Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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27 de fev de 2010

A mosca

Jurisvaldo é uma mosca; ou melhor um mosco, já que é um macho de sua espécie. Um macho novo, não no tempo, uma vez que já viveu sua fase de larva e de pupa e eclodiu há pouco para a última fase da vida. Assim, no conceito de tempo moscal, Jurisvaldo é um ancião; todavia, seu organismo pulsa como o de um adolescente… está na fase reprodutiva e tudo que Jurisvaldo deseja é encontrar uma mosca fêmea para, com ela, dar sua contribuição à continuidade de sua espécie.

Jurisvaldo enxerga o mundo com seus olhos de mosca; não faz nenhum julgamento, nenhuma análise uma vez que não teve outros olhos para ver e, então, comparar.  E ele nem quer saber de analisar nada, de entender nada; ele voa atento em busca da fêmea. Esse é seu dever e a sua natureza.

Então ele a vê, pousada, esfregando as patas traseiras nas asas. Jurisvaldo não a acha feia nem bonita, nem atraente ou gostosa. Ele não tem tais conceitos. Ele só sabe que é uma fêmea, há pouco eclodida da pupa como ele, e deve estar também em busca do macho para a reprodução.

Ele pousa à distância adequada e faz os movimentos certos para atrair a mosquinha. Ele não sabe que movimentos são esses, nem porque os faz, mas sabe que tem de executar essa dança. A mosquinha fica estática, olhando-o com seus olhos de mosca.  E move as asas na forma que deve mover.

De repente Jurisvaldo percebe que ela assume outra postura, fica atenta e sai voando rapidamente. Ele não tem tempo para pensar. Sente um forte vento e de repente está todo molhado. Mas estranhamente, esse molhado lhe deixa tonto, vai perdendo os sentidos, suas pernas estão estranhas, ele cai no vácuo. Jurisvaldo morre! Morre sem completar sua tarefa. Um banho de algo que vem com um vento forte e ele morre.

“_  Pronto, mamãe! Joguei o inseticida mas uma das mosconas azuis fugiu, a outra, morreu!” diz a mocinha de vestido florido.

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3 comentários:

  1. kkkk, não aguentei tive que rir!

    Não sei se ri da tragédia,ou de mim! Estava esperando algo profundo quando, o mosco morre!

    Que mosca traiçoeira!Nem para avisar o mosco!rsrs

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  2. Muito legal! mas fiquei com peninha do mosco; vou pensar muito antes de matar moscas (ou moscos)... hihihi

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  3. Há muito de verdade nesse teu conto...

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