Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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31 de mai de 2011

Sobre a Intolerância (religiosa, sexual, etc.)

Cosme e DamiãoTemos visto, recentemente, verdadeiros shows de intolerância frente à necessidade da sociedade brasileira adequar-se aos novos tempos e à percepção – cada vez maior – da diversidade humana.

Com efeito, cada vez mais se toma consciência que a sociedade humana – assim como toda a Criação – é de impressionante diversidade; fica quase impossível pensar-se em um “ser humano padrão”, se buscarmos padrões cartesianos. A diversidade se expressa em forma de cultura , etnia, língua, e em tudo aquilo que o ser humano cria e desenvolve com sua inteligência – e aqui me refiro inclusive às artes, às tecnologias e também às religiões.

Essa mesma diversidade percebemos em toda a Criação, o Jardim criado por Deus e entregue ao ser humano para ser cuidado; Jardim esse que o ser humano perdeu quando a cobiça de poder – o ser  igual a Deus! – tomou conta de seu coração (cf. Gênesis 2.4-3.24 – uma interessante narrativa mitológica explicando a origem do mal inserido no seio da humanidade).

Entre os seres vivos, desde os seres unicelulares até os grandes mamíferos (o ser humano entre eles) a diversidade biológica é imensa. O mundo mineral, o próprio universo, tanto o macrocosmo quanto o microcosmo é de uma riqueza imensa em diversidade.

Assim é que temos visto nos últimos dias, ou melhor dizendo, nos tempos recentes, comportamentos e atitudes totalmente contrários à diversidade, uma demonstração de intolerância que chega a ser blasfema quando invocada em nome de Deus, o mesmo Deus que fez da diversidade a marca da Criação! Pior ainda quando entre os intolerantes aparecem ditos cristãos, nós que anunciamos e cremos em Deus que, por sua própria natureza, é diversidade (TRINDADE!!!!!!).

Os intolerantes cristãos – sejam eles ditos evangélicos ou católicos – justificam-se usando e ab-usando do texto da Bíblia, catando aqui e ali versículos para atribuírem a si mesmos o poder de “falar em nome de Deus”.

No que se refere à intolerância religiosa, a Igreja de Roma sempre assim procedeu, haja visto a (nada) Santa Inquisição, embora os protestantes e os cristãos orientais também não sejam santinhos; quando o Protestantismo chegou à América Latina, colonizada católico-romana, muitos dos nossos templos foram queimados, destruídos, pastores perseguidos, e  - entre os episcopais, por exemplo – pessoas não podiam afirmar sua orientação religiosa sem colocar em risco seus empregos e a segurança de seus lares. Todavia hoje, os ditos “evangélicos” – a péssima herança deixada pelo Protestantismo nas terras Ameríndias – repetem o mesmo comportamento de intolerância para com as religiões de matriz africana e/ou indígena que insistem com muita fibra em permanecer na nossa sociedade.

Não vou ocupar espaço no servidor do blog falando da intolerância quanto à orientação sexual… é mais do que notório o preconceito e a intolerância para com pessoas cuja orientação sexual difere daquilo que os “puros” entendem como “padrão pela vontade de Deus”.

Interessante que a maioria dessas vozes intolerantes são profundamente tolerantes com a corrupção política, com a usura, com a injustiça e confundem a gananciosa e cruel prosperidade capitalista com “bênção” de Deus!!! O mesmo Deus que – ESTÁ ESCRITO – afirmou serem os pobres bem-aventurados, serem os pacificadores os herdeiros da terra, etc., etc., etc. Nesses casos não são fundamentalistas, pelo contrário, buscam exegeses que agridem o bom senso das pessoas  e os padrões das ciências hermenêuticas; mas quando se trata da religião diferente, da orientação sexual diferente, ou seja, de tudo que seja diferente do padrão moral por eles definido como “vontade de Deus”, então ai, o texto bíblico é assumido sem interpretações...  fundamentalismo de conveniência ideológica.

Assim vimos a vergonhosa aliança política no Congresso Brasileiro entre a bancada evangélica e a frente católica (aliança muito ecumênica por sinal – nessa hora é conveniente ser ecumênico), negociando com a situação o calar-se diante do caso Palocci em troca da permissão para a homofobia. Sabe-se lá o que rolou na questão do Código Florestal… e sabe-se lá que diabólicos acordos os parlamentares ditos “cristãos” não estão fazendo para manter o “direito” de ser intolerante e perseguir (segregar) os diferentes…

Convido vocês, que têm paciência em ler este blogue, a cerrar fileiras na intolerância: sejamos todos (e todas, vá lá)  intolerantes com os intolerantes.

