristo deve-se ao fato de haverem muitas denominações cristãs, diferentes Igrejas. Entretanto, essa diversidade é salutar!
A gente precisa entender bem essa questão da “divisão” da Igreja. Não é verdade que a Igreja Primitiva era uma coisa só. Não era! Havia uma variedade na forma de organização e na liturgia.
Desde do início da expansão missionária a partir da Igreja de Antioquia, que envia Paulo e Barnabé em Missão por ordem do Espírito Santo (cf. Atos 13.1-3), o cristianismo começou a dialogar com culturas e povos diferentes daquele ambiente nativo dos primeiros apóstolos.  Nesse sentido, o Apóstolo Paulo logo compreendeu que a grandeza do Evangelho não se limitava aos preceitos do judaísmo, e que o Evangelho é de fato uma Boa Nova para todos os povos. A expansão do Evangelho entre os povos pagãos do Império Romano, especialmente no ambiente marcado pelo helenismo, obrigou a Igreja em Jerusalém rever suas posições em relação às práticas judaicas; tal revisão aconteceu no que chamamos de Concílio de Jerusalém, narrado em Atos dos Apóstolos (15.1-33), provocada pela própria Igreja de Antioquia, a grande igreja missionária que, movida pelo Espírito Santo, deu início à evangelização do mundo gentílico: as comunidades que surgem a partir do movimento de Antioquia já não eram formadas apenas por pessoas de tradição judaica, mas também por gentias, ou seja, não judias.

22 de set de 2012

O que está acontecendo na Igreja?

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Este artigo é resultado de uma reflexão que temos feito na Paróquia São Paulo Apóstolo, como companheiros de ministério e partilhado com algumas lideranças leigas da paróquia, no contexto do Clamor pela Igreja que a comunidade tem realizado dominicalmente desde o Pentecostes.  Trata-se de um texto pessoal de nossa exclusiva responsabilidade, e não reflete, necessariamente, o pensamento da comunidade paroquial, da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro ou até mesmo da Ordem de São Tiago de Jerusalém, na qual partilhamos esperanças e temores.
Depois dos últimos acontecimentos na IEAB, resolvemos partilhar nossa reflexão sobre a eclesiologia em que se fundamenta a nossa Igreja, que – nos parece – vem sendo esquecida por setores do clero e do laicato.
Primeiramente, temos que esclarecer o que é Eclesiologia? (do grego ekklesia= Igreja; Logia= Discurso). É o ramo da Teologia Sistemática que trata da Igreja: seu papel na salvação, sua origem, sua doutrina, sua disciplina, sua forma de se relacionar com o mundo, sua presença social; e também as mudanças ocorridas, as crises enfrentadas, a relação com outras denominações e sua forma de governo.

19 de set de 2012

Eu não sou “anglicano”!

Já fui! não sou mais! Prefiro ser o que era antes, desde que entrei na Igreja, que na época chamava-se Igreja Episcopal do Brasil (IEB), e alguns anos antes do meu ingresso ainda era Igreja Episcopal Brasileira. Sou Episcopaliano, ou como se dizia antigamente, sou Episcopal.  Estou com saudades da Igreja que eu conheci e que hoje parece estar moribunda!
Saudosismo decorrente da idade? Não! indignação por ver deteriorarem-se os valores que tocaram meu coração e me fizeram um apaixonado pela Igreja Episcopal, meu espaço de comunhão íntima com Deus, em comunidade!
(Aqui novamente peço a compreensão dos leitores não episcopalianos ou anglicanos por tratar de um assunto muito específico… mas talvez essa reflexão possa ajudá-los a refletir sobre suas próprias denominações)
O problema é que sob o substantivo (ou seria adjetivo?) “anglicano” se identificam muitas coisas, denominações e seitas, e adjetivos complementares sem qualquer nexo (anglo-qualquer-coisa)! Ou seja, não sei mais o que significa “anglicano” hoje! Antes era uma Comunhão! mas agora parece ser uma confusão!

26 de ago de 2012

VOTO DE CABRESTO OU RESPONSABILIDADE PASTORAL?

FALE

Fico feliz em ver o FALE assumindo essa campanha! O FALE foi uma iniciativa que começou quando eu era o Secretário Regional do CLAI para o Brasil, e foi exatamente o apoio institucional do CLAI que permitiu o surgimento do FALE. Por muitos anos fiz parte da equipe de assessores e redatores do FALE. Uma das mais belas iniciativas realmente evangélicas, inspirado no movimento SPEAK-UP da Inglaterra, o FALE do Brasil se tornou o maior grupo da Rede no mundo.

