Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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28 de dez de 2011

Recordações Natalinas…

Esta época do ano acaba evocando recordações, especialmente as recordações da infância, que sempre brotam já relidas e adaptadas pelo nosso inconsciente, mas são as lembranças que temos…
Claro que logo recordo dos natais da minha infância, na casa de algum tio ou mesmo em minha casa, com a reunião da família ampliada (especialmente a família da minha mãe, porque a do papai estava no Rio e nós morávamos em São Paulo). 
Como bons italianos, ou filhos de, meus tios e tias tinham de discutir sobre tudo, e assim a famosa reunião de organização da festa natalina era um show de discussões sem sentido: quem vai dar (pagar) o peru? e o tender? (não pode faltar!). Tia Beatriz, sempre nervosinha, mas com uma calma impressionante nessas horas, resolvia logo sua parte: ela traria o pudim de caramelo, sua única especialidade.. Minha mãe era a responsável pela lasanha, com molho a chocolat, sua especialidade. Tia Lídia, claro, o pernil e os doces, mas mamãe também era encarregada das rabanadas!!! Os três tios mais ricos (os três médicos!!!) bancavam as coisas mais caras, e faziam questão, porque com certeza fazia bem para o ego deles. Uma vez, meu pai (que teve um momento de ganhar muita grana mas perdeu muito também) resolveu fazer a festa na nossa casa e bancou tudo ou quase tudo. O tio que fazia questão de mandar o peru, mandou e assim aconteceu de termos dois perus na mesa!!! (e isso rolou muita encrenca antes e depois do Natal, coisas de italianos… embora meu pai não fosse italiano, tinha sangue português e por isso, era birrento quando queria – quase nunca queria, graças a Deus).
E tinha o lance do Papai Noel. Era um funcionário do tio Mário, mas uma vez o cara não apareceu e eu, o primo gordo, tive de fazer a coisa… foi um saco aguentar os priminhos novos, filhos das primas mais velhas… mas acho que consegui dar conta.
Fantásticas mesmo eram as festas de Natal na casa do tio Acchiles, acho que o mais rico de todos até ser superado pelo seu irmão caçula… às vezes alternava com o tio Mário, um sujeito muito divertido e boa praça! Tinha direito a som de helicóptero antecipando a chegada do Papai Noel  (não sei se era um truque ou o velho Acchiles alugava mesmo um helicóptero para fazer a cena…).
Haviam alguns personagens que eram sensacionais. Personagens não, gente real, mas que pareciam não existir. Lembro de alguns.
O Francesco, companheiro da tia Beatriz, um metalúrgico (politizado pacas, e de esquerda, descobri isso depois) que me divertia muito com suas brincadeiras de mágico; ele fazia isso meio discretamente, porque era tímido, sempre ficava meio de lado (depois entendi que sendo de esquerda, não se sentia bem no meio daquele ambiente burguês de classe média ajeitada).
Um casal que eu gostava muito: o “Seo” José e sua esposa, a dona Êudice (o nome é esse mesmo, pelo menos assim o pessoal falava). Ela sempre muito elegante e conversadeira; o José, um sujeito bonachão, sempre sorridente e bom garfo; meu pai gostava dele. Eram sogros de uma das primas mais velhas. Mas o casal era uma figura e eu me divertia muito olhando eles de longe, os trejeitos da dona Êudice e o sorriso conformado do José.
E o tio Ricardo, o tio legal, o pobre da família, mas sempre de bom humor e cheio de piadas. Tinha mania de ser ufólogo e sempre contava suas incríveis observações de disco voador sobre São Paulo. Um sujeito sensacional, me ensinou a jogar xadrez e tinha inclusive o título de Mestre…
A tia Bicce (Beatriz) era um caso a parte. Tinha manias muito engraçadas e sempre queria agradar todo mundo… adorava uma boa fofoca (e com mamãe e tia Lídia, as três sempre tinham assunto pra semana seguinte – aliás, sempre tinham assunto!).
Não podia faltar o famoso retrato do vovô Caetano e da vovó Concetta, em um quadro enorme, enfeitado, no salão principal da festa. Quem trazia o quadro era o tio Acchiles, onde quer que fosse a festa. Quando dava meia noite, exatamente antes de começar a ceia, o pessoal todo se reunia sob o retrato dos avós e entre choros (italiano que não chora nessas horas está morto) e rezas, estouravam o champanhe e começava a comilança, logo depois de todo mundo se abraçar e dizer “Feliz Natal” uns aos outros.
Pelos 19 anos, eu aparecia na festa já na madrugada; naquele tempo eu ia na missa da meia-noite; havia tido minha experiência pessoal com Jesus e, assim, o Natal passou a ser, para mim, um momento essencialmente litúrgico.
Um dia dois tios brigaram e a coisa foi feia; naquele ano um deles não veio para o Natal, e a partir dai quando um vinha, o outro não vinha. Não sei bem até hoje porque brigaram, mas ouvi uma fofoca que foi por causa de umas pílulas…
Anos depois, o tio Mário faleceu exatamente na véspera do Natal, cuja festa seria na casa dele! Foi uma coisa terrível… a ceia pronta e o velório acontecendo…
A partir de então, acabou o natal dos Grecos. Cada núcleo familiar começou a fazer seu próprio programa…
O mundo ainda andava devagar, e as pessoas curtiam mais o Natal sem o excessivo consumismo… as famílias se reuniam mais e, apesar das encrencas, todo mundo se emocionava muito…
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15 de dez de 2011