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20 de mai de 2011

Porque não quero ser “politicamente correto” (3)

De uma vez por todas(os), entendam porque não sou, não quero ser, “politicamente correto”, uma hipocrisia(o) que importamos dos EUA, terra de gente neurótica(o) formada(o) em bases fundamentalistas... (claro, tem estadunidense(o,a)  que não é idiota(o), nem neurótico(a)!)
Vejam só este comentário… no humor dos erros do Novaes, uma crítica ferina à essa mania terrível de brincar com educação, fazendo de conta ser “educador(a)” moderninho(a).
LIVRO PARA INGUINORANTES (do Blog do Novaes - www.jblog.com.br/novaes.php?itemid=26806)
Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!
A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.
A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.
Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.
Que confusão é essa de confundir correto com adequado? Já sei! Tem aquele velho papo de perguntar quem define o que é “certo” ou “errado”! O tal “relativismo” que, aliás, não é o tal que falava Albert Einstein.

Infelizmente, (ou felizmente? quem define?) a vida em sociedade tem de ter instituições, convenções, autoridades, normas. Uma sociedade realmente madura politicamente tem seus meios institucionais de definir, avaliar e modificar tais definições. Elas podem ser mudadas, mas não podem ser relativizadas; nem os anarquistas do século XIX pensavam assim; pelo contrário, fundamentavam muito bem suas posições sem apelar para sentimentos “inclusivos”!

Nesse negócio de garantir direitos de inclusividade, tenho algumas propostas:
- pessoas que sofrem de distúrbios gastrointestinais devem ter o direito de peidar quando e onde bem entenderem, para não serem excluídos por seu estado de saúde, o que não deixa de ser uma deficiência física (afinal, há algo de podre nos seus intestinos, embora não se saiba ao certo quem tem o poder para definir o que seja “podre”, e é bem provável que todo mundo tenha algo de podre em seus intestinos); vale o mesmo para arrotos nos casos de gastrite aguda.
- assim como o fumar faz mal para pessoas pretensamente saudáveis, também muitos perfumes devem ser proibidos em lugares fechados por respeito aos que têm alergia aos seus aromas;
- políticos corruptos devem ter o direito garantido de fazer suas maracutaias, uma vez que não é aceitável que alguém defina o que seja corrupção, afinal tudo depende do ponto de vista;
- claustrofóbicos devem ter o direito de andarem em elevador sem paredes por isso todos os edifícios com mais de 3 andares devem ter um elevador sem paredes;

Se a questão é falta de bom senso (afinal quem define o que é bom?) a gente logo arruma um monte de motivos para defender direitos inalienáveis…

Já pensou se a gente fosse incluir os psicopatas serial-killers? afinal os coitadinhos têm um distúrbio mental e não podem ser excluídos por isso… aliás, quem disse que roubar é errado? cleptomaníacos devem ter seus direitos garantidos, não podem ser excluídos por causa de sua deficiência psíquica causada sabe-se lá por traumas de infância na relação com a autoridade paterna…

É uma pena que questões sérias como os Direitos Civis sejam confundidas com babaquices de quem não consegue vislumbrar horizontes amplos quando olha além do seu próprio umbigo (aliás, quem define o “horizonte”? e quem define o que seja “amplo”? será que alguém vai relativizar o umbigo? afinal, os umbigos não são iguais, cada um tem o seu e deve ter o direito de tê-lo e de mirá-lo).

Há coisas que realmente não são adequadas, mas há coisas que são erradas! É exatamente esse mesmo raciocínio  de confundir adequado com certo, que, nos EUA, condena negros pobres à morte por homicídio mas justifica invadir e bombardear terras alheias em nome da liberdade e da democracia para garantir a paz… (quem define o que é “paz”, “liberdade” e “democracia”? – essa última confundida com ditadura da maioria…)

Tem gente ai confundindo Ética Contextual – que é decorrente de uma reflexão filosófica – com ignorância simplista moderninha.

Espero que o tal livro da fessora Heloisa Ramos, a que se refere o Novaes, tenha sido inpréço em papel politicamente correto, por respeito aos eucalipitus e outras fontes naturais de seluloze, pois isso seria realmente adequado; afinal é muito adequado usar papel higiênico feito de papel reciclável; cocô não merece a morte de árvores!! aliás, cocô é bom para adubar árvores (por isso, é politicamente correto fazer cocô ao ar livre em parques públicos!?)  
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14 de mai de 2011

O passarinho.

Recebi essa estorinha em um e-mail, há muitos anos. Na verdade era apresentada em quadrinhos, bem desenhados; perdi o original mas lembro bem do texto. Repasso agora o texto.

Passaro-na-Neve_127127ppEm pleno inverno, de manhã, em meio à forte geada, um passarinho tremendo de frio se aproxima de umas vacas que estão ruminando, tentando se aquecer. Mas não deu certo, porque as vacas são altas e ele muito pequenino.