O posicionamento do FALE vai exatamente contra aquele tipo de clérigo que “vende” seu voto e o voto de sua congregação, em troca de favores políticos, escusos.

Isso não significa afirmar que clérigos devam esconder suas posições políticas! Exatamente por sermos um Estado Laico, os clérigos são primeiro Cidadãos (porque não nascem clérigos) e devem exercer sua cidadania com transparência e devem SIM, por serem formadores de opinião, ajudar o povo de suas comunidades a exercer sua cidadania, como princípio ético. Não se trata de "obrigar" o voto, mas levar à uma análise crítica da realidade à luz da Palavra de Deus, o que seria de fato seu papel como teólogo com a comunidade. O que não se deve fazer, por ser antiético, é atrelar seu ministério a um projeto eleitoral que implique em "benefícios para a igreja".

Calar-se diante de uma realidade por ser clérigo, seria na verdade apoiar uma situação existente e um núcleo de poder político. Nesse caso Dietrich Bonhoeffer, por exemplo, não poderia ser considerado uma referência ética cristã contemporânea. Seu posicionamento político foi bem claro e o levou a atitudes radicais diante de um poder diabólico que - exatamente em nome da neutralidade religiosa, foi apoiado pela Igreja oficial.

Nada deve parecer natural
Se o pastor omitir-se, a mídia vinculada ao poder dominante atrela o povo... Os opressores poderosos não são invencíveis!


Meus paroquianos sabem com clareza minha posição política, ela está expressa de forma transparente até mesmo no FACEBOOK, e nem por isso sentem-se no cabresto do seu pastor. Aliás, aqui no Rio, eu voto FREIXO.

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30 de jul de 2012

A Coisa

O despertador tocou às 6h00, como todos os dias; João levantou-se abriu a veneziana e contemplou a rua, aspirando o ar fresco. Estranhou o pouco movimento, mas deu-se conta que era sábado; já os bem-te-vis e os pardais faziam a costumeira arruaça matinal. “Eles não têm sábado, nem domingo, eles não estão presos às convenções do tempo”, e esse pensamento fez surgir um sorriso no rosto de João. Tomou banho, lavou a dentadura, fez gargarejo com o Listerine, vestiu-se, desceu até a cozinha, bebeu os dois copos de água que o médico recomendou, e saiu para comprar o pão na padaria da praça, ali perto, e pegar o jornal na banca do Reinaldo, para depois fazer o café e ver o que o editor do jornal queria que ele ficasse sabendo. Tudo como sempre fazia desde que se aposentou.

Ao sair para o pequeno jardim do sobrado, ele a viu! Estava ali, no lado esquerdo do canteiro de copos-de-leite. “Estranho”, pensou João, “que é essa Coisa ai?” La estava aquela Coisa, e João tinha certeza que ontem não estava lá.  Mas agora estava lá, solene, na terra, entre os copos-de-leite, imperiosamente ela mesma, aquela Coisa. João se aproximou para ver a Coisa mais de perto: “Que Coisa é essa?”, e ficou olhando interessado.

Nisso, passou o Garrido, com seu sorriso bonachão dando o solene “Buenos Dias” com seu sotaque portenho, e então percebeu o João entretido com a Coisa. “Que Cosa es esta?” perguntou. “Não sei, essa Coisa apareceu aqui assim, sei lá vinda de onde!”  Garrido entrou no jardim e pôs-se também a olhar a Coisa. E estavam os dois olhando a Coisa quando passou dona Severina, nordestina arretada, neta de cangaceiro  e evangélica, que ao ver a Coisa logo foi dizendo: “Essa Coisa ai não é coisa de Deus!"” e entrou para olhar a Coisa também ao mesmo tempo que repreendia a Coisa.

Logo várias pessoas da vizinhança estavam ali, olhando a Coisa, pois todos que passavam se interessavam e vinham perguntar que Coisa era aquela. E todos diziam alguma coisa sobre a Coisa. Várias hipóteses surgiram para explicar a Coisa, mas ninguém conseguia dizer que coisa a Coisa era.

Vicente, o filósofo da rua, disse que já tinha visto muita coisa, mas nunca tinha visto uma coisa como aquela Coisa. Gilberto, que estudou dois anos de engenharia na juventude, disse que talvez a Coisa tivesse relação com um tal de Bóson de Higgs (“é com agá, mas a gente fala como se fosse erre”, salientou) que alguém tinha visto na Suíça, mas foi contestado pelo Vicente dizendo que o Bóson de Higgs era outra coisa e não aquela Coisa.  “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e nada é a mesma coisa. Isso está me parecendo uma coisa estranha”, concluiu Vicente.