Coisas do Passado que se acabaram no Futuro.

Recebi de um amigo, Rev. Joel Soares, o texto abaixo, da autoria de Ismael Gaião, pessoa que não conheço. Com certeza ele é da minha geração, porque tudo que ele fala ai abaixo, eu vivi também. Também não sei onde o Sr. Ismael publicou o texto que compilo abaixo.

Não se trata de um saudosismo melancólico, mas a constatação que nem sempre progresso significa vida melhor, e que nem sempre evolução significa que as coisas ficam melhores…

NO  TEMPO  DA  MINHA  INFÂNCIA (Ismael Gaião)

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

             Bebi leite ao natural
             Da minha vaca Quitéria
             E nunca fiquei de cama
             Com uma doença séria
             As crianças de hoje em dia
             Não bebem como eu bebia
             Pra não pegar bactéria

                         A barriga da miséria
                         Tirei com tranquilidade
                         Do pão com manteiga e queijo
                         Hoje só resta a saudade
                         A vida ficou sem graça
                         Não se pode comer massa
                         Por causa da obesidade

                                                   Eu comi ovo à vontade
                                                   Sem ter contra indicação
                                                   Pois o tal colesterol
                                                   Pra mim nunca foi vilão
                                                   Hoje a vida é uma loucura
                                                   Dizem que qualquer gordura
                                                   Nos mata do coração

                                                                  Com a modernização
                                                                  Quase tudo é proibido
                                                                  Pois sempre tem uma Lei
                                                                  Que nos deixa reprimido
                                                                  Fazendo tudo que eu fiz
                                                                  Hoje me sinto feliz
                                                                  Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

              Vi o meu pai dirigir
              Numa total confiança
              Sem apoio, sem air-bag
              Sem cinto de segurança
              E eu no banco de trás
              Solto, igualzinho aos demais
              Fazia a maior festança

                            No meu tempo de criança
                            Por ter sido reprovado
                            Ninguém ia ao psicólogo
                            Nem se ficava frustrado
                            Quando isso acontecia
                            A gente só repetia
                            Até que fosse aprovado

                                            Não tinha superdotado
                                            Nem a tal dislexia
                                            E a hiperatividade
                                            É coisa que não se via
                                            Falta de concentração
                                            Se curava com carão
                                            E disso ninguém morria