Entretanto, uma vaca viu o passarinho, se aproximou e deu uma tremenda cagada em cima dele. O que parecia ser uma agressão, acabou se revelando uma coisa boa: o calor da merda aqueceu o passarinho e ele ficou muito confortável e tão alegre que começou a piar, agradecendo.

Acontece que por ali perto estava um gato faminto; ouvindo o piar do passarinho, se aproximou, tirou o passarinho da merda, limpou e o comeu.

Essa estória nos ensina quatro lições importantes:

1. Nem todo mundo que te põe na merda te quer mal;

2. Estar na merda, às vezes, é bom;

3. Nem todo mundo que te tira da merda te quer bem;

4. (importantíssima) – quem tá na merda, não pia!

PS- no site onde pesquei a foto acima, está publicada uma versão lusitana. (clique)

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5 de mai de 2011

Shirota – uma bênção de Deus

Conheci o Haroldo Shirota quando fui missionário leigo em Dourados (MS), em 1979. Haroldo morava em uma agrovila da fazenda Itamarati, em Ponta Porã, onde havia um ponto de pregação da Igreja. Ele já era membro da Igreja quando o conheci; o resto de sua família – a esposa e as filhas - era budista. Episcopais mesmo ali na agrovila eram apenas o Haroldo e um outro senhor, também japonês, o Kaneta, cujo pai (budista) era o gerente do Hotel onde eu residia em Dourados.
O Shirota e o Kaneta é que organizavam as coisas para a celebração da Santa Ceia na capelinha da agrovila, quando o então Rev. Almir (na época Pároco de Londrina, Norte do Paraná e Mato Grosso do Sul – coisas da IEAB!) por lá aparecia a cada dois meses para a celebração. Quando fui morar em Dourados, eu visitava a missão a cada quinze dias, uma viagem complicada que implicava em ônibus e – pasmem! – trem!
Assim convivi com o Shirota aquele ano de 1979. Toda semana ele aparecia em Dourados, guiando um veículo da Itamarati, trazendo o pessoal que vinha ao médico em Dourados, especialmente quem precisava de cuidado hospitalar e era eu com o Shirota que cuidávamos dessas coisas junto ao Hospital Evangélico e o Municipal de Dourados.  Shirota fazia isso voluntariamente, nas suas horas de folga!!! Era um Diácono sem ser ordenado; e eu ficava impressionado com o carinho e a atenção que ele tinha para com as pessoas doentes.
Deixei Dourados no final daquele ano, fui para Londrina; o Rev. Almir continuou visitando a região, até ser transferido para Horizontina e depois Erexim. Passaram- se vários anos, eu fui Ordenado Diácono, depois Presbítero, servia Igreja em Araranguá e região (SC) por um ano e fui chamado para ser Reitor do Seminário Teológico em Porto Alegre e pároco da Igreja da Ascensão.
Uns meses depois que eu estava em Porto Alegre, em 1987, recebi um telefonema do Rev. Almir, dizendo que o Shirota precisava de muita ajuda.
Aconteceu o seguinte. O Shirota deixou o trabalho na Itamarati, foi para Mato Grosso, ou Rondônia, em uma cidade dessas remotas, cujo nome não me recordo, e lá se envolveu com fazer pastéis ou algo do gênero. Então, estando o tacho com óleo fervente no fogão, o óleo incendiou. Uma criança estava perto do tacho, o Shirota correu e pegou o tacho para abafar o fogo, mas por alguma razão, escorregou e o óleo fervente caiu sobre ele (mais tarde, me contando, ele dizia “Graças a Deus salvei a criancinha!”). Resultado, 75% do corpo queimado em terceiro grau. Literalmente, o Shirota foi fritado.
Levado, em meio a muita dor, para Cuiabá de avião (após uma viagem por terra que imagino como foi feita… sinto arrepios ao pensar nisso) ele precisava de tratamento mais adequado, teria de fazer implantes de pele, etc. Uma possibilidade seria trazê-lo para Porto Alegre, mas alguém tinha de se responsabilizar por ele, conseguir lugar para morar, etc. Sem pensar duas vezes, assumi essa responsabilidade com a Ivone, minha esposa na época (uma mulher muito especial), e com a comunidade do Seminário, que se mostrou muito solidária. Uma das seminaristas (a hoje Revª. Taís Feldens) era enfermeira profissional e se prontificou a prestar os serviços profissionais que fossem necessários.
Preparei a comunidade do Seminário e da Paróquia para receber o Haroldo Shirota, que – segundo o Rev. Almir – não tinha lá uma aparência agradável.  Fui buscar o Shirota no Aeroporto Salgado Filho e fiquei realmente triste ao ver a figura humana que desceu a escada do avião amparado por um tripulante: uma verdadeira múmia, enfaixado da cabeça à cintura, e pelas pernas que apareciam abaixo da bainha da bermuda.