Dona Severina, continuava dizendo que a Coisa não era coisa de Deus, e já estava reunindo um grupo para orar pedindo a Deus que mandasse um profeta explicar o que era aquela Coisa, enquanto Gilberto, expressando seu ateísmo materialista, reclamava que a dona Severina não dizia coisa com coisa, e que aquela Coisa não tinha nada a ver com religião, uma coisa que ele não gosta.

Verinha, balzaquiana solteira, defensora dos direitos humanos, da ecologia e representante da rua na Associação do Bairro, chegou dizendo que a Coisa tinha o direito de estar lá e que ela não admitiria que alguém tentasse pegar na Coisa, e aproveitou para distribuir os panfletos sobre a próxima assembleia do bairro, que deveria tratar de várias coisas.

O fato é que todos falavam alguma coisa sobre a Coisa, e muita coisa se dizia sobre a Coisa, mas ninguém dizia realmente qualquer coisa que explicasse a Coisa. Alguém sugeriu chamar a Polícia ou os Bombeiros, mas outrem disse que isso não é coisa de Polícia, e que talvez fosse melhor deixar a Coisa como estava porque as coisas vão e vem, a vida é uma coisa assim mesmo. Verinha retrocou dizendo que não podiam ser conformistas e deviam lutar pela Coisa, porque era a coisa mais certa a fazer. “A Coisa é nossa, está na nossa rua e nós temos de cuidar da Coisa contra a manipulação política da Coisa! e só de pensar na Coisa, me dá aquela coisa, sabe, de me arrepiar toda!”

Foi então que chegou o Toninho, moleque da rua que fazia pequenos serviços para a vizinhança em troca de umas moedas para seu cofrinho de lata. Sem dar importância ao grupo que estava discutindo a Coisa, foi logo dizendo:
_“Ô seu João, ontem quando vim limpar seu jardim esqueci uma coisa… ah! está aqui!”, e pegou a Coisa.  Todo mundo ficou admirado!

Toninho já ia saindo quando o Vicente resolveu fazer a pergunta que todos queriam:
“Ô garoto! Essa Coisa é sua? que Coisa é essa?”
“Ora, é uma Coisa minha! só isso!”, e Toninho saiu correndo feliz por ter achado sua Coisa.

Pouco depois todos se deram conta que a Coisa não estava mais lá; afinal era Coisa do Toninho e ninguém tinha nada a ver com a coisa. Então, cada um foi cuidar das suas próprias coisas.

“Que Coisa!”, exclamou João, e foi direto à padaria.
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21 de jul de 2012

Do Poder, do Episcopado e outros babados.

s_pedroepauloInstituições tem a cara dos seus dirigentes. O caráter humano é essencial na identidade de cada instituição. O caráter humano é muito influenciado pelo poder, essa “coisa mágica” que permite algumas pessoas exercerem autoridade sobre as outras dentro de um espaço institucional, seja a família, seja o Estado, seja uma ONG, seja uma comunidade de fé ou uma denominação religiosa.
Quando se trata de uma instituição religiosa, a coisa se complica um pouco mais, porque há tendência das pessoas sacralizarem a instituição, ou seja, pensar a instituição como algo divino, de tal forma que seus dirigentes são entendidos como “escolhidos pela Divindade”, e portanto sua autoridade e seu poder emana do próprio Divino.

5 de jun de 2012

Por que clamar em favor da Igreja?

CLAMORDesde o Domingo da Trindade, a Paróquia São Paulo Apóstolo começou uma campanha interna de clamor em favor da Igreja de Cristo: por toda a Igreja e particularmente pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e a Comunhão Anglicana.  Por que a comunidade decidiu isso? Uma reflexão no Pentecostes sobre o estado da Igreja no mundo e, particularmente no Brasil, levou-nos reconhecer a necessidade de – mais que uma intercessão – iniciarmos um clamor.
CLAMAR é o ato de manifestar diante de Deus a nossa indignação e a nosso completo desacordo com a realidade que vemos! e é manifestação de compromisso em OUVIR o SENHOR e OBEDECER À SUA VONTADE! Para compreender o conceito de clamor, sugiro meu artigo no blogue da Paróquia São Paulo Apóstolo, “Clamor!”.

26 de mai de 2012

Avaliando, revisando e abandonando velhos caminhos, começando novos, vislumbrando outros horizontes!