                                                             Nesse tempo se bebia
                                                             Água vinda da torneira
                                                             De uma fonte natural
                                                             Ou até de uma mangueira
                                                             E essa água engarrafada
                                                             Que diz-se esterilizada
                                                             Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

                  Nunca fui envenenado
                  Com as tintas dos brinquedos
                  Remédios e detergentes
                  Se guardavam, sem segredos
                  E descalço, na areia
                  Eu joguei bola de meia
                  Rasgando as pontas dos dedos

                               Aboli todos os medos
                               Apostando umas carreiras
                               Em carros de rolimã
                               Sem usar cotoveleiras
                               Pra correr de bicicleta
                               Nunca usei, feito um atleta,
                               Capacete e joelheiras

                                            Entre outras brincadeiras
                                            Brinquei de Carrinho de Mão
                                            Estátua, Jogo da Velha
                                            Bola de Gude e Pião
                                            De mocinhos e Cowboys
                                            E até de super-heróis
                                            Que vi na televisão

                                                           Eu cantei Cai, Cai Balão,
                                                           Palma é palma, Pé é pé
                                                           Gata Pintada, Esta Rua
                                                           Pai Francisco e De Marré
                                                           Também cantei Itororó
                                                           Brinquei de Escravos de Jó
                                                           E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

           Tomava banho de mar
           Na estação do verão
           Quando papai nos levava
           Em cima de um caminhão
           Não voltava bronzeado
           Mas com o corpo queimado
           Parecendo um camarão

                              Sem ter tanta evolução
                              O Playstation não havia
                              E nenhum jogo de vídeo
                              Naquele tempo existia
                              Não tinha vídeo cassete
                              Muito menos internet
                              Como se tem hoje em dia

                                              O meu cachorro comia
                                              O resto do nosso almoço
                                              Não existia ração
                                              Nem brinquedo feito osso
                                              E para as pulgas matar
                                              Nunca vi ninguém botar
                                              Um colar no seu pescoço

                                                          E ele achava um colosso
                                                          Tomar banho de mangueira
                                                          Ou numa água bem fria
                                                          Debaixo duma torneira
                                                          E a gente fazia farra
                                                          Usando sabão em barra
                                                          Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

                  Comecei a trabalhar
                  Com oito anos de idade
                  Pois o meu pai me mostrava
                  Que pra ter dignidade
                  O trabalho era importante
                  Pra não me ver adiante
                  Ir pra marginalidade

                               Mas hoje a sociedade
                               Essa visão não alcança
                               E proíbe qualquer pai
                               Dar trabalho a uma criança
                               Prefere ver nossos filhos
                               Vivendo fora dos trilhos
                               Num mundo sem esperança

                                             A vida era bem mais mansa,
                                             Com um pouco de insensatez.
                                             Eu me lembro com detalhes
                                             De tudo que a gente fez,
                                             Por isso tenho saudade
                                             E hoje sinto vontade
                                             De ser criança outra vez...

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Eu só não sinto vontade de ser criança outra vez; se for para ser nestes tempos, não mesmo! Porque hoje as crianças não são crianças, mas são imagens dos adultos; não produzem absolutamente nada, embora passam boa parte do seu tempo com uma agenda complicada… são cheias de direitos e mal educadas. Seus brinquedos brincam sozinhos, e passam muito tempo em um mundo virtual de más fantasias…

Com todo o conhecimento que a humanidade acumulou, a vida não é melhor, a não ser para meia-dúzia de espertinhos que formam a elite mais safada que a humanidade já conheceu. O tempo passa voando e quando o sujeito percebe, a vida acabou-se nas correrias, nos milhares de e-mails, na eterna insatisfação de consumir o que aparece na moda e no mercado…

Realmente, o mundo está ficando cada vez mais chato!

Venha Teu Reino, Senhor!

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6 de dez de 2011

Querem mudar o nome da Árvore de Natal!!!