O motorista do taxi chegou a ficar com olhos lacrimejados quando viu o passageiro que estava comigo. Na chegada ao Seminário, ele entrou em minha casa discretamente, um tanto quanto envergonhado, porque sabia que logo seria apresentado à comunidade do Seminário.
E de fato, a comunidade do Seminário o recebeu no jardim de minha casa antes do almoço; vieram buscar o Haroldo para almoçar no refeitório com a comunidade. Houve um choque inicial, embora o pessoal tenha tido o cuidado grande de sorrir e disfarçar o estranhamento. Mas quem quebrou mesmo o gelo foi o Cainã, um menino de 5 anos, filho do então seminarista Elton e da Maria (que dava uma força para gente na cozinha). O Cainã olhou para o Haroldo, e disse algo assim: “Olá! Você é o Haroldo, né? eu sou o Cainã e vou ser seu amigo!”  e pegou o Shirota pela mão e o levou até o refeitório, seguido por todos nós da comunidade.
A presença do Haroldo em Porto Alegre ficou na memória de todos que com ele conviveram. Menos de uma semana depois ele já estava fazendo os primeiros implantes de pele e quando teve alta, resolveu assumir um ministério muito especial: quando lia no jornal que houve um acidente com queimados, ele ia visitar essas pessoas; semanalmente ele visitava queimados no hospital especializado em Porto Alegre. Ele me disse que queria levar esperança e conforto para essas pessoas, incentivá-las para o tratamento, para que – como ele – pudessem continuar a vida.
Haroldo fez muitos amigos em Porto Alegre, na paróquia da Ascensão, na Catedral da SS. Trindade e na comunidade do Seminário. Haroldo cuidava do jardim do Seminário e estava sempre pronto para ajudar em qualquer coisa voluntariamente. Ele se mantinha com uma pequena pensão do INSS e se preocupava em mandar dinheiro para sua família.
Quando voltei para o ministério paroquial em Araranguá, ele foi junto, continuando a morar em minha casa. Também lá o Haroldo conquistou a amizade e o carinho do pessoal e dava seu testemunho de como Deus estava sendo bom com ele e como a Igreja Episcopal o acolheu com carinho e cuidado. Nunca, mas nunca mesmo, vi o Haroldo Shirota lamentar o que aconteceu.
Infelizmente, sua família o deixou de lado logo depois que ele foi para Porto Alegre; algo a ver com “Karma ruim”… Assim, a família do Haroldo passou a ser os amigos que conquistou na Igreja. Lembro de sua tristeza quando soube que uma das filhas iria casar e ele não poderia ser convidado… Mas oramos juntos pela filha durante toda a semana do casamento – por iniciativa dele!
A pele do Haroldo nunca se recuperou; formou queloides, ele foi obrigado a viver com uma espécie de roupa especial elástica; as correções cirúrgicas em seu rosto não ficaram perfeitas, e ele sentia muita coceira porque sua pele não transpirava. Mas continuava sorrindo, fazendo a leitura das lições na Igreja, e ajudando todo mundo que ele pudesse; todos os dias, em algum momento, estava no templo em oração. Mensalmente ia a Porto Alegre, visitar o Hospital de Queimados para consolar e dar esperança.
Resolveu ir trabalhar no Japão, e foi. De lá nos telefonava às vezes pela meia-noite, quando estava no intervalo de almoço (era meio dia lá); e quando vinha ao Brasil, trazia um monte de presentes e visitava todo mundo em Porto Alegre, Araranguá e em Brasília e depois Londrina, onde eu morei; nessa ocasião, o Rev. Almir já havia sido eleito Bispo de Brasília e estava em pleno episcopado.
Soube depois que o Haroldo trabalhou por dois ou três períodos no Japão, e hoje está em Mato Grosso.  Perdi o contato com ele, mas acredito que ele continua o mesmo sujeito carinhoso, sorridente e amigo leal, dando seu testemunho sobre o amor de Deus para com ele…
Há dias venho pensando nele e até sonhado com ele. Não sei porquê, mas eu senti que precisava escrever sobre ele, até para tentar saber se alguém o localiza para mim.
Devo muito ao Haroldo Shirota. Em momentos de crise, ele era o abraço amigo, o ombro companheiro… e conselheiro! A dor fez dele um mestre da Esperança e da Consolação.
Sou grato a Deus por ter conhecido e tido a grande honra de ter convivido com o Haroldo Shirota, um santo de Deus; foi ele quem me ensinou que, muitas vezes, Deus faz da desgraça, uma graça. Haroldo – como Abraão – foi (tem sido) uma Bênção na minha vida e na de muita gente!
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