001 (2)Hoje, 26 de maio, dia de Santo Agostinho de Cantuária, completo 27 anos como Diácono servindo na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Agradeço a Deus o privilégio de servir ao Seu povo nesta pequena parte da Igreja de Deus em Jesus o Cristo e chegar aos 62 anos de idade (no dia 30), 44 anos desde minha conversão ao Cristo, e 42 como episcopaliano.
Repensar tudo é necessário, mudar paradigmas de vida e mudar também as formas de crer e de servir a Deus, lembrar que o Senhor tem muitos rebanhos e sempre há necessidade de pastores e obreiros para a Messe do Senhor, que não se limita à uma única denominação ou confissão de fé. O Senhor tem também muitos nomes...
Assim, reafirmo meu compromisso com Deus, não importa o Nome que eu dê a Ele/Ela, o que significa que reafirmo meu compromisso com a diversidade humana, em primeiro lugar. Diversidade cultural – portanto, religiosa porque Deus se manifesta nas culturas e estas O interpretam – diversidade étnica, diversidade ética (apesar dos moralistas de plantão). Não aceito como saudável ou sagrada a diversidade social que exclui milhões em benefício de alguns milhares… Isso acontece porque na diversidade ética há inclusive gente não-ética, geralmente parasitas de todos os grupos humanos.
Nesse sentido, uma vez que não se serve a Deus solitariamente, mas sim solidariamente, reafirmo minha confissão de fé como cristão, e minha lealdade à Igreja de Deus em Jesus o Cristo, independente da denominação onde eu esteja ou venha estar. Denominações (igrejas) são modos de ser da Igreja de Cristo, tão diversa quanto as culturas humanas, até porque confessando que Jesus o Cristo é Deus assumindo a carne humana (Deus Encarnado, Deus Conosco), reconheço que a Igreja de Deus se encarna de diferentes maneiras em diferentes grupos humanos. Apesar de muitas falcatruas se autodenominarem “igrejas” (tenham formato protestante, evangélico ou litúrgico) que prometem mundos (sem Cruz) e fundos (pro$peridade) que o Senhor não prometeu, ainda há igrejas de verdade, que anunciam o Evangelho COM a Cruz e a Ressurreição. E, ao renovar meu compromisso de fé cristã, reafirmo meus votos aos Irmãos e Irmãs em Tiago de Jerusalém, a OST.  Este pequeno grupo de pessoas complicadas, muitas vezes rebeldes, inconformadas com certas “normalidades institucionais eclesiásticas”, é realmente meu núcleo de apoio e fortalecimento da vocação e do ministério.
Quanto ao resto, resto da minha vida, reafirmo meu compromisso de servir aos pobres, aos marginalizados e aos excluídos de toda a possibilidade de vida com dignidade, neste diabólico ambiente mundial controlado por minorias loucas que fazem da morte sua opção de ganhar a vida.  Continuarei repartindo o pouco que tenho com quem seja necessitado ou não (porque não tenho como julgar sem usar critérios pouco éticos). Não prometo mais lutar com todo vigor em favor da justiça, da paz, da equidade social, e de tudo aquilo pelo que lutei, porque realmente já não tenho o vigor dos jovens e a maioria dos jovens não tem mais o vigor para a luta, alienados e enfraquecidos que estão pelo consumismo (até religioso) como ideal de vida; mas continuarei anunciando que há uma outra vida, melhor e mais digna, possível nesta terra, apesar das elites controladoras de tudo quererem nos fazer acreditar que este é o melhor dos mundos…
Continuarei tentando amar as mulheres, especialmente a mulher que partilha a vida comigo tentando caminhar lado a lado, agradecendo a Deus por aquelas que no passado partilharam e deixaram sua contribuição, boa ou ruim, em minha existência. Também eu deixei para elas coisas boas e ruins, nenhuma relação é perfeita e completa.
Continuarei tentando ser amigo leal e fiel, apesar das muitas deslealdades demonstradas por “amigos” que não o foram; mas agradeço ao Alto pelos poucos bons e leais amigos que durante todos estes anos tenho tido.
Confiando que “nada do que foi será igual ao que foi um dia”, manterei muitas coisas boas na memória, na recordação de momentos felizes, e deixarei de sonhar com o que não mais existe. “Tudo passa, tudo passará”, apenas a Palavra do Senhor não passará!
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14 de mai de 2012

Do poder e do penico.

