Pequenas luzes, simplicidade

Este blogue é destinado a pessoas que gostam de pensar sem as limitações impostas pelos modismos e pelas instituições sejam quais forem; que conseguem rir de si mesmas e de tudo, sem sentir culpa; que conseguem olhar além do próprio umbigo.
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Este não é um blogue acadêmico, nem jornalístico, não é um blogue temático e não é politicamente correto (modismo idiota americano)! Este blogue pretende ser um espaço de idéias sem a formalidade acadêmica, livre, de conteúdo variado, sem nenhum compromisso temático, ideológico, partidário, étnico, religioso, essas bobagens todas. Ou seja, é politicamente pentelho! e cheio de contradições! como eu! Quem espera respostas prontas e uma enxurrada de racionalidade, que vá ler Kant!
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29 de nov de 2010

O Peru do Júlio

A comunidade estava celebrando o Advento, ocasião em que – como de costume – realiza-se um almoço comunitário. Desta vez, havia uma novidade: os homens fariam a comida! E assim foi, os homens chegaram trazendo, cada um seu prato, feito por ele mesmo! A maioria dos pratos era salgado, mas haviam também alguns doces.
O almoço transcorreu descontraído e alegre. Durante a sobremesa, a Reverenda sugeriu que cada um apresentasse seu prato, e contasse como foi a preparação, e se fosse o caso, poderia até dar a receita. No início, um pouco inibidos, tiveram de ser animados pelas suas companheiras para falar.
Um deles confessou que – na verdade – não fez tudo sozinho. Sua esposa ajudou bastante, cabendo a ele a enorme tarefa de abrir as latas de atum e de ervilhas para a salada que trouxe.  Outro, que disse gostar de cozinhar, comentou a receita que herdou de sua mãe, e assim foi indo, cada um contando sobre a preparação do prato que havia trazido. Foi muito divertido.
Mas a melhor narrativa foi a do Júlio, que gabava-se de ter trazido o peru assado desfiado – de fato, delicioso.
Eu fui para compras no supermercado, pensando o que levaria no almoço da comunidade. Então tive a idéia de levar um peru desfiado, segundo a velha receita da mamãe. Como é época natalina, já havia, no setor de congelados, imensos perus e chesters em oferta. Escolhi um bem grande!
Quando cheguei em casa, fui ler as instruções para descongelar o peru, que estava duro de tão gelado, e com surpresa, dizia no rótulo que precisaria de 72 horas para o descongelamento adequado. Fiquei apavorado, não daria tempo, pois era sábado e o almoço seria no dia seguinte. Não tive dúvida, vai para o micro-ondas descongelar.
Ai começou a complicação. O peru era grande e não entrava. Tive de forçar as coxas para entrar, e acabou entrando, mas conforme girava  o peru lá dentro as coxas abriam  e ele saia para fora, e eu tinha de forçar de novo. O peru não cabia lá dentro. Mas com muito jeito e paciência, consegui o intento: o peru descongelou e ficou mais mole, e assim pude passar o tempero nele.
Chegou a hora de colocar no forno. O meu forno é novinho em folha, tinha acabado de comprar, então, com o peru na mão abri a porta e tentei acender em baixo da grelha. Mas não dava certo. Eu com o peru na mão, temperado e pronto e não conseguia ligar o forno. Liguei para o serviço de atendimento ao cliente da fábrica e expliquei para a moça que eu estava com o peru pronto mas não conseguia assar, porque não acende o forno. Ela me explicou que há um botão redondinho no painel que devidamente posicionado e apertado acenderia o forno. Ela ainda perguntou se o peru era grande, para sugerir a melhor configuração e tempo que o peru devia ficar lá dentro. Sugeriu também que eu deixasse esquentar antes de colocar o peru pra dentro.
Desliguei o telefone, e fiquei apertando o tal botão redondinho. De fato funcionou, e esperei aquecer. Depois que estava quente, abri a tampa e com as duas mãos coloquei o peru pra dentro, ajeitando a melhor posição. O formo é dos bons, porque logo o peru saiu assado! Depois foi só desfiar o peru, usando a faca adequada e aqui está ele, aliás, vocês já o comeram”
De fato, o peru do Júlio foi o sucesso da festa!
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