Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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26 de out de 2012

Propostas em favor de “minorias oprimidas”…

Uma vez que a nossa sociedade é repleta de políticas afirmativas, quotas e bolsas por conta do Estado, e que o politicamente correto é hoje a ditadura da mediocridade, me atrevo a apresentar algumas sugestões de políticas afirmativas em defesa de alguns grupos sociais ainda não privilegiados, já que este é o país dos direitos sem deveres. 
1. Quota para alun@s obes@s no Ensino Superior:  veja bem, o sujeito/a sujeita é gordinh@, estuda em escola pública, mas é branc@, não tem afro-antepassad@, e por isso – por ser gordinh@ – disputa vestibular em desvantagem flagrante diante dos saudáveis mauricinhos e patricinhas que frequentam academias. Veja só: o/a infeliz  gordinh@ tem de subir e descer escadas no colégio, o que no seu caso, o/a faz chegar mais cansad@ que @s demais na sala de aula, geralmente com dor nas pernas e no pé, e isso afeta seu aprendizado, pois já sofreu um estresse antes de começar a aula. Considere-se que normalmente gordinh@s caminham mais devagar e por isso acabam chegando atrasad@s à escola devido a terem de caminhar desde o ponto de ônibus… Portanto, nada mais justo que se ofereça uma quota para gordinh@s a fim de que possam cursar uma faculdade e disputarem o mercado de trabalho de camelô com os demais estudantes magr@s. E é muito simples caracterizar um/uma gord@: basta olhar! Não precisa trazer documento, árvore genealógica, retrato editado no Photoshop, etc. O/A funcionári@ que receber a inscrição, olha bem o/a candidat@ e, como tem fé pública, atesta imediatamente que o/a candidat@ é gord@.
2. Assentos especiais para hemorreicos/hemorriecas: isso é importantíssimo, pois é assunto de saúde pública! Quem tem hemorroidas sabe (não é meu caso, mas eu penso muito nos coitadinhos). O/a infeliz vai ao cinema, teatro, restaurante, pega ônibus, taxi, metrô, trem urbano, viaja de avião, vai na escola, e mais uma porrada de coisas, onde tem de se sentar (claro que no caso do transporte público, é preciso que ele/ela tenha sorte em achar um banco vazio). E então, sentar-se é um suplício! Por isso, tudo que seja local onde hajam assentos, deve haver um percentual de assentos especiais para os infelizes, com um vazio no meio a fim de possibilitar a esses/essas coitad@s um conforto. Ainda não resolvi como o/a sujeit@ prova que tem direito a usar o tal assento e exigir que o/a adolescente boca-aberta, que adora usar os assentos reservados, desocupe o acento furado reservado ao/à portador(a) de hemorroidas (que seria politicamente mais correto chamar de trabalhador(a) com necessidades especiais para sentar-se, a fim de não ser pejorativo). Não será necessário desenvolver nenhuma tecnologia especial, basta equipar os locais com uma percentagem de cadeiras cujo assento seja uma tábua de privada, que é baratinho no mercado (não precisa ser almofadado, porque ai já seria um luxo e o governo não vai subsidiar isso!). Atenção: alguns locais públicos já reservam assentos especiais para obes@s, então tem de lembrar que alguns obes@s são também trabalhadores(as) com necessidades especiais para sentar-se apesar da bunda grande.
3. Faixa exclusiva para motoboy/motogirl em todas as ruas e avenidas e vielas: é realmente aterrador ver os/as trabalhadores(as) motoboys/girls oprimid@s pelo transito e pel@s desalmad@s motoristas que insistem em não dar brecha para eles/elas passarem, obrigando-os/as a sofrerem colisões nas solas dos pés contra espelhos retrovisores externos, por exemplo. É preciso lembrar que motoboy/girl ganha por produção, por isso, não pode perder seu precioso tempo em engarrafamentos, nem perder sua concentração em chegar logo por causa de pedestres mal intencionad@s que surgem por trás de carros e ônibus, inclusive nas faixas de pedestre com sinal aberto para os tais. Com a faixa exclusiva em qualquer via pública, os motoboys/girls não precisariam machucar os pés com retrovisores, nem fazerem uma ginástica danada para passar entre veículos parados em congestionamentos. Veja bem: qualquer pedestre tem faixa exclusiva que se chama calçada; por que os motoboys/girls não têm sua faixa exclusiva? isso é uma opressão burguesa contra os/as pobres rapazes/rapazas de capacete em duas rodas.
4. Bolsa-Família para solteir@s, solitári@s e casais estéreis: nem preciso argumentar muito neste caso, pois a tal Bolsa-Família oferecida apenas a quem tenha filh@s menores é um insulto ao princípio que tod@s os/as cidadãos(ãs) são iguais perante o Estado. No que se refere às mulheres, principalmente, pois uma mãe-solteira, só por ser mãe, tem direito à bolsa família. Cabe o adendo da pergunta se pai solteiro tem o mesmo direito (embora não seja politicamente correto exigir-se direitos especiais para pessoas do gênero masculino; a menos que seja uma homossexual ativa ou devo dizer lésbica ativa? não é ofensivo?).
Estas são algumas propostas… tenho mais…
---- IMPORTANTE----
Observações sobre algumas questões semânticas que podem ser levantadas  ao ler-se  este artigo. Para evitar que os/as politicamente corret@s fiquem mais enfurecid@s que de costume, apresento a chave hermenêutica para certas palavras e expressões utilizadas no texto acima:
a) quando falo em ditadura da mediocridade, não é pejorativo. Medíocre significa median@, médi@, ou seja dentro do padrão da maioria. O/A politicamente corret@, exatamente por considerar-se corret@ (os/as diferentes são, então, incorret@s) é uma ditadura, ou seja, um totalitarismo.
b) bunda: no Brasil não é palavrão (baixo calão), mas em Portugal sim. Portugueses/as politicamente correct@s, por favor, lembrem-se que falo brasileiro.
c) mãe-solteira refere-se à mulher que tenha filhos e não é casada nem vive com um companheiro (assumindo ou não a paternidade); vale inclusive para aquelas adeptas da produção independente. Afinal, são solteiras. Isso não é pejorativo. Mas talvez fosse melhor, ao invés de mãe-solteira, referir-se às tais como “mulher emancipada que tenha prole”.  Não sei dizer se, no caso, prole seria politicamente correto. Talvez fosse melhor dizer “mulher emancipada que reproduziu parte de seu material genético com masculino oculto”.
d) se você é politicamente corret@ e ficou irritad@ com este artigo, então atingi meu objetivo. Note que estou sendo politicamente correto ao ser idiotamente sincero.
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4 comentários:

  1. Rsss... Gostei muito, Mestre! Parece um texto de Stand Up Comedy, mas é muito sério, e vindo de você, sei que é mais sério ainda. Não achei idiota. Achei irônico e pertinente, com bastante procedência e sabedoria. Parabéns! mais uma vez, você deu um show!!!

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  2. Manda pra Dilma. Ela vai transformar as boas idéias em políticas públicas sem demora.

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    1. Vc não sabia? a Dilma é leitora assídua deste blog! Ela está lá nos assinantes com uma identidade fake rsrsrsrs!

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