PenicosOs políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente, e pela mesma razão!  (Eça de Queiroz)
Não sei quando o Eça disse isso, se publicou ou não, nem mesmo se é o autor da frase… peguei a citação no Facebook. Todavia, é uma frase feliz, de grande senso cidadão.
Na verdade, isso vale para qualquer um que exerça autoridade e esteja investido de poder. Para evitar se contaminar, sempre é bom não acumular muito tempo no poder e no exercício da autoridade... isso vale em qualquer instituição, INCLUSIVE na Igreja! Porque ninguém é imune ao poder corruptor do Poder!
Houve uma Ordem, Monástica, em tempos passados – não me lembro qual mas provavelmente de Regra Beneditina – onde havia uma norma sobre o Superior Geral: ao término de seu tempo de governo (exercício do poder e da autoridade) o monge, até então o Superior Geral, era designado para a função de Irmão encarregado das latrinas do mosteiro, ou seja, o sujeito que tinha de cuidar da merda de todo mundo! Isso, dizia a norma, era para que ele se desintoxicasse e se limpasse do poder e da autoridade, para que reaprendesse a servir e a obedecer, pois até então fora servido e obedecido pelos demais confrades.

13 de abr de 2012

Velhos paradigmas fantasiados de novos.

Quaresma 3Durante a Quaresma, a comunidade paroquial da São Paulo Apóstolo refletiu em busca de novos paradigmas para a Igreja de hoje. Os modelos tradicionais que temos já não conseguem repercutir com eficiência na sociedade contemporânea.
O modelo tradicional de se organizar a Igreja ao redor da vida no templo (paróquia), por exemplo, é uma visão rural de igreja, onde a comunidade dispersa se reúne no templo para o convívio, a troca de experiências, o estudo da Palavra, a oração comunitária; o senso de pertença se caracteriza pela presença na comunidade, na interação social entre os fiéis.

8 de abr de 2012

JESUS RESSUSCITOU! ALELUIA!

jesus-cristo-ressuscitado

Porque Ele vive, a Morte com seus poderes, foi vencida!

Porque Ele vive, a injustiça, a corrupção, a intolerância, a opressão, a exclusão, a ganância, a cobiça, a ingratidão, o preconceito, a avareza, a inveja, o ódio, e todos os males, serão vencidos, e todos os pecados serão esquecidos!

Porque Ele vive, podemos crer em um mundo novo, onde a Paz é fruto da Justiça, a Partilha e a Solidariedade governam, o Amor é o paradigma ético

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21 de mar de 2012

Vida de Pastor

(aos seminaristas de hoje que realmente querem servir o Povo de Deus e não faturar no negócio religioso)
Novo sentido espiritualidade 01Quando estudava no Seminário, em São Paulo, tirávamos algumas tardes de sábado e nos reuníamos, alunos e professores, para um bate papo informal, onde o que mais acontecia era a troca de experiências e um partilhar da vida.  Bons tempos em que a gente partilhava sentimentos, emoções, esperanças e fracassos com pessoas reais, olho no olho, e não nas redes sociais.  Eu costumava anotar algumas coisas em um caderno, as coisas que chamavam a atenção, que marcavam o coração… uma espécie de registro de momentos e palavras que impressionaram minha vivência aos 22 anos.
Esses caderninhos guardo até hoje, são minha memória afetiva e intelectual.
Lembro especialmente de uma tarde, o grupo não era grande, umas sete ou oito pessoas, e o papo com um velho professor, já falecido...
O assunto correu e chegou na “vida de pastor”… o nosso professor contou algumas de suas vivências, em alguns casos rimos muito, mas de repente nos saiu com essa: (tradução dos meus garranchos no caderno e devidamente editado para ser uma postagem)

7 de mar de 2012

A Borboleta

lagartaDurante a maior parte de sua vida, ela foi uma lagarta. Como tal, nem mesmo percebia o mundo; sua vida era apenas alimentar-se e crescer. Ela não percebia bem onde estava, sabia apenas que onde estava havia comida; aliás, ela habitava na própria comida. Sabia que haviam outras como ela, mas essas outras, como ela, apenas comiam e portanto era melhor que cada uma ficasse no seu canto, cuidando da comida à sua volta, para que outra não viesse fartar-se em seu território.

Sem que ela realmente entendesse o porquê, de repente seu corpo não quis mais comida, mas queria que ela saísse de lá e procurasse um outro local, para fazer o quê, exatamente, ela não sabia. Assim foi que achou um galho, e colou-se nele. Ao mesmo tempo, ela começou a tecer algo com um fio que saia dela mesma. Aquilo que ela construía foi envolvendo ela mesma de forma que em certo momento seu corpo estava totalmente dentro daquilo e não havia mais por onde sair. Ela se tornara um casulo! e um enorme sono se apoderou dela – até então nunca dormira, apenas comera sem parar – e ela paralisou todas as atividades, ficou ali, dentro do casulo, como dormindo, enquanto seu corpo passava por tremendas transformações.