Árvore de NatalMais uma novidade “bizantina” nos EUA. Agora lá não se pode dizer “Arvore de Natal”, especialmente se for patrocinada por algum órgão governamental, em respeito aos não cristãos! Tem de chamar “Arvore de Festa”! É o tal politicamente correto…
Os ateus não devem se ofender com isso, com certeza, até porque curtem bem as festas de Natal, trocam presentes, tudo dentro dos conformes com a sociedade de consumo. Talvez o problema seja a população judia… mas os judeus sempre se deram bem nos EUA e nunca criaram caso com árvores de natal, afinal é parte da cultura do hemisfério norte celebrar o solstício de inverno com a árvore enfeitada com luzes e prendas. Os evangélicos não são, pois também são chegadinhos a uma árvore de Natal.  Não creio que os hinduístas sintam-se ofendidos com uma árvore de Natal. Restam os mulçumanos, talvez?
Interessante, porém, que em vários países confessionalmente não cristãos, os cristãos que lá vivem não se importam muito com as celebrações culturais daqueles povos. Mas em vários, os cristãos são perseguidos, não têm liberdade de culto, e às vezes vivem na clandestinidade. Que eu saiba, os EUA nunca deram importância para isso…
Posso compreender que nem todo mundo é obrigado a celebrar o Natal. Assim como ninguém deve ser obrigado a respeitar as sextas-feiras (dia sagrado dos mulçumanos), os sábados, o Pessach,  ou fazer um mês de jejum no Ramadã.
A questão é, caso haja ofensa em celebrar-se o Natal, porque manter o feriado? afinal, para que seria o feriado de natal? para festejar o quê? Se os EUA mantém feriado no Natal, porque a implicância com a árvore? incoerente é também celebrar o Dia de Ação de Graças, festa exclusivamente cristã e puritana… Talvez eles mudem o nome para Dia de Comer Peru…
Aliás, para que tornar o domingo um dia de descanso? isso não é também um costume cristão? Será que nos EUA os mulçumanos têm liberdade de não trabalhar nas sextas-feiras? e os judeus e todos os sabatistas nos sábados?  Não sei que dia da semana aconteceu a Independência dos EUA (e estou com preguiça de fazer cálculos); vamos supor que tenha sido numa quinta-feira. Seria mais coerente então eles reservarem as quintas-feiras para seu descanso semanal… (e nesse caso, ninguém iria gostar das sextas-feiras).
Fico pensando naqueles milhares de hinduístas que vivem nos EUA e são obrigados a sentir o cheiro dos hamburgues… alguns são realmente feitos com carne de vaca! Deviam proibir os hamburgues porque ofende os hindus. E nada de cachorro quente com salsicha de carne de porco, pois judeus e mulçumanos podem se ofender. Aliás, as propagandas de bebidas alcoólicas não ofendem os abstêmios?
Caramba! e lá eles chamam Papai Noel (Papai Natal) de Santa Claus, um título cristão, corruptela de São Nicolau! Logo vão mudar para Papai Coca-Cola, uma vez que o Papai Noel pintado de vermelho foi divulgado em 1931 para exatamente fazer propaganda da Coca-Cola e aumentar seu consumo durante o inverno (dezembro, no Norte, é inverno)!
Sinceramente, sabem o que eu acho? acho que os norte-americanos não sabem fazer sexo e vivem compensando sua libido frustrada com bizarrices “politicamente corretas”. Não incluo ai os canadenses e os mexicanos, também considerados norte-americanos. Os mexicanos são latinos e portanto, curtem sexo muito bem; os canadenses, pelo menos o pessoal do Quebec, pela sua tradição francesa, também devem saber tirar proveito da sexualidade…
O pior é que como aqui no Brasil está cheio de mico admirador da “curtura” estadunidense, logo vamos ter nossos libertários clamando pelo direito de desrespeitar a cultura como se Estado Laico significasse Estado sem fundamento cultural. Aliás, o conceito de Estado não é coisa de europeu? isso deve ofender a todo mundo que não seja europeu, obrigados a viver sob uma organização social imposta por uma cultura…
Cacete, o mundo está ficando muito chato!
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