Um belo dia percebeu-se novamente. Algo exigia que ela saísse do casulo. Sentia-se diferente, o corpo era outro, um corpo novo! Apareceram pernas, antenas, e uma coisa esquisita toda dobrada.E ela estava imersa em algo gosmento, estava como molhada. Percebeu que havia um lugar no casulo que ela poderia forçar e sair. Não sabia porque, tinha de sair dali.

Quando conseguiu passar sua parte da frente pela fenda aberta, ela se assustou. Ela viu algo que nunca vira, até porque nunca tinha visto coisa alguma até aquele momento. Havia muita coisa além dela, nada que lembrasse o mundo de comida onde crescera… Havia movimento em volta dela, e ela se percebeu presa em um galho, como que pairando no ar; o casulo balançava muito… havia vento, brisa, movimento.

Borboleta 1Sentiu medo! Um medo terrível! fora do casulo, o totalmente desconhecido. Bom seria ficar ali dentro do casulo, mas ele balançava muito e, afinal, acabaria caindo sabe-se lá onde! Ao mesmo tempo, uma força interior a forçava sair… com dificuldade, conseguiu colocar seu corpo todo fora do casulo, e tinha de aprender a usar as pernas, as antenas e os olhos… e aquela coisa dobrada esquisita que de repente começa a mover-se – ela tinha de mover aquilo de um certo jeito – e logo descobriu que aquilo era enorme e ela podia abrir e fechar…

Rapidamente começou a secar da gosma que envolvia seu corpo, começou a sentir-se firme nas pernas e acabou sendo soprada pela brisa. Algo fantástico aconteceu… aquela coisa que ela podia abrir e fechar, de repente se abriu e ela movendo aquilo, parou de cair; logo percebeu que podia ir para o lado que quisesse… estava voando.

Conseguiu ver mais sobre onde estava. Haviam coisas coloridas que balançavam ao vento… e de repente, haviam seres voando como ela e ela se deu conta que eram iguais a ela… Mas também haviam outros seres por ali, assustadores, e ela viu um desses seres assustadores engolir um outro igual a ela.

Bonito, mas assustador… melhor voltar para o casulo… lá dentro não há perigo… e tentou voltar, mas não cabia mais lá dentro. Ao mesmo tempo, sentia uma força enorme a impelindo para voar, para ir onde as iguais a ela estavam…

A borboleta se deu conta que estando viva, não podia fazer outra coisa senão lançar-se na vida, na vida nova que se abria para ela, e que apesar de todas as ameaças, havia um lindo jardim… e outras iguais a ela… e então… ela voou e apostou na vida, apesar de todos os riscos.

borboletasE logo encontrou outras como ela, e experimentou com elas uma comunhão profunda…percebeu que tinha de dar continuidade à Vida, e assim, na comunhão com outra igual a ela – não tão igual, afinal – acolheu em si alguma coisa; pouco depois, descobriu aquilo que antes era a comida, e lá deixou pequenas bolinhas que saíram de dentro dela… e feito isso, voou intensamente, pousou em muitas coisas coloridas, até que lentamente toda a luz terminou.

Das bolinhas que saíram de seu corpo, pouco depois, pequenas lagartas começam a se mover e a comer… e a borboleta se manteve viva na geração seguinte… e percebeu-se ligada a todas as gerações de borboletas antes dela… e depois dela! Pouco antes da luz finalmente apagar, ela entendeu que sair do casulo era o que tinha de fazer para ser plenamente o que ela nascera para ser: uma borboleta!

Para Simone, uma borboleta!

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19 de fev de 2012

O fim do mundo !

Fim do mundoDe tempos em tempos aparecem por ai os profetas do fim do mundo, evento que deverá acontecer em dia determinado e alguns – mais sofisticados – dizem até a hora… No momento, a data é dezembro deste ano, embora alguns discordem da data exata, por isso eu não a menciono. O oráculo da moda é o famoso calendário do povo Maia, uma civilização sensacional, que viveu – e ainda vive – na hoje chamada América Central e México.
De fato, dizem os cientistas, o nosso planeta terá um fim, muito provavelmente quando a nossa estrela central, chamada Sol, explodir daqui uns 4 ou 5 bilhões de anos. Segundo a teoria mais aceita, a Terra será engolida pelo Sol em expansão e assim tudo que há aqui será transformado em plasma estrelar, aliás, a matéria de onde tudo veio!
Mas isso não quer dizer que a vida vai acabar com a Terra. Provavelmente acabará antes! porque as transformações que o sistema solar vai experimentar antes do evento final, tornarão nosso planeta estéril.
Um monte de crente acredita que o fim do mundo é aquilo descrito no livro do Apocalipse, palavra grega que significa Revelação, embora o autor do livro não tivesse a pretensão de ser tão exato assim, ele estava mais preocupado com o Império Romano que perseguia os cristãos. O Apocalipse não fala do fim do mundo, mas do Reinado de Deus, quando o Céu vem para a Terra: um novo Céu e uma nova Terra (Apoc 21); vai ser meio chato porque diz o texto que não haverá mar, portanto, não vamos ter praia no Reino de Deus (os surfistas ficarão frustrados, assim como todo esse pessoal que curte praia).
Certa vez, há muitos anos, um famoso pastor batista fluminense, que terminou seus dias acusado de corrupção, e que estava em vias de comprar a TV-Rio, antigo canal 13, explicou que o povo evangélico tinha de ter uma rede mundial de TV para cumprir a profecia de que “todo olho verá” a volta de Jesus. Ele justificava que como a Terra é redonda, Jesus chegaria por um lado e quem estivesse do outro lado só poderia ver a grande volta pela TV, para cumprir a profecia; assim ele tentava convencer o povo a contribuir com dinheiro para o fechamento do negócio.
Devemos reconhecer que, ao menos, esse velho pastor era mais criativo que os atuais “pastores”, “bispos”, “apóstolos”, “vice-deuses”, que são donos de redes “evangélicas” de TV… e que o pessoal católico romano que também está no mercado da mídia televisiva brasileira.
Então Jesus vai voltar! resta saber de onde! Vejamos: a considerar a narrativa da Ascensão de Jesus como um fato físico, e supondo que Jesus subiu na velocidade da luz (o que faria dele energia pura, seja lá o que seja isso),  ele estaria hoje há quase 2 mil anos luz da Terra, ainda dentro da Galáxia… então, considerando que Jesus vai voltar no fim do mundo, pelo menos mais 2 mil anos teremos até que ele chegue de volta… os crentes não precisam ficar preocupados, e tratem de pagar suas prestações em dia, porque não vai ser possível dar calote em nome do fim do mundo.
Se considerarmos o texto sobre a Ascensão de Jesus como uma narrativa mítica e mística, a gente vai ver que ele não se foi… ficou oculto por uma nuvem… então Jesus não vai voltar, porque ficou por aqui mesmo, oculto na nuvem!!! êpa! então o fim do mundo pode acontecer a qualquer momento! vixe! Prefiro acreditar que tudo isso se refere a um novo Céu e a uma nova Terra: a afirmação de que um novo mundo é possível e desejado por Deus….
Fora do universo cristão há outros mitos sobre o fim do mundo, mas ficaria extenso a gente comentar aqui. O fato é que a percepção de fim pode ser um instrumento de esperança – um mundo novo é possível, ou a base de um absoluto niilismo – se tudo vai acabar, nada vale a pena.
Prefiro ficar com a Química e a Lei de Lavoisier: “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, conhecida como Lei da conservação da massa ou da matéria, que falando bem claro, diz: “nada começa, nada acaba, tudo muda”.
Eu sei que essa afirmação deixa você, leitor, cheio de indagações: não tem um começo? não vai ter um fim?  Meu objetivo é esse: apenas provocar! não leve tudo isso a sério! afinal, a vida é a vida, tendo começo e fim, seja lá o que isso seja!
Bom carnaval filosófico!
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10 de fev de 2012

Romper paradigmas !

Paralítico 1Jesus foi (é) especialista em romper paradigmas. Por exemplo, em Marcos 1.40-45, ele toca em um leproso e o cura. Todo mundo dá muita importância à cura, mas o fato mais importante do texto é que Jesus tocou o leproso! Segundo a Lei de Moisés, isso fazia de Jesus um impuro, tanto quanto o leproso. Mesmo assim, Jesus desobedece a norma, rompe o paradigma sobre impureza e coloca o homem, antes excluído, apto para viver em sociedade.
Eu gosto muito de ler, estudar e refletir o Evangelho segundo São João. Acho que é um dos livros mais fortes da Bíblia, e muito mal compreendido pela Igreja… chegou a ser suspeito de heresia gnóstica antes de ser aceito pela Igreja Antiga! Não é para menos! João apresenta um Jesus que rompe paradigmas o tempo todo, algumas vezes de forma cínica, encarando de frente os “donos da verdade”, escribas, fariseus, saduceus, autoridades religiosas e outros “especialistas em Deus” naquele tempo.

17 de jan de 2012

O Tempo (I)

espaco_sideralHá uma pegadinha que todo bom professor aplica nos alunos que iniciam o estudo da Física. Apresenta-se à classe um cronômetro ou um relógio, e pergunta-se: “O que é isso?”  Sempre tem um esperto que vai responder: “Um cronômetro!” (ou “Um relógio!”). O professor prossegue: “O que ele faz?”, o esperto responde: “É um aparelho para medir o tempo”. E o professor dá o cheque-mate: “O que é tempo?”. Silêncio total… e o professor prossegue: “Pois é, não dá pra definir tempo! embora se possa medir.” (uma pérola do positivismo!)

À medida que avança seus estudos, o estudante se adapta à fatalidade de utilizar o tempo como uma variável útil nas equações. Aliás, todo mundo usa o tempo assim, sem conceituar… Nós falamos em presente, passado, futuro, ontem, hoje, amanhã, e usamos todas essas características quantificáveis do tempo.

Os físicos relativistas vão mais além. Como lidam com grandezas enormes, e bota enormidade nisso, eles utilizam o tempo também como medida de distância (simplificando ao extremo, é isso ai), e falam em espaço-tempo. Espaço-tempo é uma coisa muito engraçada.

Olhe para o céu noturno. Você verá um monte de estrelas, se a poluição não atrapalhar. Escolha uma estrela, por exemplo, Sirius, uma estrela brilhante, a mais brilhante do nosso céu, que fica perto do Órion.  A luz de Sirius que está chegando aos teus olhos AGORA (presente), saiu (passado) da estrela há aproximadamente seis anos. Os astrônomos dizem que Sírius está há seis anos-luz da Terra, o que significa que sua luz, para percorrer a distância que a separa de nós, demora seis anos! Isso significa que a luz que você está vendo no seu presente é o passado da estrela.  Há coisas no céu que estão há milhares e milhões de anos-luz de nós. Quando olhamos para eles, estamos olhando para um passado muito distante, que é nosso presente. Vemos astros que não estão mais no lugar que vemos, e muitos nem mais existem!

Há corpos celestes mais distantes de Sírius que os seis anos-luz que nos separam dela. Digamos que haja um corpo celeste que está há oito anos-luz de Sírius.  A luz de Sírius que você está vendo ainda não chegou lá. Ou seja, o passado da estrela, que para você é presente, para um observador no outro corpo celeste ainda é futuro!

Olha só que coisa maluca! quando você olha o céu noturno (seu presente), você está olhando ao mesmo tempo para o passado e para o futuro! Tudo depende do seu PONTO-DE-VISTA, ou seja, de sua posição no espaço-tempo.

O Sol, que a gente não pode olhar diretamente, mas com ajuda de um filtro escuro, está há 8 minutos-luz da Terra; isso significa que sua luz leva oito minutos para chegar aqui. Vamos supor que os americanos resolvam parar de encher o saco do pessoal no oriente médio e resolvam ocupar o Sol com uma das naves da NASA (acho meio difícil porque derreteria tudo, mas como os americanos pensam que são deuses, pode até ser que inventem algo para pousar no Sol). O astronauta diria pelo rádio: “Pousamos no Sol”. Oito minutos depois, alguém em Huston, ouviria a mensagem.  Como é um técnico, ele daria a notícia: “Eles pousaram no Sol há oito minutos!”. Imediatamente, digamos 30 segundos depois, o Presidente dos United States falaria aos astronautas sua mensagem demagógica e ufanista, falando da paz mundial e outras baboseiras. Oito minutos e trinta segundos depois, a mensagem do Presidente, levada pelas ondas de rádio, chegaria ao Sol… mas ninguém ouviria, porque não há mais nenhum vestígio da nave, dos astronautas e da bandeira americana que tentariam colocar no solo [?!] solar! tudo virou Hidrogênio e Hélio.

Com muita pena dos astronautas, o que quero dizer é que até a luz que a gente recebe da nossa estrela vem do passado. E essa mesma luz ainda é futuro para um observador (o robozinho americano) em Marte.

“Pois é, meu caro” – como diria o meu velho professor de Física, o Dr.Fragoso – “estamos mergulhados em uma enorme sopa de passado, presente e futuro”.

Tá confuso? eu também! e tem coisa pior… mas por agora chega! já deu pra gente pirar por algum tempo, né? Tempo? êpa!

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